Indústria de SP tem criação recorde de vagas

Por causa dos altos índices de exportações, a indústria paulista criou 13.381 vagas no primeiro trimestre deste ano, segundo pesquisa divulgada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). É o melhor desempenho do nível de emprego para um primeiro trimestre desde 1995. No total foram abertos 34.588 postos com carteira assinada.

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Trabalho informal ocupa 34,1% da mão-de-obra, segundo o IBGE

Estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que, das pessoas ocupadas em 2002, 34,1% eram trabalhadores por conta própria cujo rendimento médio familiar era inferior a meio salário mínimo (R$ 200, na época). São, em sua maioria, camelôs e pessoas que sobrevivem de biscates, de bicos.

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Indústria de SP tem criação recorde de vagas

Impulsionada pelas exportações, a indústria paulista de transformação criou 13.381 vagas no primeiro trimestre deste ano, segundo pesquisa divulgada ontem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

É o melhor desempenho do nível de emprego para um primeiro trimestre desde 1995, ano em que o levantamento da Fiesp passa a disponibilizar os dados para os primeiros três meses do ano. Na ocasião, foram abertos 34.588 postos com carteira assinada.

A Fiesp considera, entretanto, que a comparação deve ser feita a partir de 1999. Nesse ano, o nível de emprego ficou em -2,87%, com o fechamento de 46.781 vagas.

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Claudio Vaz, explica que a indústria brasileira passou por transformações significativas e entrou em uma nova fase a partir de 1999. As mudanças ocorreram no perfil da indústria, nos métodos de produção e no contingente de trabalhadores.

"Houve ainda aumento de tecnologia, de exportações, além da mudança no regime cambial em 1999 [ano da desvalorização do real]. O setor industrial antes dessa data era completamente diferente. Só para lembrar, importávamos carvão em 1995", afirma.

O desempenho positivo registrado no primeiro trimestre de 2004 -aumento de 0,88% no nível de emprego em relação ao mesmo período de 2003- ocorreu em razão dos setores exportadores. "As exportações estão sustentando o nível de atividade da indústria. O mercado interno ainda é uma incógnita, não deu sinais de aceleração", diz Vaz.

Para ele, é importante destacar que o saldo entre contratações e demissões tem se mantido positivo há três meses. Em janeiro, a Fiesp registrou a abertura de 2.123 vagas na indústria. Em fevereiro, 7.442 postos, e, em março, 3.816. "É um crescimento moderado nas contratações, mas ele tem se sustentado."

No mês passado, quando o nível de emprego registrou crescimento de 0,25% ante fevereiro, 29 dos 47 setores pesquisados pela Fiesp contrataram, 12 fecharam mais vagas do que abriram e 6 não registraram alteração.

Os setores que mais elevaram o nível de emprego foram o de artefatos de papel, papelão e cortiça (aumento de 4,06% ante fevereiro); o de lâmpadas e aparelhos elétricos de iluminação (2,94%); o de calçados de Franca (2,25%); o de parafusos, rebites e similares (1,93%) e o de curtimento de couros e peles (1,90%).

"Se considerarmos os que quantitativamente criaram mais vagas, por causa do número de trabalhadores que empregam, aparecem nessa lista o de veículos, máquinas, fiação e tecelagem e calçados", afirma.

As maiores quedas foram registradas nos setores de mármores e granitos (-4,73%); bebidas em geral (-3,91%) e doces e conservas alimentícias (-1,72%).

Em abril, Vaz acredita que o nível de emprego vá ser positivo, mas com resultado "modesto", por causa do fechamento de vagas temporárias criadas na Páscoa.

A criação de vagas na indústria paulista está concentrada principalmente no interior. Entre as cidades que estão na "rota" do emprego no Estado, de acordo com o diretor da Fiesp, estão Limeira, Botucatu e Piracicaba. Nesses municípios, destacam-se atividades ligadas a empresas de autopeças, indústria do mobiliário e ao setor sucroalcooleiro, respectivamente.

(Folha de S. Paulo – 14/04/04)

   

Trabalho informal ocupa 34,1% da mão-de-obra, segundo o IBGE

O novo estudo do IBGE mostra que, das pessoas ocupadas em 2002, 34,1% eram trabalhadores por conta própria cujo rendimento médio familiar era inferior a meio salário mínimo (R$ 200, na época). São, em sua maioria, camelôs e pessoas que sobrevivem de biscates, de bicos.

Ao pesquisar a situação do mercado de trabalho em 2002, o IBGE confirmou também situações já detectadas por outros levantamentos. Mulheres e negros ganham, em média, menos do que homens brancos. O preço da hora de trabalho de uma mulher chega, em média, a custar 14,3% a menos do que aquela paga a um homem.

A "Síntese dos Indicadores Sociais" também mostra que os ganhos a mais na escolaridade da mulher ainda não resultaram em igualdade no mercado de trabalho. Na população que não completou quatro anos de estudo (ou seja, não foi além da quarta série do ensino fundamental), as mulheres ganham 19% a menos do que os homens por hora trabalhada. Nesse grupo populacional, o rendimento médio dos homens é de R$ 2,10 por hora, enquanto as mulheres têm média de R$ 1,70.

Entre homens e mulheres que já completaram 12 anos de estudo ou mais (ou seja, que ao menos completaram o ensino médio e ingressaram no ensino superior), o rendimento médio por hora trabalhada dos homens é de R$ 14,50, enquanto as mulheres recebem R$ 9,10 pela mesma hora. Quanto maior a escolaridade, maior a defasagem salarial.

Os dados do IBGE confirmam que há um preconceito no mercado de trabalho, mas essa não é a única explicação para a diferença de rendimento. Como o IBGE não compara homens e mulheres da mesma profissão, a carreira escolhida acaba influenciando o rendimento médio. No Brasil, mulheres são, por exemplo, maioria entre os professores, categoria que, mesmo tendo o mesmo número de anos de estudo, recebe, em média, salários mais baixos do que médicos ou advogados.

Em 2002, 263 mil crianças e adolescentes de 10 a 17 anos trabalhavam nas ruas no Brasil. Eles representavam 5,1% do total de 5,2 milhões de brasileiros dessa faixa etária que estavam ocupados. O trabalho infantil ou adolescente é uma realidade para 16,5% das famílias brasileiras com crianças ou adolescentes.

O local mais comum que se verifica o trabalho infantil ou juvenil é, nas cidades, em lojas, fábricas e oficinas (35,2% do total) ou, no campo, em fazendas, sítios e granjas (34,5% do segmento).

O trabalho nas ruas é mais freqüente nas regiões metropolitanas. A maior porcentagem foi encontrada na região metropolitana de Salvador, onde 22,9% das crianças e adolescentes trabalhavam em vias públicas.

Outra característica do mercado de trabalho analisada pelo IBGE foi o perfil da ocupação dos jovens. Os dados mostram que mais da metade (63,1%) dos brasileiros que têm de 20 a 24 anos trabalham, sendo que 47,9% apenas trabalham, enquanto outros 15,2% conciliam trabalho e estudo. A porcentagem dos que somente estudam é de 11,6%.

(Folha de S. Paulo – 14/04/04)

   
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