| |
Redução
de jornada pode ter efeito nulo na criação de empregos,
diz estudo da CNI
A redução
da carga semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas, prevista
na proposta de emenda constitucional (PEC 231/95) aprovada na semana
passada pela Comissão Especial da Jornada Máxima de
Trabalho da Câmara dos Deputados, pode não trazer os
benefícios previstos pelos autores da medida.
Teoricamente,
a redução da carga em 10% tem um potencial de criar
até 2,57 milhões de postos, mas na prática
pode ter efeito nulo sobre o mercado de trabalho, avaliam representantes
da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do próprio
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). Em tramitação no Congresso Nacional, a PEC
estabelece a redução da carga semanal sem diminuição
dos salários e estipula o aumento do adicional de hora extra
de 50% para 75% do valor da hora trabalhada.
Estudo da CNI
sobre os efeitos da redução da carga horária
em termos de custos produtivos mostra que a diminuição
da carga sem corte proporcional nos salários provocaria instantaneamente
um aumento de 9,1% no custo do trabalho. Em média, a folha
de pagamentos representa 22% dos custos industriais totais. Isso
significa que a redução da carga horária implicaria
um aumento no custo final de produção de 1,99%, na
média.
O problema é
maior no caso de setores cujo peso da folha de pagamentos sobre
o custo industrial chega a 40%. "Em setores como o de confecções
e alimentos, que são intensivos em mão de obra, o
aumento de custo é maior", diz o presidente da CNI,
Armando Monteiro Neto.
Outra preocupação
é com o impacto da medida sobre pequenas e médias
indústrias, que respondem por mais de 50% do emprego industrial
no país. "As grandes empresas podem reduzir o impacto
desse custo modernizando fábricas, mas a pequena indústria
muitas vezes não tem acesso a financiamento para se modernizar
e por isso utilizam intensamente a mão de obra", pondera
Monteiro Neto.
Ele observa
ainda que a carga horária estabelecida no Brasil está
dentro da média mundial, sendo que países como Alemanha,
Argentina, Chile, Dinamarca, Holanda, México e Inglaterra
adotam regime semanal de 48 horas de trabalho. O último estudo
realizado pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT) revelava que 22% dos empregados do mundo trabalham mais de
48 horas por semana. No Brasil, esse índice chega a 18,3%,
com carga horária maior sobretudo nos setores de comércio
e serviços.
O economista
do Dieese Cássio Calvete calcula que com a redução
prevista na PEC, cria-se um potencial de 2,572 milhões de
empregos no país. O cálculo leva em consideração
os dados mais recentes do mercado de trabalho divulgados pela Relação
Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério
do Trabalho.
Em 2007, havia
no Brasil 25,911 milhões de trabalhadores empregados, dos
quais 25,514 milhões estavam submetidos a contratos de 44
horas semanais; 75.141, a contratos de 43 horas; 299.722 trabalhavam
42 horas, e 22.474, cumpriam 41 horas por semana. Juntos, esses
trabalhadores respondiam por 102,9 milhões de horas além
das 40 horas semanais, número que possibilitaria a contratação
de 2,572 milhões de empregos - considerando-se apenas o saldo
além das 40 horas semanais.
Ainda segundo
cálculo do Dieese, considerando que o número de horas
extras feitas no Brasil chega a 52,8 milhões por semana (segundo
a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio -PNAD), existe
potencial para criação de 1,2 milhão de empregos
no país - levando-se em conta a carga horária atual,
de 44 horas semanais; reduzindo-se a carga para 40 horas, o potencial
de geração de empregos cresce para 1,3 milhão
de postos.
"Esses
são números potenciais. Sabemos que, se a jornada
for efetivamente reduzida, os empresários compensarão
de outras formas, ampliando o número de horas extras, intensificando
o ritmo de trabalho ou investimento mais na automatização
dos processos", observa o Calvete.
O presidente
do Ipea, Marcio Pochmann, considera que a redução
da jornada, se for aprovada, pode contribuir para um pequeno aumento
no nível do emprego, mas a tendência mais provável
é de que as empresas optem por pagar a hora extra aos seus
quadros atuais, ainda que isso provoque aumento nos custos produtivos.
"É preciso considerar como se portariam os diferentes
setores. A economia caiu 4% de outubro a março puxada pelo
setor industrial. O setor terciário cresceu acima de 4% e
o setor agropecuário ficou estagnado. Cada área terá
uma reação diferente, dependendo da sua estrutura
e do cenário econômico", diz.
Para Calvete,
do Dieese, para gerar postos de trabalho efetivamente, seria necessário
regulamentar um limite para realização de horas extras
no Brasil. A legislação atual estipula o máximo
de dez horas diárias e a Justiça, normalmente estipula
pagamento adicional de 50% sobre a hora extra e adicional de 75%
quando a carga extra extrapola o limite de 2 horas por dia.
"O grande
problema no Brasil é que a hora extra virou ordinária,
não há limitação. A maioria dos países
limita a 200 horas extras por ano. Na França, o limite é
de 230 horas. Na Áustria, o limite é de 260 horas.
Seria necessário regulamentar melhor, por exemplo, o banco
de horas, para que as horas excedentes trabalhadas não impeçam
a geração de empregos", afirma Calvete.
(Valor Econômico)
|
|
Pesquisa revela que 43% dos
acidentes nas mãos ocorrem no trabalho
|
|
|
Mulher tem mais emprego,
metade informal
|
|
|
OIT diz que educar meninas
é uma das formas mais efetivas de lutar contra
a pobreza
|
|
|
Anunciar
vaga de emprego sem revelar nome da empresa pode ser
proibido
|
|
|