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Profissionais demonstram insatisfação no emprego
Uma enquete
realizada pela Bumeran, empresa de soluções tecnológicas
para Recursos Humanos, em seus sites distribuídos em seis
países revela como as empresas estão procedendo em
relação a contrações e demissões
e qual o comportamento de profissionais em atividade. A pesquisa
revelou que a maioria está insatisfeita e quer mudar de trabalho.
Leia
mais:
Profissões
são regulamentadas
Depois de 20
anos sem qualquer modificação, a Classificação
Brasileira de Ocupações foi atualizada oficialmente
pelo Ministério do Trabalho. Profissões como a de
coveiro, que recebeu o nome de sepultador e a das prostitutas que
passaram a ser chamadas de profissionais do sexo foram formalmente
regulamentadas.
Leia
mais:
- Um catálogo para novas e extintas profissões
- Mecatrônica em alta. E o "fim" das
telefonistas
Profissionais demonstram insatisfação no emprego
Uma enquete
realizada pela Bumeran, empresa de soluções tecnológicas
para Recursos Humanos, em seus sites distribuídos em seis
países revela como as empresas estão procedendo em
relação a contrações e demissões
e qual o comportamento de profissionais em atividade. A sondagem
ouviu 4 mil usuários e 500 empresas da Argentina (120), Brasil
(100), Chile (70), Espanha (80), México (90) e Venezuela
(40).
O Brasil foi
o único país da mostra cujo porcentual de empresas
que contrataram nos últimos meses - 68% - foi maior do que
o de empresas que afirmaram não terem contratado. Em contrapartida,
das empresas ouvidas na região, mais da metade respondeu
que não contratou neste período. Destes, a Argentina
apresentou o menor porcentual, com 58% e o maior ficou com México,
onde 72% das empresas informaram que não substituíram
os cortes realizados durante os últimos seis meses.
A pesquisa,
com base em respostas espontâneas, foi realizada nos meses
de julho e agosto. "Esta foi a terceira sondagem com âmbito
regional que realizamos. Nas anteriores, as perguntas formuladas
foram diferentes", diz Cristina Spera, gerente de conteúdo
da Bumeran no Brasil e uma das coordenadoras do trabalho. "Desta
vez, formulamos questões para cada público-alvo -
profissionais e empresas.
Ao público
profissional, uma das questões formuladas era se estava satisfeito
com o trabalho atual. A análise regional da enquete demonstrou
que a maioria dos empregados - 52% - não está satisfeita,
demonstrando disposição para mudar de emprego, mas
reconhecem a fase de recessão no mercado de trabalho. O destaque
ficou com o México, onde 800 profissionais responderam à
enquete e destes, 72% demonstrou descontentamento com o trabalho.
Na seqüência, vem o Brasil, com 70% para um universo
de 750 respostas, e a Argentina com 69% de descontentes de um total,
como o México, de 800 profissionais consultados.
O desejo de
mudar de emprego foi outra unanimidade regional: 80% dos profissionais
no total de países pesquisados, mudariam de emprego. No Brasil
e México, esse porcentual chegou a 94%. Como principais motivos,
eles destacaram perspectivas de desenvolvimento profissional e questões
salariais. Para 56% dos argentinos, seguidos dos venezuelanos com
pouco mais de 50% (dos 500 questionários respondidos), o
desenvolvimento profissional é o que mais pesa na hora de
trocar de emprego. Já para 56% dos brasileiros e 42% dos
chilenos, o que mais conta é o salário. No Chile,
a enquete foi respondida por 400 profissionais.
Uma pergunta
às empresas sobre 'qual o maior motivo de demissão',
elas relacionaram falta de capacitação, problemas
com o chefe, corte de pessoal ou fechamento de empresas como alternativas
de resposta. Em termos regionais, boa parte considera que o corte
de pessoal é a principal razão para demissão.
O México apresentou o maior percentual de empresas com essa
justificativa - 48%-, seguido da Argentina, com 45,9% e Chile com
44,4% .
Situação
distinta foi detectada no Brasil, onde 42.9% das empresas informaram
que o principal motivo para demitir um funcionário é
a falta de capacitação; para outros 42,8% problemas
de relacionamento com o chefe é a principal razão
de demissões. Para Cristina Spera, essa situação
pode ser medida a partir de um diagnóstico dos últimos
10 ou 15 anos. "Houve uma horizontalização muito
rápida nesse período - acabaram-se com níveis
hierárquicos e colocaram pessoas com mais tempo de carreira,
acostumados à posição de chefes, atuando com
outros tipos de profissionais, com cabeça e postura diferentes",
afirma.
A enquete abordou
também a questão do tempo médio de permanência
dos profissionais no emprego. As respostas apontaram que no Brasil,
em 64,7% das empresas o tempo máximo gira em torno de dois
a quatro anos, sendo que apenas 17,6% dos profissionais permanecem
por mais de cinco anos. "No Chile, Espanha, Venezuela e México,
boa parte das organizações o tempo máximo de
permanência também é de dois a quatro anos",
diz Cristina.
(Gazeta Mercantil
- 11/10/02)
Um catálogo para novas e extintas profissões
No Brasil, os
carpinteiros de avião foram extintos, os radiotelegrafistas
e telefonistas estão em via de extinção. Enquanto
isso, os coveiros foram transformados em sepultadores e as prostitutas
passam a ser consideradas formalmente profissionais do sexo. Essas
são algumas das novidades da Classificação
Brasileira de Ocupações (CBO), relançada ontem
(10/10) pelo Ministério do Trabalho, depois de 20 anos sem
modificações.
Saíram
as profissões que desapareceram por conta das transformações
econômicas e tecnológicas e apareceram novas. Na família
dos Chefes de Pequenas Populações, a profissão
de cacique surgiu a pedido das populações indígenas.
O mesmo ocorreu com as mães-de-santo e os pajés, que
passam a integrar a família de Ministros e Cultos Religiosos.
Na nova CBO
- que tem mais de 3 mil ocupações catalogadas e 18
mil títulos agrupados em 600 famílias ocupacionais
-, o mercado informal foi reconhecido. Segundo o ministro do Trabalho,
Paulo Jobim, a classificação torna possível
o tratamento das estatísticas de emprego, tanto o dos registros
administrativos do governo, quanto o das pesquisas domiciliares,
como as realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Ela também
é utilizada para o registro de informações
sociais e cadastros de empregados e desempregados, Imposto de Renda
e definições de políticas de emprego. Sabendo
que uma profissão está em via de extinção,
o governo pode, por exemplo, destinar recursos para a qualificação
desse profissional em outra atividade.
A profissão
de carpinteiro de avião foi extinta simplesmente porque não
existe mais nenhuma parte de sua estrutura que seja feita de madeira.
Já a profissão de radiotelegrafista está sendo
substituída por causa dos modernos meios de comunicação.
Só não acabou porque esse profissional ainda é
encontrado na ativa nos quadros da Fundação Nacional
do Índio (Funai).
Está
acabando também a função de apontador de produção,
atividade que até alguns anos atrás tinha prestígio
e era presença obrigatória nas linhas de produção
da indústria. Essa atividade resiste, mas apenas na construção
civil e nos portos.
Já o
remarcador de preços desapareceu com o fim da inflação
elevada e os ocupantes dessa posição passaram a exercer
outra função, a de repositor de estoques. Uma curiosidade
é a classificação, pela primeira vez, das prostitutas
como profissionais do sexo. Elas não tinham vez na CBO antiga,
de 1972. O motivo para a exclusão não tinha nenhuma
relação com o preconceito: a CBO antiga não
trabalhava com ocupações do mercado informal.
Entre as profissões
que evoluíram para outras mais abrangentes está a
de telefonista, que vem sendo substituída por operador de
telemarketing. Não que os telefonistas tenham desaparecido,
mas estão em via de sumir do mercado de trabalho no futuro.
A nova denominação de coveiros passou a ser a de sepultadores,
em razão da mudança na forma de sepultamento nas grandes
cidades: as antigas covas foram substituídas por jazigos
de gaveta.
(O Estado
de S. Paulo - 11/10/02)
Mecatrônica em alta. E o "fim" das telefonistas
Quando era adolescente,
o engenheiro mecatrônico Fábio Tozeto Ramos, de 25
anos, sonhava ser jogador de tênis profissional. Até
que, ainda estudante do segundo grau, conheceu a Escola Politécnica
da USP, o prédio da Mecatrônica, o laboratório,
os robôs. E decidiu ali que dedicaria a vida a fazer aquelas
coisas que há 30 anos se chamava de ficção
científica. "Essa profissão é para quem
gosta mesmo de se aventurar em áreas novas, de desafios e,
claro, de estudar muito", diz, cheio de entusiasmo.
Fernanda Lúcia
Gomes, de 29 anos, acha graça de ouvir dizer que sua profissão
será "extinta". Ela não a escolheu. Era
recepcionista de um hospital particular e, um dia, lhe sugeriram
o posto na telefonia. "Era aceitar ou aceitar", lembra.
O que acha do seu trabalho? "Um saco! Às vezes, enche."
De vez em quando, ela se pega dizendo: "Jesus, dai-me paciência!"
O que a deixa mais nervosa é quando tocam várias linhas
ao mesmo tempo. São 20 para atender, e só ela. "Aí
tem de botar todo mundo na espera: um momento, um momento, um momento..."
Ela diz que
sempre acorda disposta para trabalhar. Toma até remédio
para suportar bem aqueles dias terríveis de tensão
pré-menstrual. Mas, como todo mundo, tem suas horas de mau-humor.
Então, dá o atendimento "básico".
Quando alguém pede, por exemplo, para falar com o dr. Cláudio,
em vez de dizer "um momento, por favor, vou transferir",
ela simplesmente transfere a ligação.
"É
melhor não falar nada", explica. Além do jogo
de cintura, um dom que ela tem, Fernanda fez um curso "com
apostila e tudo" de telemarketing e atendimento ao cliente.
Já Fábio,
filho único de um engenheiro e professor da Poli, se enfiou
de cabeça numa profissão que é um misto de
engenharia elétrica, mecânica e ciências da computação.
"Sempre me interessei por dispositivos automáticos (elementos
mecânicos que decidem por si sós e agem no mundo conforme
o conhecimento que lhes foi dado - os robôs)", conta.
"Além disso, por envolver muito conhecimento, a mecatrônica
abre mais portas do que para um simples engenheiro." Criado
em 89, Mecatrônica é o curso de maior carga horária
da Poli. Os profissionais trabalham na indústria produzindo
ou desenhando processos de manufatura ou processos automáticos
de maneira geral.
(O Estado
de S. Paulo - 11/10/02)
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