Pesquisa revela que 82% dos profissionais apresentam sintomas de stress

Levantamento realizado com mil profissionais (de várias carreiras), verificou que 82% apresentam traços de ansiedade e stress. Os policiais e seguranças particulares foram os que apresentaram os maiores indices.

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- Ansiedade atinge 82% dos profissionais
- 66,4% dos executivos têm sobrepeso

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ansiedade atinge 82% dos profissionais

"Quando vejo um grupo de torcedores de futebol, não cobro passagem para evitar problemas. Já abro logo a porta de trás." Para esquivar-se do estresse, o motorista de ônibus urbano Ildeci de Oliveira, 34, põe em prática uma receita infalível: "Não esquento a cabeça. Se esquentar, estresso demais".

No entanto, sua postura não é tão comum em grandes cidades. Pela primeira vez, a profissão figura no ranking das mais estressantes (na segunda colocação), elaborado pela Isma-BR (International Stress Management Association do Brasil) em 2003.

Rotas repetitivas, problemas de segurança e falta de tempo até para ir ao banheiro são algumas das causas do estresse dos motoristas.

Inédito, o levantamento verificou que 82% dos mil profissionais consultados (de várias carreiras) apresentam traços de ansiedade em diversos graus, índice que surpreendeu os pesquisadores. "O número está muito acima do esperado. A expectativa era que o nível de ansiedade fosse permanecer por volta de 60%, o que já configuraria uma população ansiosa", diz Ana Maria Rossi, presidente da filial brasileira da associação internacional.

O nível de estresse dos profissionais foi mensurado obedecendo a uma escala de um a sete. Freqüência, duração e quantidade de sintomas foram contabilizadas na pesquisa, realizada em Porto Alegre e em São Paulo.

Angústia (78%), traços de agressividade (52%), queixas de dores musculares (96%) e de problemas gastrointestinais (32%) foram outros sintomas detectados pelo levantamento, que não deixou de fora nem mesmo padres e freiras.

Muitos casos de dificuldade para dormir foram identificados entre policiais e seguranças particulares, os mais estressados, segundo a pesquisa. A insônia também foi observada em 58% do total de profissionais entrevistados. Mesmo fora do expediente, afirma Rossi, os policiais estão estressados, já que é comum o temor de sofrer represálias.

Para o professor aposentado da Unicamp Maurício Knobel, que está desenvolvendo pesquisa sobre qualidade de vida, o estresse também é fomentado pelos baixos salários pagos aos policiais. Melhores remunerações e reconhecimento social, diz ele, motivariam e amenizariam o estresse.

Profissionais que atendem ao público (categoria em que se inserem operadores de telemarketing), bancários, profissionais da saúde e executivos dividiram o "pódio do estresse" na terceira posição, seguidos pelos jornalistas, em quarto lugar.

Estilo de vida mais saudável (leiam-se atividades físicas regulares, horas suficientes de sono e alimentação adequada) e apoio social da família e dos amigos aliviam o quadro, de acordo com Rossi. Em ambiente de trabalho, o domínio de pelo menos uma técnica de relaxamento (veja quadro ao lado) pode ser positivo.

(Folha de S. Paulo – 14/03/04)

   

66,4% dos executivos têm sobrepeso

O executivo Luiz Carlos Grandisoli, 39, levou um susto ao fazer um exame admissional de emprego. "A médica me deu um ultimato: ou emagrecia, ou tomava remédios para controlar a pressão."

À época, o gerente de projetos da Unisys Brasil pesava 110 kg, distribuídos em 1,78 m de altura. Sedentarismo, aliado à dedicação ao trabalho em tempo integral, "justificava" o excesso de peso.

Os tempos de obesidade de Grandisoli foram deixados para trás. Contudo sua antiga condição é vivida hoje por executivos de São Paulo, segundo mostra pesquisa do Fleury-Centro de Medicina Diagnóstica.

Segundo o levantamento, 66,4% dos 161 profissionais que fizeram "check-up" no laboratório apresentam alta prevalência de sobrepeso ou obesidade. A pesquisa, realizada entre janeiro de 2002 e agosto de 2003, aponta ainda que 40,3% deles são sedentários.

"Com a grande carga de trabalho, falta tempo para os executivos se alimentarem adequadamente", diz Nelson Carvalhaes, 41, coordenador do serviço. Adotar uma alimentação saudável e praticar esportes ajudou Grandisoli a perder 28 kg em três anos. "Só percebi quão confortável era um avião depois que emagreci", brinca ele, hoje com o risco de infarto afastado.

(Folha de S. Paulo – 14/03/04)

   
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