Setor público contratará 60 mil em 2006

Só no primeiro semestre desse ano, cerca de 40 concursos públicos estão em andamento.

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Setor público contratará 60 mil em 2006

Este é o semestre dos concursos: um grande número de seleções estará concentrado de janeiro a junho, afirmam especialistas.

A explicação é simples: em ano eleitoral, as instituições públicas das esferas estadual e federal não podem fazer nomeações de novos funcionários nos três meses anteriores ou posteriores ao dia de votação. Ou seja, a partir de 1º de julho, os órgãos que não tiverem seus concursos homologados não poderão contratar profissionais até o começo do ano que vem.

Só fogem à regra as instituições da alçada municipal, pois o pleito para prefeitos e vereadores acontecerá apenas em 2008.Nessa corrida contra o tempo, o governo federal já deu a largada e anunciou a contratação de cerca de 20 mil pessoas em 2006.

A previsão é que sejam criadas, ao longo do ano, cerca de 60 mil vagas, incluindo as instituições federais, estaduais e municipais, segundo coordenadores de cursos preparatórios para concursos.

"No ano passado, fizemos 80 concursos. Só neste ano, já temos 40 em andamento", compara o diretor-geral do Cespe/UnB (Centro de Seleção e Promoção de Eventos), Mauro Rabelo. A entidade é responsável pela seleção de profissionais que trabalharão, por exemplo, na Embrapa e no Ministério do Desenvolvimento.

Não é apenas o número de vagas que aumenta -cresce também a concorrência. "Fizemos uma seleção para a Câmara Legislativa do Distrito Federal em que houve mais de 2.000 candidatos por vaga", diz Rabelo.

A dentista Andrea Thais da Costa, 28, passou por um pente-fino. Após prestar um exame com 18 mil candidatos, conseguiu um posto no governo paulista.
Para destacar-se na seleção, no entanto, adotou rotina espartana de trabalho e estudos. "Valeu a pena, pois queria uma carreira que me desse bom salário e me proporcionasse estabilidade", diz.

Pelos cálculos de José Luis Romero Baubeta, da Central de Concursos, candidatos a uma vaga que exige ensino superior completo devem se planejar para conquistar o cargo a médio prazo."É preciso estudar quatro horas diárias durante um período de um ano e meio a dois anos."

Para cargos de nível médio, a sugestão é que o profissional empenhe-se de seis meses a um ano.

No entanto, Baubeta não aconselha o candidato a largar o emprego nesse período. "É muita pressão psicológica", opina.

Mesmo mantendo trabalho e estudos em paralelo, o delegado da Polícia Federal Anderson Souza Daura, 36, passou em 9 concursos dos 20 que prestou desde 1985.
O segredo, segundo ele, é "disciplina e constância" nos estudos. "Cursinhos [para concursos] não fazem milagre. É preciso muito empenho", afirma, acrescentando que ficava de cinco a dez horas diárias debruçado sobre os livros

(Folha de S.Paulo – 13/02/06)


   
 
 

 

 

 

Aprovação em concurso não é garantia para ser contratado

Não basta passar nas provas. Milhares de aprovados para trabalhar na Prefeitura de São Paulo e muitos dos classificados em um dos concursos para atuar em Furnas sabem disso.

Depois de pagarem taxa de inscrição, fazerem as provas e terem seus nomes publicados na lista de aprovados, esses candidatos não foram chamados para ocupar os cargos para o qual concorreram. O motivo: a seleção tem validade. Passado o prazo -que, em geral, é de dois anos-, a instituição pode tanto prorrogá-lo por outro período como desconsiderá-lo.

"Não é proibido por lei realizar um concurso e deixar de contratar os profissionais aprovados", diz Odete Medauar, professora de direito administrativo da USP.
Segundo a advogada, o único compromisso da instituição é chamar os aprovados seguindo à risca a lista de classificação. "Nem satisfação ela é obrigada a dar."

O biólogo Aloysio da Silva Ferrão Filho, 43, foi um dos que participaram de uma seleção em vão. "Passei em primeiro lugar. Fiz todo o processo de pré-admissão."
Mas foi barrado, segundo o biólogo, pela falta de experiência profissional de três anos na área.

"Já havia até avisado a universidade em que trabalhava que teria de reduzir a carga de trabalho", lembra. Como resultado, não foi contratado pela firma e ainda foi demitido. "Disseram que não podiam manter um professor com carga horária menor", lamenta.

(Folha de S.Paulo – 13/02/06)