Ioga firma-se como opção de carreira

Apesar de ainda não estar regulamentada como profissão, o professor de ioga tem sido um dos mais requisitados pelo mercado. A preocupação das pessoas com o equilíbrio entre a mente e o corpo, um dos conceitos básicos dessa prática, tem sido um dos responsáveis por essa grande procura.

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Trabalhando a mente e o corpo

É impossível negar a influência da ioga em milhares de ocidentais. Estrelas de Hollywood, cantoras e atletas famosos falam maravilhas sobre a prática, que surgiu há cinco mil anos na Índia.

A sociedade moderna oferece espaço para ioga, afinal quem não quer achar um refúgio seguro dentro de si mesmo? É onde entram os professores dessa filosofia milenar que transmitem aos alunos a tão procurada paz interior, aliada ao bem estar. Cada vez mais, proliferam em academias e spas, aulas de ioga e, conseqüentemente, abrem espaço para profissionais que as ministram.

Um dos responsáveis pelo crescimento da prática no Brasil é o Mestre De Rose. Com quase 60 anos, já formou mais de 50 mil instrutores de swásthya ioga no País . Ele começou a lecionar em 1960, aos 16 anos, e aos 18 anos, lançou o livro "Prática de Yôga Elementar".

Apesar de criticado, é inegável a sua contribuição para a divulgação da ioga e a formação de instrutores. De Rose foi o introdutor do curso de formação de instrutores e fundador da primeira universidade de ioga do Brasil e em Portugal. O instrutor formado na universidade aprende a valorizar a saúde, a higiene e as boas maneiras. Para tanto, não fumam, não ingerem bebidas alcoólicas e não usam drogas.

A remuneração do instrutor na Rede De Rose é de 50% da mensalidade de cada aluno. Já o proprietário do estabelecimento pode receber só de mensalidades por volta de R$ 3 mil. No começo De Rose experimentou o sistema de franquias. Hoje apenas concede um credenciamento aos melhores instrutores que optem por filiar.

A professora e presidente da Federação Paulista de Ioga, Nina de Holanda, 44 anos, mudou sua vida há 15 anos quando trocou a função de gerente de banco pela de professora de ioga. Não se arrependeu, afirma.

"Foi a melhor coisa que fiz." Ela conta que atualmente se formam pela Universidade de Ioga 100 pessoas por ano e a procura por profissionais é cada vez maior. "Além das academias, de um tempo para cá as empresas estão nos procurando para dar aulas aos seus funcionários. O programa de qualidade de vida nas empresas é o grande responsável por essa procura", destaca, satisfeita.

Para ser um professor se tornar mestre em ioga são necessários 12 anos de estudos, provas, demonstrações práticas e muitas aulas. Mas, após o primeiro ano de curso, pode se iniciar na profissão. A exigência é grande porque, segundo Nina, o profissional lida com outro ser humano.

Na federação, Nina conta com 14 professores e revela que trabalho não falta para os bons profissionais. Com uma vantagem: a idade não é fator limitador e nem de descarte. "Aliás, quanto mais velho o professor é mais respeitado", destaca.

Como o professor pode dar aulas em diversos lugares, o ganho mensal varia muito. As academias pagam por volta de R$ 35 a hora/aula e um personal ioga recebe por aula, em média, de R$ 80 a R$ 150.

A profissão ainda não é regulamentada, mas projeto de lei já foi aprovado na Câmara de Deputados e está aguardando votação no Senado.

A mestre e professora de ioga clássica Lucia Sandri, 53 anos, leciona há 20 anos, mas o contato com a prática começou quando era ainda uma adolescente de 14 anos. Chegou à ioga procurando o que a medicina tradicional não conseguia resolver. Depois de estudar no Brasil, fez aperfeiçoamento na Alemanha e nos Estados Unidos. Ela conta que na década passada as pessoas resolveram prestar mais atenção à ioga. "Nos últimos dois anos, a procura pelas aulas aumentaram muito, talvez porque a época está exigindo muito do ser humano e a ioga trabalha a consciência individual e a universal", analisa a professora.

Lucia dá aulas para crianças e para idosos, sem distinção, e destaca que uma das vantagens da prática é que não tem limite de idade.

"Todo mundo pode fazer dentro de suas limitações ", observa a mestre que no período de 31 de agosto a primeiro de setembro, estará ministrando um curso de ioga, em Campos de Jordão. O custo, incluindo transporte, alimentação, hospedagem e aulas, é de R$ 260 por pessoa. Mais informações pelo telefone (oxx11) 5093-6242.

(Diário de S. Paulo - 12/08/02)