|
|
Promessas de empregos não
convencem
As recentes
declarações do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, que cobrou de sua equipe ações concretas
para a criação de empregos, não estão
motivando a população. A projeção oficial
para este ano é de 3,5% de crescimento econômico, o
que deve refletir, no máximo, em aumento de 1,5% a 1,7% no
emprego formal, o equivalente a cerca de 1 milhão de vagas.
Leia
mais:
Promessas de empregos não convencem
O casal Genaldo
Alexandre da Rocha, 23 anos, e Viviane Aparecida Luz da Rocha, 24
anos, cumpre um ritual diário há várias semanas.
Todas as manhãs, eles partem de Ferraz de Vasconcelos, na
região metropolitana, rumo ao centro de São Paulo
em busca de emprego.
Viviane não
tem trabalho remunerado há três anos, quando a empresa
em que exercia a função de manipuladora de dados de
computação faliu. O marido, metalúrgico, entrou
para as estatísticas do desemprego há quatro meses.
“Nossa esperança é em Deus, pois o governo promete
empregos há um ano e, até agora, a situação
só piorou”, lamenta ela.
As recentes
declarações do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, que cobrou de sua equipe ações concretas
para a criação de empregos não convencem o
casal Rocha.Nem mesmo especialistas na análise do mercado
de trabalho e sindicalistas. A avaliação geral é
que, embora positivas, medidas de incentivo a setores com maior
capacidade de gerar vagas, como construção civil e
saneamento, são insuficientes para mudar o quadro de desemprego
alarmante, que atinge 12,2% da População Econômica
Ativa (PEA).
O País
precisa crescer em média 5% durante quatro ou cinco anos
seguidos para obter efeito significativo no nível de emprego,
diz o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Claudio Dedecca.
A projeção oficial para este ano é de 3,5%
de crescimento econômico, o que deve refletir, no máximo,
em aumento de 1,5% a 1,7% no emprego formal, o equivalente a cerca
de 1 milhão de vagas. “O ano será melhor que
2003, mas o desemprego continuará elevado e a renda baixa.”
Gastos nas áreas
de saneamento e infra-estrutura esbarram no orçamento da
União. Segundo Dedecca, a política de manutenção
de um superávit primário coloca sobre garrote a capacidade
de investimentos do governo. No setor privado, aportes mais consistentes
para a área de habitação só vão
ocorrer quando as empresas se convencerem de que a recuperação
econômica vai se manter no longo prazo. Na semana passada,
o ministro das Cidades, Olívio Dutra, se apressou em anunciar
a liberação de R$ 12,1 bilhões para as áreas
de habitação e saneamento básico, mas não
dispõe ainda de nem metade do valor.
Mesmo que, num
cenário otimista, sejam criados mais de 2 milhões
de postos de trabalho, conforme anunciam alguns ministros, ainda
é pouco. O número não cobre nem metade do contingente
de 5 milhões de pessoas que vai entrar no mercado de trabalho
entre 2004 e 2006, segundo estudo da LCA Consultores, baseado na
projeção populacional por faixa etária.
Com vagas insuficientes,
essa nova força de trabalho vai se somar aos cerca de 12
milhões de desempregados em todo o País, segundo cálculos
do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva,
o Paulinho. Só nas seis principais regiões metropolitanas
há 4,5 milhões de desocupados, de acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Não
há dados uniformes de desempregados no Brasil.
A perspectiva
de mais pessoas em busca de trabalho é uma má notícia
para Viviane, que depende de um novo emprego para tirar seu nome
do cadastro de devedores. Ela não consegue quitar uma dívida
de R$ 300 do crediário feito na compra de móveis para
a casa, adquiridos antes do desemprego, quando casou-se e depois
teve um filho. “Já perdi vagas por causa disso. Mas,
se me recusam um emprego porque tenho o nome sujo na praça,
como posso limpá-lo?”.
O consultor
da LCA, Francisco Pessoa Faria Júnior, lembra do conflito
que o governo tem de enfrentar. Ao mesmo tempo em que o País
precisa se modernizar para garantir competitividade e reduzir a
vulnerabilidade externa, precisa buscar alternativas para a mão-de-obra
excedente causada pelo aumento da tecnologia na produção.
A Central Única
dos Trabalhadores (CUT) quer propor o projeto “Desemprego
zero”, baseado no “Fome zero”. Segundo o secretário
nacional de comunicação da entidade, Antonio Carlos
Spis, seria uma forma de concentrar esforços para diminuir
o problema. Ele ressalta que o primeiro ano de governo Lula terminou
com o acréscimo de 693 mil desocupados nos índices
do IBGE. “Reforçar as áreas de construção
civil, agrícola e de turismo é um passo, mas o crescimento
de 3,5% do PIB é insuficiente para gerar muitas vagas”,
concorda Spis.
Paulinho apóia
o esforço atual do governo em gerar empregos. Ele acha que,
mantida a tendência de queda de juros e inflação
sob controle, a economia vai gerar pelo menos 500 mil empregos líquidos,
descontando o número de pessoas que serão demitidas.
“É muito pouco para quem ofereceu 10 milhões
de empregos.” Ele defende a criação de frentes
de trabalho para absorver principalmente a mão-de-obra sem
qualificação e com baixa escolaridade, que tem ainda
menos chance de recolocação no mercado. Ele calcula
que, entre os sem emprego, 12%estão nessa situação.
O administrador
Carlos Alberto da Costa, 45 anos, acha que só no terceiro
ano de mandato do presidente Lula haverá mudanças
mais significativas. Desempregado há seis meses, está
com o aluguel da casa na Vila Gustavo atrasado e recebe ajuda de
familiares. A esposa recentemente conseguiu trabalho como costureira
e mantém o sustento dos dois filhos. Costa começou
a trabalhar aos 14 anos, como officeboy, e nunca ficou tanto tempo
sem rendimento fixo.
“Acordo
todas as manhãs e peço forças aDeus para não
seguir para o mau caminho”, diz o ex-cobrador de ônibus
Carbone Henrique Xavier, 27 anos, desempregado desde 2001. Sem TV
e rádio em casa, ele não ouviu as novas promessas
de incentivo à geração de empregos. “Mesmo
se tivesse escutado, não acreditaria.”
A diferença
entre o número de pessoas que procuram emprego e as que conseguem
uma vaga pode ser medida pelos dados do Centro de Solidariedade
ao Trabalhador, mantido pela Força Sindical. Em2003, o centro
atendeu 1,535 milhão de pessoas, das quais 62.730 conseguiram
colocação. Desde 1998, quando iniciou atividades,
8milhões de pessoas passaram pelo centro, que captou, no
período, 1,13 milhão de vagas. Foram recolocados no
mercado 319,9 mil trabalhadores.
(O Estado
de S. Paulo – 12/01/04)
|
|
Habitação e
saneamento devem gerar 1,4 milhão de empregos |
|
|
Justiça pode cobrar
INSS de empresa mesmo sem pedido de trabalhador |
|
|
Ministro do Trabalho diz
que Brasil pode ganhar até 800 mil novos empregos |
|
|
Vaga no setor informal reduz
desemprego |
|
|
Primeiro Emprego ganha mais
de 6 mil vagas |
|
|
Mercado tem alta de empregos
precários |
|
|
Nível superior vale
o dobro do nível médio |
|
|
Empresas aumentam os investimentos
em pessoas |
|
|
72% das empresas são
informais em SP |
|
|
TRTs legalizam trabalho de
jovens com menos de 16 anos |
|
|
Números mostram que
negras sofrem mais com desemprego e salário baixo |
|
|
RM faz seleção
de novos profissionais |
|
|
Cresce procura por profissionais
de zootecnia |
|
|
Disputa por vaga de trainee
é mais acirrada que vestibular |
|
|
Processo de seleção
tende a ser informatizado |
|
|
Governo vai abrir concurso
para mais 40 mil vagas em 2004 |
|
|