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Profissional
brasileiro é requisitado em mercado internacional
O Brasil está
exportando mão-de-obra especializada e por bons salários.
Profissionais em couro, calçados, móveis, moda, gastronomia,
saúde, hotelaria, automação industrial, robótica,
mecatrônica e logística estão entre as áreas
mais procuradas.
Leia
mais:
- Exportando mão-de-obra
- Intercâmbio entre
escolas favorece contratação
- Saiba como se preparar
e cheque o perfil do mercado
Setor
ferroviário deve criar 13 mil empregos até 2010
De acordo com
o diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores
Ferroviários (ANTF), serão criados cerca de três
mil empregos a cada ano, no setor ferroviário brasileiro.
Leia
mais:
- Empregos nos trilhos
Exportando mão-de-obra
Líder
mundial na venda de produtos como soja e carnes, o Brasil está
exportando mão-de-obra especializada. E por bons salários.
São técnicos e profissionais com curso superior, formados
nas escolas do Senai e do Senac, que vão trabalhar nos países
do Mercosul, no Chile, nos EUA, nos mercados europeus e até
na China e no Japão. Couro, calçados, móveis,
moda, gastronomia, saúde, hotelaria, automação
industrial, robótica, mecatrônica e logística
estão entre as áreas mais procuradas.
Segundo levantamento
da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
só no Sul da China há mil brasileiros trabalhando
na área de curtimento de couro, com remuneração
inicial de US$ 3.500 por mês. “Dependendo do cargo que
você exerce, o salário pode chegar a US$ 10 mil,”
garante Alexandre Freitas, que mora em Xangai há três
anos e trabalha na Noko Química.
Segundo Freitas,
o setor de calçados na China também emprega muitos
brasileiros, principalmente técnicos especializados em controle
de qualidade. Freitas se formou no Centro Tecnológico do
Couro, escola do Senai de Estância Velha, Rio Grande do Sul,
unidade que desenvolveu um tipo de fragrância natural à
base de camomila no beneficiamento do couro.
Filipe Borges
fez o curso técnico de mecatrônica do Senai e, há
três anos, trabalha na Bélgica, na empresa sueca Thoreb,
especializada em transporte coletivo. Conta que ganha dez vezes
mais do que receberia no Brasil. Mas, ressalva, a situação
é diferente para quem vai tentar a vida no exterior sem qualquer
qualificação.
“Trabalho
com os melhores engenheiros do mundo,” disse Borges, acrescentando
que as empresas estrangeiras também ganham, pois podem contar
com mão-de-obra especializada, como a brasileira, por um
custo mais baixo.
A Itália
é outro destino no alvo dos brasileiros. De acordo com o
diretor da Sociedade de Assistência aos Trabalhadores do Carvão,
de Criciúma (SC), Iraídes Piovesan, há cerca
de 700 técnicos brasileiros só nas cidades italianas
de Vittorio Veneto, Mallo e Pescara, na província de Vicenza.
“Nós
formamos 600 técnicos por ano, mas num piscar de olhos eles
somem,” disse Piovesan, observando, no entanto, que preferia
que os novos profissionais ficassem no Brasil e pudessem atuar em
áreas de eletrônica, mecânica, informática,
mecânica e eletroeletrônica, cursos oferecidos pela
escola ligada ao Senai.
“Mas se
ganha melhor aqui,” argumenta Vagner Ditadi, que trabalha
como técnico em automação industrial em Marano
Vicentino, na província de Vicenza e que acredita que no
Brasil seu salário seria de R$ 1.200, enquanto na Itália
é de 1.200 euros (R$ 3.250).
A carência
de mão-de-obra nas áreas de enfermagem e fisioterapia
para cuidar de idosos na Itália levou a Universidade do Extremo
Sul Catarinense (Unesc) a fechar convênio com o Instituto
Italiano Fernando Santi. A meta é oferecer estágio
e emprego aos formandos.
Já o
Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil
(CETIQT) do Senai, referência nacional, que fica na Zona Norte
do Rio, manda por ano cerca de 300 dos mil formandos em moda para
diferentes mercados, como Estados Unidos, Itália, França,
Espanha e Holanda.
“A maioria
vai trabalhar em grifes. Mas muitos buscam uma especialização
e depois voltam para montar marca própria,” diz a coordenadora
do Instituto de Design, Kátia Ferreira.
(O Globo
– 30/10/05)
Intercâmbio entre escolas favorece contratação
Dona da grife
Zigfreda, Kátia Ville morou cinco anos em Amsterdam, na Holanda,
onde fez mestrado em gerenciamento internacional e trabalhou com
as marcas Nike e Tommy Hilfiger. A remuneração no
exterior é o dobro da obtida no Brasil, diz ela. Sua aluna
no Senai/ Cetiqt, Isabella Del Carlo, que se formará em designer
de moda em julho de 2006, também está se preparando
para ir para Florença:
“Acho
que lá fora as coisas funcionam. Pretendo trabalhar um tempo
na Itália e depois montar um negócio no Brasil na
área de acessórios.”
Segundo a professora
Kátia, o lado criativo do brasileiro tem sido um dos atrativos
fortes. A escola, que conta com o Instituto da Cor, o único
da América Latina, se prepara para oferecer pós-graduação
em cor e luz, está entre as cinco melhores do mundo e oferece
diferentes cursos técnicos e de pós-graduação
voltados para moda, como designer, modelagem, desenho de estamparia
e técnico têxtil, além de confecções.
Muitas escolas
têm convênios com universidades estrangeiras para facilitar
intercâmbios, o que acaba favorecendo ainda mais a ida de
brasileiros para o exterior. Como o Centro de Tecnologia Limpa do
Senai do Rio Grande do Sul, que tem parceria com o Canadá,
na área de meio ambiente, e o Senai de Novo Hamburgo, voltado
para o setor de calçados, que tem acordo com a Alemanha.
O Senac, mantido
pelo comércio, também tem vários convênios
com instituições internacionais. A unidade de São
Paulo tem parceria, nos setores de gastronomia e hotelaria, com
entidades dos Estados Unidos, da Índia, do Canadá
e também da França.
Há também
brasileiros que estão trabalhando no Japão, mas que
não são os tradicionais descendentes dos japoneses.
O Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec), do Pólo
de Camaçari, mandou 105 trabalhadores brasileiros para fazer
estágios numa unidade da Bridgestone.
Esses trabalhadores
voltarão para o Brasil para trabalhar na instalação
da fábrica, que está localizada na Bahia. Mas é
comum eles serem convidados para trabalhar na matriz, conta o engenheiro
da área automobilística da escola, Luciano Azevedo.
Além
desses centros de formação, existem vários
outros dedicados à formação tecnológica,
como de gás, do Rio Grande do Norte, uma parceria entre Senai
e Petrobras; o curso de técnico em fundição,
na cidade de Itaúna (MG), uma referência no estado
e especialidade em alimentos e setor gráfico em São
Paulo.
Segundo o coordenador
da unidade de Educação do Senai, Alberto Araújo,
a instituição, que se dedicava basicamente à
aprendizagem, passou por mudanças e hoje é voltada
para a formação de técnicos especializados,
tecnólogos e até engenheiros. São 396 unidades
regionais e 40 centros de tecnologia:
“A instituição
dispõe de uma unidade de estudos de tendências, que
é responsável pela pesquisa das áreas que terão
demanda dentro de um período de dez a 15 anos.”
Embora o governo
dos Estados Unidos não esteja estimulando a imigração,
muitos estrangeiros aproveitam oportunidades de trabalho nas pequenas
e médias cidades americanas. Caso de Eduardo Voloch, formado
em turismo, que recebeu um convite para trabalhar na empresa em
que foi estagiar, em Williamsburg, Virgínia:
“Em dezembro
de 2003, fui fazer um trabalho temporário e depois voltei
para um estágio de 18 meses. Mas ao fim de oito meses, a
empresa decidiu me contratar e consegui o visto permanente. Hoje
sou gerente-regional de Operações e ganho US$ 3 mil
mensais.”
Formado em direito
e em ciências sociais, com mestrado em sociologia e direito
e pós-graduação em filosofia, Dênis Halis
também recebeu convite para dar aulas numa universidade da
China, na província de Guanngdong, ganhando 4 mil iuans (R$
1.200):
“Tinha
entrado em contato com acadêmicos daqui da China, na busca
de uma bolsa de doutorado. Mas gostaram do meu currículo
e me convidaram para dar aulas. O salário, para o país,
é muito bom, apesar de baixo para o Brasil. O que me atrai
é a possibilidade de me inserir na economia de uma grande
potência como esta.”
Para o professor
do Instituto de Economia da Unicamp, Marcio Pochmann, esse movimento
de brasileiros qualificados rumo ao exterior mostra um outro lado
da moeda e está relacionado com a divisão internacional
do trabalho. Segundo ele, países que investem em tecnologia,
uma predominância dos cursos do Senai e Senac, geram mais
empregos, com melhores salários:
“O Brasil
tem escolhido se especializar em bens com baixo valor agregado e
pouco conteúdo tecnológico, o que leva à criação
de vagas de pouca qualificação e baixos salários.”
Pochmann cita
dados do IBGE, que mostram que em 1980 a participação
dos salários na renda nacional era de 50% e em 2003, caiu
para 36%. E ressalta que a pauta de exportação brasileira
é dominada por produtos primários, como suco de laranja,
minério etc. O fenômeno revela uma contradição:
o Brasil, com um dos índices mais baixos de escolaridade
do mundo (menos de seis anos de estudo), está exportando
mão-de-obra qualificada.
(O Globo
– 30/10/05)
Saiba como se preparar e cheque o perfil do mercado
SENAI
Como se habilitar: O Senai tem 1.800 programas
de educação profissional, sendo 624 técnicos
e 130 de graduação e pós-graduação,
todos voltados para área de tecnologia. As unidades do Senai
têm autonomia, e os requisitos e valores cobrados dos estudantes
dependem da direção de cada escola. De forma geral,
quem ainda está cursando o ensino médio pode fazer
um curso profissionalizante. Já os trabalhadores que passaram
dessa fase precisam se submeter a um processo de seleção.
Para os cursos de graduação e pós-graduação,
há vestibular. Mais informações no www.senai.br.
Centros
de referência: De Couro e calçados, em Estância
Velha (RS), Novo Hamburgo (RS), Franca (SP) e Campina Grande (PB);
Mecatrônica, Caxias do Sul (SP), São Paulo (SP), Belo
Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA); Automação
industrial, Florianópolis (SC), Caxias do Sul (SC), São
Paulo (SP) e Salvador (BA); Automotivo, São Paulo (SP); Gráfico,
São Paulo (SP); Alimentos, São Paulo (SP), Chapecó
(SC), Petrolina (PE) e Vassouras (RJ); Moda, CETIQT/Rio de Janeiro
(RJ), Blumenau (SC), Paulista (PE), Belo Horizonte (MG) e São
Paulo (SP); Gás, Natal (RN); Fundição, Itaúna
(MG).
SENAC
Como se habilitar: O Senac tem cerca de três
mil cursos, entre técnicos, de curta duração,
graduação e pós-graduação, voltados
para as áreas de comércio e serviços, como
saúde, hotelaria, alimentação e turismo. A
rede funciona de maneira semelhante à do Senai, com administração
descentralizada. Mais informações no www.senac.br.
Centros
de referência: De Moda, em São Paulo (SP)
e Salvador (BA); Saúde, São Paulo (SP), Rio de Janeiro
(RJ), Campo Grande (MT), Campinas (SP), Bauru (SP) e Ribeirão
Preto (SP); Turismo, Águas de São Pedro (SP), Campos
do Jordão (SP), Barbacena (MG), Vitória (ES), Guaramiranda
(CE) e Natal (RN); Alimentação, São Paulo (SP),
Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Curitiba (PR), Recife (PE) e
São Luiz (MA); Informática, São Paulo (SP),
Rio (RJ), Belo Horizonte (MG), Natal (RN), Recife (PE) e Manaus
(AM); Comunicações, Porto Alegre (RS), São
Paulo (SP) e Rio (RJ).
Oportunidades
para Estrangeiros
China:
A China contrata imigrantes qualificados, já que mão-de-obra
há em abundância no país. Há oportunidades
especialmente nas áreas de criação e design;
de turismo, para trabalhar como intérprete chinês-português;
de educação física, principalmente para professores
de futebol; e no setor de petróleo e energia.
Canadá:
Existe toda uma estrutura do governo para integrar imigrantes com
capacitação profissional, mas são maiores as
oportunidades para engenheiros, professores de informática,
profissionais da área de saúde e psicólogos.
Como pré-requisito, fluência em inglês e/ou francês.
Austrália:
O governo australiano dá incentivos para imigrantes qualificados
se instalarem em áreas menos habitadas, mas é preciso
dominar o inglês. Há oportunidades principalmente para
profissionais da área médica, com ótimos salários.
Itália:
São mais reconhecidos os brasileiros que trabalham nas áreas
de moda, publicidade, arquitetura e design. Mas também há
oportunidades na área de saúde, principalmente para
enfermeiros e fisioterapeutas.
Portugal:
Podem ser concedidas autorizações de trabalho para
estrangeiros nos setores de agricultura, construção,
restauração, lavagem e limpeza de têxteis e
peles, atividades em salões de cabeleireiro e institutos
de beleza, atividades funerárias e conexas e educação
física.
Currículos:
Há sites de empresas que procuram profissionais qualificados
por todo o mundo, entre eles estão www.manpower.com,
international.monster.com, www.workusa.net
e www.adecco.com.br.
(O Globo
– 30/10/05)
Empregos nos trilhos
Mais de 13 mil
novos empregos diretos, quase três mil a cada ano, serão
criados até 2010 no setor ferroviário brasileiro.
A informação é de Rodrigo Vilaça, diretor-executivo
da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários
(ANTF).
Segundo Villaça,
o total de investimentos nessa indústria nos próximos
cinco anos é calculado em R$ 7,2 bilhões, sendo R$
88 milhões destinados à capacitação
de pessoal.
“As vagas
são principalmente para maquinistas e auxiliares, técnicos
de ferrovia, mecânicos e eletricistas, e também há
oportunidades para engenheiros, economistas, administradores, advogados
e profissionais de RH,” diz o diretor da ANTF, destacando
que os empregos estão concentrados no Sudeste, Centro-Oeste
e Nordeste do país.
A revitalização
do setor ferroviário teve início há dois anos,
com um plano de incentivos do governo para permitir o escoamento
da produção agrícola, reduzir o custo do transporte
e ajudar a desafogar o tráfego nas rodovias. Outra causa:
os recordes de produção de grãos que estão
sendo batidos, aumentando a demanda pelo transporte ferroviário,
o mais viável para grandes volumes de carga por grandes distâncias.
Entre as empresas
que estão fazendo grandes investimentos está a MRS
Logística, que atende aos estados de Rio de Janeiro, São
Paulo e Minas Gerais. No primeiro semestre, já foram aplicados
R$ 150 milhões e, até o fim do ano, serão empregados
mais R$ 450 milhões. A empresa firmou, no mês passado,
um contrato com a Votorantim Metais (VM) para o transporte de 600
mil toneladas ao mês, por dez anos, de produtos de São
Paulo até a usina siderúrgica de Barra Mansa, no Rio.
Mas esbarra na falta de profissionais:
“As empresas
estão tendo que concentrar esforços em formar pessoal.
Criamos a Academia MRS, com três escolas: a de maquinistas,
em parceria com o Senai; a de tecnologia ferroviária, em
parceria com o Instituto Militar de Engenharia (IME), para preparar
engenheiros, e a de gerência,” conta Félix Lopez
Cid, superintendente de RH da MRS.
A seguir,
outras informações sobre esse mercado:
Banco de Vagas:
O Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos
Ferroviários e Rodoviários (Simefre) tem um banco
de vagas no www.simefre.org.br.
Também no site da Associação Brasileira da
Indústria Ferroviária (Abifer), link “Associadas”,
é possível conhecer fabricantes e operadoras do setor
e encaminhar currículo: www.abifer.org.br.
Salários:
Para os cargos de nível médio (maquinistas, técnicos
de ferrovia, mecânicos e eletricistas), a remuneração
gira em torno de R$ 1,5 mil. Já engenheiros (ferroviários,
mecânicos, elétricos e civis) e profissionais de nível
superior das áreas de suporte à indústria têm
salários que variam entre R$ 4 mil e R$ 8 mil.
Pequenas Empresas:
O programa Rio Ferroviário, do Sebrae-RJ (www.sebraerj.com.br)
e da Secretaria estadual de Desenvolvimento, está capacitando
pequenos fornecedores do setor, para que se tornem mais competitivos.
(O Globo
- 16/10/05)
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