|
Empresa
traz serviços para dentro de "casa"
Em busca de
benefícios como diminuição das faltas e aumento
da produtividade, as companhias investem cada vez mais na infra-estrutura
e trazem para o escritório opções que vão
de academia a lavanderia, sem contar locadora de DVDs, mini-hospital,
creche e até salão de beleza.
Leia
mais:
- Empresa traz serviços
para dentro de "casa"
- Sucesso da organização
motiva investimento
Empresa traz serviços para dentro de "casa"
Para quem costuma
recorrer a velhas desculpas como "vou dar uma passada na oficina"
ou "preciso ir ao dentista" na tentativa de "fugir"
do trabalho, a notícia não é animadora: muitas
empresas já começam a perceber que é mais vantajoso
oferecer serviços como esses dentro de suas instalações.
Em busca de
benefícios como diminuição das faltas e aumento
da produtividade, as companhias investem cada vez mais na infra-estrutura
e trazem para o escritório opções que vão
de academia a lavanderia, sem contar locadora de DVDs, mini-hospital,
creche e até salão de beleza.
"Essa é
uma forte tendência nos Estados Unidos que já aparece
no Brasil", afirma o professor da Fundação Getulio
Vargas de SP José Tolovi Jr.
Dentro dessa
perspectiva, a Computer Associates inovou ao montar em seu prédio
uma oficina com motorista e mecânico, na qual o funcionário
pode deixar o carro para conserto enquanto trabalha. "Dos 260
colaboradores, 180 têm carro da empresa. Percebemos que perdiam
até cinco horas num só dia para ir reparar o automóvel",
justifica o presidente da CA, Marco Leone Fernandes.
Já quem
trabalha na sede do Pão de Açúcar tem opções
como academia, quadras de squash e até um minimercado. Segundo
o gerente Carlos Henrique Cezar, os serviços são oferecidos
a um preço abaixo do de mercado: "Um corte masculino
custa R$ 10, e a academia, de R$ 10 a R$ 50".
Situada em Cajamar
(42 km a noroeste de São Paulo), a Natura construiu um pavilhão
só para os serviços, que incluem lojas, óptica,
correio, costureira, sapateiro, berçário e clínica
médica completa. "Trazemos o maior número de
serviços para não prejudicar o dia de trabalho, pois
estamos longe da cidade", explica a gerente de RH, Rosângela
Brandão.
Grávida
de cinco meses, a analista de finanças Neide Coelho, 33,
diz aproveitar as facilidades: "Faço o pré-natal
na empresa, já que passo boa parte do tempo aqui".
Mesmo quando
a firma não tem porte para manter a superestrutura, há
a possibilidade de alugar espaços próximos ao escritório.
"As menores reservam nossa sala de convivência, em que
os executivos podem ler, descansar ou ver TV", diz Paulo Kretly,
diretor da Franklin Covey.
Não basta oferecer, tem de estimular. Essa é a máxima
dos especialistas em RH, que reforçam a necessidade do incentivo
ao uso das facilidades.
"No Brasil,
esses serviços só estão disponíveis
fora do expediente, ou seja, já há uma desconfiança
implícita. Isso é um problema de gerência",
ressalta Tolovi Jr., que dá como exemplo uma petroquímica
na Bahia. "O sistema gerencial é tão rígido
que nenhum profissional usa as instalações."
Renani Gomes,
gerente de benefícios da Avon, diz que se trata de um processo
de conscientização difícil."É importante
conversar com os gerentes para que entendam que é melhor
perder o funcionário com dor nas costas por 15 minutos para
fazer massagem do que mantê-lo improdutivo o dia todo",
exemplifica.
Para quem ainda
prefere "dar umas escapadas" da empresa, nem tudo está
perdido. "De vez em quando, a gente até releva quando
o funcionário mata a avó pela segunda vez", ironiza
Marco Leone Fernandes, da CA.
(Folha de
S. Paulo - 16/05/05)
Sucesso da organização motiva investimento
Poder aproveitar
uma parte do horário de almoço para dar um mergulho
na piscina ou malhar. Dar uma pausa no meio da tarde para uma sessão
de shiatsu. Ou aproveitar para fazer as unhas e cortar o cabelo
no fim do dia. Tudo isso sem sair da empresa.
Não se
trata de ações de solidariedade, muito menos de benevolência.
Ao oferecer uma infra-estrutura diferenciada, as empresas têm,
sim, objetivos muito claros, voltados a um enfoque: resultado.
"Estamos
convencidos de que a qualidade de vida é essencial para o
sucesso da organização", afirma o gerente de
RH da Pfizer, Rogério Barão. "As ações
atraem e retêm talentos", completa.
Uma das principais
vantagens da ampla variedade de serviços dentro da empresa
é a redução do índice de absenteísmo
(faltas). "Qualquer programa que reduza em 5% as ausências
dos profissionais se paga", calcula o superintendente-executivo
de RH do BankBoston, Flávio De Marco Jr. O banco inaugurou,
recentemente, um jardim de 2.500 m2, com espaços para massagem
e leitura.
Outro motivo
para projetar as instalações diferenciadas é
a diminuição da rotatividade de funcionários:
"Nosso índice de "turnover" indica que quem
trabalha conosco não quer deixar a empresa", infere
Octávio Scheibe, diretor de RH da Roche, que diz investir
R$ 500 mil por ano em qualidade de vida e oferece até videokê,
mesas de pebolim e de bilhar.
Na avaliação
de Sandra Paulo, executiva de RH da Biosintética (farmacêutica),
que proporciona academia, manicures e costureiras, "o benefício
é a integração das pessoas em situações
informais".
"O retorno
vem em profissionais mais dispostos, que se ajudam e que agregam
valor", acrescenta o chefe de serviços gerais do McDonald's,
Paulo Lima. Ao contrário da maiorias das organizações,
a rede não terceiriza as áreas extras, que incluem
pista de cooper e uma universidade corporativa.
Para Renani
Gomes, da Avon, os custos com as instalações são
compensados pela diminuição da sinistralidade na conta
de assistência médica da empresa.
"Evitar
o enfarte de um colaborador, por exemplo, representa uma economia
imensa para a companhia. Fizemos estudos que mostram que sai mais
caro corrigir problemas de saúde do que investir em qualidade
de vida", conclui Bernardo Szwarcbart, gerente da Novartis,
que tem serviços como gráfica, chaveiro, lavanderia,
sapataria e corte e costura.
(Folha de
S. Paulo – 16/05/05)
|