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Maioria
dos profissionais sentem-se responsáveis pela perda do emprego
Uma pesquisa
feita pelo Instituto Amigos do Emprego com 1.883 recém-demitidos
de janeiro a julho deste ano, revela que 76% dos profissionais dizem
sentir-se responsáveis pela perda do emprego, mesmo que o
corte tenha sido resultado de uma reestruturação na
qual vários profissionais foram demitidos.
Leia
mais:
- Após demissão,
sensação de culpa prevalece
- Informações
claras e suporte à carreira ajudam na transição
Empresas
estão buscando ferramentas de seleção mais
eficazes
Recrutadores
têm usado testes de aptidão profissional ou de mapeamento
de características pessoais como método mais eficaz
na escolha de profissionais aptos a um determinado cargo.
Leia
mais:
- Ferramenta on-line
deve ser complemento
- Análises trazem
perfis diferentes
Após demissão, sensação de culpa prevalece
Quando foi demitido,
há dois meses, pela companhia petroquímica na qual
trabalhava havia 13 anos, o analista de negócios José
Luiz Teixeira, 44, teve uma sensação da qual não
se esquece: "Um misto de frustração e de culpa".
Assim como ele, boa parte das pessoas, logo após a demissão,
menciona a culpa como o sentimento mais perturbador: 76% dizem sentir-se
responsáveis pela perda do emprego, mesmo que o corte tenha
sido resultado de uma reestruturação na qual vários
profissionais foram demitidos.
Essa é
a conclusão de uma pesquisa realizada pelo Instituto Amigos
do Emprego com 1.883 recém-demitidos de janeiro a julho deste
ano. O levantamento, ao qual a Folha teve acesso com exclusividade,
também aponta outros sentimentos comuns aos que estão
nessa situação, como revolta, rejeição,
medo e ansiedade.
"Fiquei
deprimido, mas também tive um sentimento de alívio
quando recebi a notícia, sabia que esse dia chegaria, só
não tinha idéia de quando", lembra Teixeira,
que, cerca de sete meses antes da demissão, começou
a perceber um ambiente de mudança.
A estratégia
escolhida para enfrentar a nova situação foi preencher
o tempo livre estudando. Antes de ser contratado pela empresa, Teixeira
havia concluído duas faculdades e feito vários outros
cursos extracurriculares. "Com o tempo, acomodei-me um pouco",
analisa. Agora, enquanto procura trabalho, o analista de negócios
voltou a estudar para "não ter de sentir aquele vazio".
O levantamento
revela ainda que, em cerca de um terço dos casos, os profissionais
sentem-se injustiçados pela firma que os demite. "Quando
o funcionário trabalha há vários anos na mesma
companhia, esse sentimento fica ainda mais evidente", informa
o especialista em saúde do trabalho Marcelo Bento Cassettari.
Foi o que aconteceu
com o engenheiro químico Mauro Elster, 29, ao saber que,
após colaborar por dez anos com uma empresa de cosméticos,
seria demitido. "Foi um choque para mim. Fiquei deprimido,
senti-me abandonado e perdi minhas referências", diz.
Elster começou
como estagiário e galgou postos até atingir o cargo
de supervisor de processamento. "Sabia que a empresa passava
por uma reestruturação, mas desconhecia os critérios
de demissão."
No dia seguinte
à notícia, procurou uma consultoria de "outplacement"
(recolocação), benefício oferecido pela firma
que o demitiu. Redirecionou sua carreira para a área de qualidade
para conseguir um emprego, mas, depois de sete meses, foi ele quem
pediu para deixar a nova empresa. "O trabalho não condizia
com o que me propuseram durante a entrevista de emprego", justifica.
Nesse caso,
conta, a sensação foi bem diferente da que havia tido
no trabalho anterior. "Tive uma conversa franca com meus superiores
e pedi para sair. Só que o sentimento foi outro: o de felicidade",
lembra Elster que, determinado, conseguiu outro emprego após
dois meses e, agora, atua como gerente de qualidade.
(Folha de
S. Paulo – 09/10/05)
Informações claras e suporte à carreira ajudam
na transição
Quando a demissão
é combinada e tanto o empregador como o trabalhador desejam
romper os laços de trabalho, o sentimento de ambos é
geralmente de satisfação, segundo especialistas em
recursos humanos ouvidos pela Folha.
Essa situação,
no entanto, é exceção no mundo corporativo.
Muitas vezes, o desconforto de quem assina o corte é parecido
com o do sujeito dispensado. "Quando a redução
de pessoal é oriunda de reestruturação, os
sentimentos de quem demite costumam ser de tristeza, desconsolo
e chateação", ressalta a gerente de desenvolvimento
da RH Personal Service, Fátima Sanchez.
Segundo Claudia
Generoso, da consultoria de carreira BPI, a culpa é um sentimento
que também perturba quem demite. "Nem sempre o gerente
fala os reais motivos da decisão para o trabalhador",
pondera. "Há uma tendência de maquiar a situação
e, geralmente, a explicação dada é a de que
o perfil do profissional não se encaixa mais no da empresa."
Falar a verdade
e preparar o profissional para o momento da demissão são
as atitudes mais recomendadas para o empregador. Na avaliação
de Generoso, amenizar o "feedback" dificulta o processo
de recolocação no mercado de trabalho "porque
a pessoa fica com a sensação de que seu perfil não
atende a mais ninguém".
Segundo a pesquisa
do Instituto Amigos do Emprego, cerca de 60% dos entrevistados sentem-se
rejeitados, principalmente quando não são escolhidos
em entrevistas ou processos de seleção.
Em contrapartida,
"são poucas as empresas que estão culturalmente
preparadas para dar suporte ao funcionário demitido a fim
de prepará-lo para enfrentar a situação",
diz Fátima Sanchez.
Mas há
quem já invista recursos nesse sentido. A Volkswagen, por
exemplo, criou o "Programa Evolução", uma
consultoria de carreira aos ex-funcionários que aderiram
ao plano de demissão voluntária devido a cortes de
pessoal.
Segundo o gerente
de RH da empresa, Raimundo Ramos, 95% dos demissionários
aderiram ao programa. Para o empregador, a vantagem é a diminuição
da probabilidade de haver processos trabalhistas contra a empresa.
(Folha de
S. Paulo – 09/10/05)
Ferramenta on-line deve ser complemento
Selecionar o
melhor candidato em entrevistas de emprego ainda é um desafio
para a área de recursos humanos. Com profissionais esbanjando
títulos de especialização e de MBA, fluência
em vários idiomas e experiência no mercado, é
constante a busca por métodos eficazes para escolher o mais
apto para o cargo.
Uma forma freqüentemente
utilizada por recrutadores são os testes de aptidão
profissional ou de mapeamento de características pessoais.
Ou, como preferem os criadores e representantes dessas soluções
no Brasil, "ferramentas de seleção".
Compostos de
questões de múltipla escolha ou de sentenças
com as quais o candidato deve dizer se concorda ou não, os
testes trazem perguntas simples como "gosta de sair com amigos?"
ou "seria mais feliz se fosse famoso?", podem ser respondidos
on-line e, em geral, levam menos de 24 horas para que o usuário
tenha o resultado em mãos.
Não são
considerados testes psicológicos, cuja regulamentação
está a cargo do Conselho Federal de Psicologia desde 2003,
mas se propõem a ajudar os recrutadores a selecionar candidatos
ou nortear a carreira de estudantes.
Apesar de largamente
utilizados no mercado, esses métodos estão muito longe
de ser unanimidade entre especialistas. "Essas são soluções
que medem mais a autopercepção do que a estrutura
psicológica do candidato", analisa a psicóloga
Tatiana Wernikoff, do Instituto de Psicologia Organizacional.
"Há
muita imperícia nessas ferramentas", sentencia a coordenadora
do programa de orientação de carreira da FEA-USP (Faculdade
de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade
de São Paulo), Tania Casado. De acordo com ela, alguns sistemas
dão margem para que o profissional manipule as respostas
de forma a enquadrar-se na área à qual concorre.
De acordo com
o presidente do Ibehi (Instituto Brasileiro de Estudos Humanísticos
Integrados), José Diney, há ainda outro problema com
relação aos testes. "O Brasil tem um cacoete:
adotar modelos e terminologias das soluções norte-americanas
sem moldá-los ao perfil da população brasileira."
Para ele, "o
importante é não tratar os candidatos de forma homogênea".
"Esses testes não suprem a avaliação global
dos candidatos, que inclui competência técnica, perfil
emocional, perfil psicológico e relacionamento com colegas."
Jorge Matos,
diretor da HLCA Human Learning, empresa responsável pela
comercialização do E-Talent, um dos sistemas de verificação
de aptidão profissional, enfatiza a importância de
conhecer pessoalmente o candidato durante a seleção.
"Nenhuma ferramenta deve ser utilizada sozinha", ressalta
Matos.
Paulo Ancona
Lopez, da Vecchi & Ancona, firma que criou a Análise
de Perfil Comportamental Profissional, também é taxativo:
"Não é o sistema sozinho que vai fazer o processo
de seleção". Além de não dever
ser utilizado como única forma de escolha, especialistas
garantem que o candidato tem o direito de saber a qual deles é
submetido e sua função.
Para quem não
obteve boa avaliação em um desses métodos,
a consultora da Despert RH, Suzana Negrini, informa: "Um bom
profissional pode ter resultados ruins, causados por problemas de
saúde, pessoais ou estresse".
(Folha de
S. Paulo – 09/10/05)
Análises trazem perfis diferentes
Qualificar as
situações descritas ou escolher o preferido entre
alguns adjetivos. Ainda que os testes pareçam bastante semelhantes
na forma como se apresentam, são diferentes nos resultados.
A APCP (Análise
do Perfil Comportamental Profissional) é composta de 120
frases. Cabe ao usuário concordar ou discordar de cada uma
delas. É voltada para a seleção de candidatos
a cargos gerenciais e de direção.
Já a
HumanData criou um sistema com 92 sentenças e cuja proposta
é mapear a área de atuação ideal para
o profissional. Os resultados são apresentados em forma de
pontuação nas carreiras escolhidas pelo candidato.
Com 24 questões,
o E-Talent exige que as respostas não demandem mais de 18
minutos. Apresenta visão geral e pontos fortes e fracos,
além do comportamento em tomada de decisão.
No Prédom,
da BPI, o profissional tem de enumerar suas preferências entre
as sentenças apresentadas. Os resultados mapeiam as predileções
do candidato, incluindo as áreas de que gosta, as que evita
e as que odeia.
(Folha de
S. Paulo – 09/10/05)
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