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Concurso é esperança para entrar no mercado
Gabaritos comprados.
Cartões de confirmação que não chegam.
Editais que discriminam determinados grupos de cidadãos.
0Mesmo se prejudicando diante dessas situações a instituição
do concurso público é, cada vez mais, a esperança
dos brasileiros para entrada no mercado de trabalho.
Leia mais:
- Quando o concurso é posto em xeque
- Anpac aponta caso de ‘fraude moral’
- Inscrições em concursos públicos
registram crescimento anual de 40%
- Por dentro do evento
Quando o concurso é posto em xeque
Gabaritos comprados.
Cartões de confirmação que não chegam.
Editais que discriminam determinados grupos de cidadãos.
Ou ainda a desconfiança, ou constatação, de
que aquele processo foi feito para regularizar a situação
de funcionários terceirizados. Mesmo diante de tantos nós
difíceis de desatar, a instituição do concurso
público é, cada vez mais, a esperança dos brasileiros
de entrada no mercado de trabalho. Em 2005, cerca de cinco milhões
de inscrições foram feitas em exames federais, estaduais
e municipais — a maioria, por candidatos que não sabem
o que fazer quando se sentem prejudicados no processo seletivo.
O procurador
da Fazenda Nacional Leandro Bueno, que presta consultoria jurídica
a concursandos num fórum de discussão pela internet,
avalia que, para que o candidato denuncie ao Judiciário irregularidades
em concursos públicos, o ideal é que ele se una a
seus concorrentes:
“Nas ações
individuais, o que se tem visto nos tribunais são decisões
desfavoráveis ao concursando, exceto quando ele apresenta
provas concretas de fraude ou da falta de organização.
Quando há interesse coletivo, o Ministério Público
entra com uma ação e investiga a denúncia.
As chances de êxito são muito maiores nestes casos.
Já as ações individuais devem ser impetradas
nas varas da Fazenda Pública, no caso de concursos para órgãos
municipais e estaduais, ou na Justiça federal da primeira
instância, no caso de exame federal.”
No rol de insatisfeitos
com os concursos públicos, está o relações
públicas João Carlos Cardoso, que se inscreveu no
concurso dos Correios para o cargo de técnico de comunicação
social. Cardoso afirma que o cartão de confirmação
chegou à sua residência em 20 de junho, dois dias depois
da data da prova:
“Entrei
em contato com a organizadora do concurso. Mas, como o cartão
foi enviado no dia 9, isto é, dentro do prazo, a ouvidoria
da empresa diz que a entrega pelos próprios Correios é
que foi ineficiente. E informa que outros candidatos tiveram esse
problema. Por isso, avalio as chances de uma ação
contra os Correios.”
No entanto,
os Correios informam que, segundo o edital, é de responsabilidade
do candidato buscar antecipadamente, no site da empresa ou no Diário
Oficial da União, informações sobre a data,
o local e o horário de realização das provas.
A empresa acrescenta que a comunicação pessoal, dirigida
ao candidato, é considerada um complemento a essas informações.
Na tentativa
de combater irregularidades nesses processos seletivos, a Associação
Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac)
está brigando na Justiça para que as instituições
organizadoras sejam contratadas via licitação. Segundo
Sylvio Motta, presidente da entidade, os concursos de órgãos
municipais e estaduais são os campeões de reclamações.
Nesses exames, afirma Motta, muitas vezes os fiscais são
funcionários do órgão que promove o concurso
— o que pode acabar dando margem a fraudes.
(O Globo
– 09/07/06)
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e 24 anos estão desempregados |
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Anpac aponta caso de ‘fraude moral’
O presidente
da Associação Nacional de Proteção e
Apoio aos Concursos (Anpac), Sylvio Motta, diz que, por conta da
política governamental de acabar com a terceirização
no setor público, nos últimos dois anos, muitos órgãos
e empresas do setor promoveram concursos para oficializar a situação
de seus prestadores de serviços. Assim, seriam exigidas no
edital especialidades ou experiências que só quem já
trabalhava na organização poderia ter.
“A empresa
exige experiência numa determinada atividade que só
ela desenvolve no Brasil. Daí, só têm essa experiência
profissionais que já trabalham para ela. Fica muito claro
que o concurso tem o objetivo de oficializar o emprego dessas pessoas.
É o tipo de irregularida que chamamos de fraude legalizada,
pois não é inconstitucional nem ilegal, apenas imoral.
No caso, dificilmente o candidato que entrar com uma ação
terá êxito.”
Apesar deste
prognóstico, o físico Sérgio Quinet entrou
recentemente com uma queixa-crime na polícia e no Ministério
Público Federal contra o concurso da Fiocruz. Acessando na
internet o cartão-resposta dos candidatos, que foi liberado
pela organizadora do concurso, Quinet descobriu que dois deles apresentavam
marcação idêntica nas 50 questões. Quem
assinava as provas eram funcionários terceirizados da fundação,
que haviam feito prova na mesma sala.
O físico
também achou que as letras das assinaturas eram muito parecidas.
A Fiocruz encomendou uma perícia grafotécnica e chegou
à conclusão de que não havia razão para
contestar a autenticidade das assinaturas. Em entrevista ao GLOBO,
a advogada que prestou assessoria jurídica à Fiocruz,
Fátima Guerreiro, afirmou que é comum que pessoas
que estudem juntas, como foi o caso, apresentem as mesmas respostas
num exame. Quinet não está satisfeito.
É que,
conta ele, na avaliação de títulos do cargo
ao qual os dois funcionários concorriam, cerca de 40% do
total de pontos eram atribuídos à experiência
profissional na função que eles ocupavam.
Outro problema
enfrentado por quem disputa uma vaga em concurso público
são os editais discriminatórios. Segundo o advogado
Leandro Bueno, muitos processos de seleção exigem
dos candidatos pré-requisitos não previstos pela lei,
como não ter inscrição em órgãos
de proteção ao crédito: “A maioria dos
inscritos está desempregada, passando por dificuldades financeiras.”
Bueno conta
que já prestou consultoria jurídica a candidatos de
concursos que estabeleciam um Índice de Massa Corpórea
(IMC) máximo para funções que não dependiam
da forma física do funcionário, como técnico
administrativo: “Este é um caso bem claro de discriminação
contra pessoas gordas.”
(O Globo – 09/07/06)
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Inscrições em concursos públicos registram crescimento anual de
40%
O número
de inscrições em concursos públicos tem crescido
40% ao ano. Para se ter idéia do que isso significa, em 2005
esse mercado movimentou R$ 400 milhões, segundo dados da
Associação Nacional de Proteção e Apoio
aos Concursos (Anpac). Transformar esses inscritos em potenciais
candidatos é um dos objetivos da 3 Feira do Concurso, que
se realizará sexta-feira e sábado próximos,
no Hotel Glória.
“No ano
passado, freqüentaram cursos preparatórios apenas 140
mil candidatos, ou seja, 2,8% do total que se inscreveu em concursos,”
destaca Fábio Gonçalves, vice-presidente da Anpac,
mostrando o potencial desse mercado.
Nesta edição,
a feira reunirá cerca de 30 empresas, entre escolas preparatórias,
editoras especializadas e entidades do setor. Além disso,
serão realizadas várias palestras, que poderão
ser acompanhadas pela internet, e simulados, com distribuição
de bolsas de estudos. A expectativa dos organizadores é de
receber 20 mil pessoas.
“Este
ano há menos concursos por causa das eleições,
mas ainda há vários a serem realizados. E o importante
é despertar a necessidade da preparação,”
diz Mariane Ferreira, diretora da Editora Ferreira, promotora do
evento, acrescentando que há um tipo de candidato que está
aumentando: pessoas desempregadas, que buscam, por intermédio
dos concursos, uma recolocação no mercado.
Entre as carreiras
mais procuradas, destaca o dirigente da Anpac, está a de
fiscal: “Entre os atrativos estão os bons salários
e o fato de o concurso aceitar formados em qualquer área.”
Gonçalves,
que é um dos diretores da Academia do Concurso Público,
diz ainda que se preparar para concurso pode ser mais fácil
do que parece. Isto porque o conteúdo programático
das provas não tem se alterado:
“O concurso
da Receita Federal, por exemplo, mantém 90% de sua base desde
1998. Quem quiser se preparar para ele, sozinho, pode buscar em
sites e em antigos editais os conteúdos de testes anteriores.
Com essas informações, com certeza terá boa
noção do que cairá na prova.”
Nesse sentido,
ou seja, de treinar o candidato, a Editora Campus lança no
primeiro dia da feira cinco volumes da série “Cadernos
de questões”, totalmente dedicada a matérias
jurídicas. Os primeiros exemplares abordarão questões
sobre direito civil, constitucional, eleitorais e administrativo.
“Cada
livro tem 1.200 questões. E, diga-se de passagem, em 80%
dos concursos, seja de nível médio ou universitário,
incluem-se temas jurídicos,” frisa Carlos Eduardo Guerra,
autor da série que terá ao todo 20 exemplares a serem
lançados até o fim do ano.
(O Globo
– 09/07/06)
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Por dentro do evento
A 3º Feira
do Concurso conta com cerca de 30 expositores, entre cursos, editoras
e entidades ligadas ao setor, e será realizada sexta e sábado
próximos, das 11h às 20h, no Hotel Glória (Rua
do Russel 632, Glória). A entrada é franca. Outras
informações no site: www.feiradoconcurso.com.br
Serão realizados dois simulados, sendo que
os primeiros colocados terão direito a 20 bolsas de estudos,
integrais e de 50%, de acordo com a classificação,
em cursos especializados. A prova acontecerá às 18h30m,
na sexta, e às 18h, no sábado. A inscrição
é gratuita e deve ser feita até uma hora antes do
simulado. É necessário apresentar a carteira de identidade
e informar o número do CPF.
Durante os dois
dias do evento serão promovidas uma série de palestras,
ministradas por profissionais do setor, que serão transmitidas
ao vivo, com imagem e som, pela internet no site www.feiradoconcurso.com.br
. Entre os temas, dicas e macetes para concursos públicos,
uma radiografia da Receita Federal e a prova de redação.
Para assistir as palestras na feira, é preciso pegar senha.
O limite é de 300 pessoas.
Durante o evento,
a Associação Nacional de Proteção e
Apoio aos Concursos (Anpac) dará orientações
gratuitas a candidatos sobre a participação em concursos
públicos, incluindo assessoria jurídica. A entidade
funciona na Rua Senador Dantas 75, sala 602, no Centro, de segunda
a sexta, das 9h às 18h. Outras informações:
www.anpac.org.br
.
(O Globo – 09/07/06)
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