Julho aquece a contratação de temporários

O mercado nas férias de julho oferece boas oportunidades de trabalho temporário para quem precisa incrementar o orçamento. Segundo dados da Assertem (Associação Brasileira de Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário), haverá um aumento de 10% na oferta de vagas em relação ao ano passado no país.

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Julho aquece a contratação de temporários

O mercado de trabalho nas férias de julho não dá o menor sinal de que possa esfriar. Pelo contrário: oferece boas oportunidades para incrementar o orçamento.

Apesar de a economia brasileira gerar receios, a expectativa da Assertem (Associação Brasileira de Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário) é a de que haverá um aumento de 10% na oferta de vagas temporárias em relação ao ano passado, quando 60 mil postos foram abertos nesse mês no país.

Nesse aumento de 10% não estão previstas as eleições, que, segundo o presidente da Assertem, Edison Belini, 49, começam a gerar empregos temporários a partir do final do mês de julho. Segundo ele, somente para a instalação das urnas eletrônicas e para a sua manutenção, deverão ser contratados 20 mil profissionais.

Em julho, os setores que mais abrem vagas têm sido os de promoções, turismo e lazer. Hotéis e pousadas reforçam seus quadros de recreacionistas e de responsáveis pelo atendimento, como recepcionistas e telefonistas.

Os acampamentos também contratam muitos temporários nesta época. De acordo com o diretor técnico da Abae (Associação Brasileira dos Acampamentos Educacionais), José Cury, 42, uma média de cinco a dez monitores é contratada por acampamento. Só no Estado de São Paulo são 60 acampamentos educacionais.

Na capital paulista, assim como em capitais que não têm no turismo de lazer sua principal atividade econômica, há menor volume de oportunidades temporárias em julho. Em São Paulo, porém, algumas vagas podem ser encontradas no parque de diversões Playcenter, por exemplo.

O forte da temporada está na região serrana, como em Campos do Jordão, onde a promoção de produtos e a hotelaria vão agitar o mercado de trabalho provisório.
Nessa região, as lojas sempre empregam novos vendedores, o que não vai ocorrer na capital, segundo a Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping).

(Folha de S. Paulo - 17/06/02)

Trabalho provisório rende experiência permanente

Ganhar vivência, aprender novas funções ou juntar dinheiro. São muitos os motivos que levam os profissionais a buscar trabalho temporário, o que não esconde, porém, a crise e a falta de expectativa no mercado formal.

Nigéria Kelly Ramos Bueno Assunção, 23, hoje atendente de operações do parque temático Hopi Hari, ficou quatro anos desempregada.

Nas férias de janeiro deste ano, ela conseguiu uma vaga temporária no parque, na área de alimentos e bebidas. Essa foi a primeira vez em que atuou na função, mas isso não a intimidou. Assunção trabalhou como temporária durante três meses. No último dia do contrato, soube que se tornaria funcionária fixa.

"O serviço temporário funciona como um período de experiência. Do número total de profissionais, cerca de 90% são efetivados e permanecem no parque", afirma o diretor de operações do Hopi Hari, Decio Honorato Alves.

Sorte igual não teve o estudante de administração de empresas Luciano Sachetti Merher, 24, que há três anos trabalha como temporário na divulgação de produtos para a Bullet Promoções.

Ele chega a ganhar R$ 2.500 por mês como supervisor de equipe de promoção. "Tenho bons contatos na noite paulistana. O dinheiro que ganho só depende do meu desempenho. É claro que queria ser contratado, mas não consigo arrumar emprego fixo."

Já para a estudante de hotelaria Bruna Nogueira Dompieri, 20, ser temporária foi opção própria. Depois de acampar por dez anos, decidiu ser monitora de acampamento de férias. "Gosto muito de recreação e queria ter uma experiência de trabalho", diz Dompieri, no cargo desde 2000.

Ela trabalha nas férias e nos feriados e diz que o fato de ser temporária é ponto a seu favor. "Quero ter emprego fixo no futuro, mas agora preciso de mais tempo para estudar e fazer cursos."

Muitos estudantes também aproveitam as férias para ganhar vivência no exterior. A engenheira civil Tatiane Rodrigues Costa, 23, vai estagiar por seis semanas em uma empresa na Hungria.

Ela se inscreveu em um programa de "internship" (curso de inglês associado a estágio). Investiu cerca de R$ 3.500 em passagens aéreas, taxa de intercâmbio e taxa de inscrição do estágio. Na Hungria, terá gastos com alimentação, mas o alojamento fica por conta da empresa. O salário mensal será de cerca de R$ 700.

O investimento, segundo Costa, vai valer a pena. "Quero aprimorar meu domínio de inglês, ganhar conhecimento e aprender novas formas de trabalho."

(Folha de S. Paulo - 17/06/02)