|
Processo de seleção
tende a ser informatizado
Profissionais
de recursos humanos apostam em softwares de seleção
para agilizar a análise de currículos e chegar mais
rápido aos melhores talentos para a empresa.
Leia
mais:
- "Cérebro eletrônico" testa
candidatos a vaga
- Telefone auxilia na escolha do candidato ideal
- Triagem virtual divide opinião de empresas
"Cérebro eletrônico"
testa candidatos a vaga
Tudo começou com um link inocente no site de algumas
empresas, geralmente sob o título "Trabalhe conosco",
aliado a endereços eletrônicos específicos para
o envio de currículos. Ainda que desconfiados no início,
os acessos foram se multiplicando.
Depois, essas
companhias passaram a montar bancos de dados e perceberam que teriam
de gerenciar um grande volume de informações na velocidade
exigida pela Internet.
Além
disso, viram que tinham em mãos, ou melhor, em bytes, a chance
de otimizar todo o processo seletivo: desde gerenciar bancos de
dados, definir os perfis das vagas e comparar com os dos candidatos
até fazer avaliações simples. Tudo isso eletronicamente.
Calma! Ainda
leva tempo para que um computador dê a palavra final sobre
a entrada de um candidato em uma organização. Ao menos
é o que dizem os concorrentes desses softwares, os profissionais
de RH. Mas as sugestões da máquina são levadas
em conta.
"Utilizo
um software no recrutamento, e a seleção melhorou
em qualidade, ficou mais objetiva", avalia Elizabete Almeida
Otero, 42, coordenadora de recrutamento e seleção
da Telefutura, do setor de telemarketing.
"Para nós,
traz agilidade e confiança", emenda Jussara Oliveira
Amâncio, 36, diretora-executiva da Gente Banco de Recursos
Humanos, consultoria de recrutamento e seleção especializada
em mão-de-obra temporária. "O dado em si, porém,
é burro. Tem de ser transformado em informação
e analisado, e essa é nossa tarefa."
Uma pesquisa
de abril da consultoria PwC (PricewaterhouseCoopers) sobre práticas
e estratégias de gestão de pessoas aponta algumas
tendências sobre a informatização do RH. O estudo
foi feito em 47 países, incluindo o Brasil, em 1.055 empresas,
sempre com seus principais executivos de RH.
"O estudo
mostra que, quando se usa mais a tecnologia, o departamento de recursos
humanos é mais produtivo. Ele passa a ocupar uma posição
estratégica e interage com o restante da empresa", afirma
o diretor de consultoria em RH da PwC, João Lins, 38.
O benefício
trazido pelos softwares de recrutamento seria, em tese, livrar o
recrutador da triagem manual dos currículos e de outras tarefas.
"Com menos finalistas, o tempo para uma entrevista pessoal
pode ser maior e melhor explorado", argumenta Miriam Barbaroto,
26, analista de RH da Ford, empresa que utiliza programa de computador
para recrutamento e seleção.
"Você
deixa de cuidar das burocracias e investe no processo seletivo",
afirma. Para Lins, no entanto, a ajuda tecnológica em recrutamentos
ainda não é bem aproveitada. "A média
global de empresas que usam programa de recrutamento é de
apenas 40%."
Considerando
só o Brasil, empatamos tecnicamente com a média mundial:
43% (a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais
ou para menos). "Estamos alinhados com as melhores práticas,
mas há defasagem."
Isso pode ser
percebido comparando o uso da internet para contratações.
A média global na busca de profissionais para postos de alta
gerência é de 3%, contra 4% no Brasil. Para gerência
média e analistas, o índice cai de 15% (global) para
2% (Brasil).
(Folha de
S. Paulo – 14/09/03)
Telefone auxilia na escolha do candidato
ideal
As inovações
não estão apenas nas telas dos computadores. Um sistema
de telefonia computadorizada da Midiacom (representante da Midiavoz
em São Paulo) fornece aos candidatos informações
sobre o andamento do processo seletivo e pode até testar
conhecimentos técnicos com perguntas de múltipla escolha.
"O RH acompanha
as etapas do recrutamento on-line e não precisa atender a
todos os candidatos, podendo predefinir o número de profissionais
que pretende entrevistar", diz Clive Leonard Cannell Ashby,
59, sócio-diretor da Midiacom. Mas um bom tempo será
gasto, é bom lembrar, na formatação do sistema
e de todos os detalhes de cada oportunidade aberta.
A reação
dos candidatos, seja no recrutamento on-line, seja no telefônico,
pode ser de estranhamento no início. Foi essa a impressão
do consultor de tecnologia Rogerio Strufaldi Junior, 46.
Depois de aceitar
por telefone participar de uma seleção para uma oportunidade
de diretor de tecnologia, foi preencher algumas informações
sobre seu perfil no site da empresa e teve de responder a uma avaliação
on-line. "Eram perguntas que me qualificariam ou não
para a vaga. Algumas delas estranhas, mas vejo isso como um processo
evolutivo", diz.
"Fico menos
preocupado porque sei que os concorrentes que vou enfrentar terão
um nível de conhecimento equivalente ao meu. Esse processo
elimina os possíveis aventureiros."
(Folha de
S. Paulo – 14/09/03)
Triagem virtual divide opinião
de empresas
Dentre as possibilidades
oferecidas pelos softwares de gestão de pessoas (gerenciamento
de banco de dados, triagem por palavras-chave, encaminhamento de
respostas e de convocações, atualização
do currículo feita pelo candidato, definição
do perfil ideal da vaga), uma provoca mais polêmica: a avaliação
a distância.
Afinal, como
assegurar que foi realmente o candidato quem respondeu os testes?
"Não há como garantir, é um risco a se
correr", diz Miriam Barbaroto, da Ford. "Uma hora ele
terá de provar. Se ele fizer um teste de inglês e for
classificado como avançado, na entrevista pessoal eu vou
cobrar um conhecimento avançado."
Uma entrevista
ou avaliação a distância nunca vai substituir
uma presencial, opina Mauricio Franco, 38, sócio da consultoria
Simon Franco & TMP World Wide, parceira da desenvolvedora de
softwares Innovaction.
"Ainda
não há como fazer um recrutamento 100% on-line. Você
nunca sabe quem vai fazer a avaliação do outro lado.
Mas, pela nossa experiência, são raros os candidatos
desonestos."
João
Lins, da PricewaterhouseCoopers, acredita que o uso de softwares
tem limites. "O que percebemos tecnicamente é que esses
programas afetam bastante e positivamente no recrutamento, que é
a fase mais operacional, mas não são muito eficientes
na seleção."
A agilidade
na triagem de candidatos é o ponto mais comentado entre os
profissionais ouvidos pela Folha. Com o desemprego em alta, a quantidade
de currículos recebidos aumenta, e poder selecionar eletronicamente
e com maior precisão passa a ser o sonho de consumo do RH.
"Num sistema
manual, uma pessoa leva cerca de três horas por dia lendo
currículos. Com a triagem eletrônica, esse tempo cai
para uma hora por dia, e a empresa ganha duas horas operacionais
de cada profissional envolvido. Só não é interessante
se isso não for bem analisado e gerar demissões",
diz Rogerio Leme, 32, diretor da AncoraRH, que desenvolve sistemas
para recrutamento.
No programa
de estágios de 2002 da Ford, pela primeira vez todo o processo
de triagem foi feito pela internet. "De 2.383 inscritos, 260
foram selecionados para a primeira fase, e todos foram avisados
por e-mail. Isso é viável para processos grandes,
quando não podemos convocar todos os candidatos", pondera
Barbaroto.
Franco conta
que a redução de custos também é significativa.
"Antes gastávamos R$ 3.000 por mês com cartas
agradecendo a participação em seleções.
Hoje gastamos 10% desse valor."
A inclusão
de currículos, porém, "é muito mecânica",
segundo Elizabete Almeida Otero, da Telefutura. "Economizo
tempo, mas, como meu público-alvo manda mais currículos
por papel, o processo de escanear um por um ainda é muito
trabalhoso."
Já o
sistema PI (Predictive Index, ou índice de previsibilidade
comportamental), desenvolvido nos EUA e avaliado pela Harvard Medical
School e pela USP (Universidade de São Paulo), analisa o
comportamento dos usuários.
O teste é
científico e, no âmbito do RH, pretende casar aptidões
do candidato com vagas oferecidas pela empresa. "Assim o selecionador
compara e sabe quais pessoas vão se sentir bem atuando em
determinada posição."
Combinado com
outro software, o PI permite que o RH encaminhe perguntas para confirmar
se um candidato tem a competência necessária para a
vaga", diz Elmano Nigri, 62, presidente da Arquitetura Humana,
licenciada brasileira para o uso do sistema.
(Folha de
S. Paulo – 14/09/03)
|