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Trabalho
atrai e preocupa jovem, aponta pesquisa
Perfil da Juventude
Brasileira mostra que "emprego/profissão" é
o segundo assunto que mais interessa aos jovens, perdendo só
para "educação".
Leia
mais:
Trabalho
atrai e preocupa jovem, aponta pesquisa
- 68% querem discutir
profissão com pais
Trabalho atrai e preocupa jovem, aponta pesquisa
Emprego e profissão
deixaram de ser preocupações típicas da idade
adulta. Hoje os temas povoam as mentes de adolescentes e de jovens
brasileiros que tentam, cada vez mais cedo, vislumbrar atalhos para
o futuro profissional.
O dado é
uma das conclusões da pesquisa Perfil da Juventude Brasileira,
realizada pelo Instituto Cidadania com 3.501 entrevistados na faixa
etária de 15 a 24 anos.
De acordo com
o estudo, "emprego/profissão" é o segundo
assunto que mais interessa aos jovens, perdendo só para "educação".
Com 17% e 18% das respostas, respectivamente, as temáticas
estão tecnicamente empatadas, já que a margem de erro
é de dois pontos para mais ou para menos.
"Estamos
diante da "geração-desempenho", em que só
se é alguém quando se tem um bom trabalho", diz
Natércia Tiba, psicóloga e colaboradora do livro "Quem
Ama Educa!" (ed. Gente, R$ 32).
Ainda segundo
a pesquisa, os jovens têm elevada expectativa sobre a participação
dos pais na escolha da carreira, e "futuro profissional"
é o tema sobre o qual mais gostariam de falar com eles.
Para Tiba, mais
do que um "boom" de conscientização, o comportamento
indica predominância de baixa auto-estima nesse público.
"São crianças que cresceram com os pais fora
o tempo todo. Não aprenderam a gostar de si pelo que são,
precisam virar profissionais de destaque para se sentirem pessoas
realizadas", explica.
Entre as preocupações
que mais acometem essa parcela da população "emprego/trabalho"
só perde para "segurança/violência",
conforme mostra a pesquisa.
"Com a
multiplicação das carreiras, escolher a profissão
gera hoje mais preocupação do que no passado",
comenta Marcos Vono, 40, psicólogo e gerente do departamento
de carreiras da Faculdade IBTA (Instituto Brasileiro de Tecnologia
Avançada).
Entre os entrevistados
que menos se preocupam com trabalho figuram os grupos com nível
superior e renda familiar acima de dez salários mínimos,
num indício de que os herdeiros da classe AA estão
menos atentos quanto ao seu futuro.
"Há
menos estímulo ao desenvolvimento nesse ambiente, mas não
convém atribuir a falha a uma classe social. Quem desperta
a responsabilidade são os pais", diz Luíza Ricotta,
40, psicóloga e autora de "Quem Grita Perde a Razão"
(ed. Ágora, R$ 18).
O relatório
"Tendências Globais do Emprego para a Juventude 2004",
da OIT (Organização Internacional do Trabalho), divulgado
na última semana, aponta que a taxa de desemprego entre os
jovens chegou a 14,4% em 2003. O número é 25,6% maior
que o observado na última década.
(Folha de
S. Paulo)
68% querem discutir profissão com pais
Enquanto muitos
pensam que o melhor é não se meter na escolha profissional
do filho, a pesquisa do Instituto Cidadania aponta que futuro profissional
é o tema sobre o qual a maioria (68% dos entrevistados) gostaria
de conversar com os pais. "Os adultos também estão
perdidos. Antes, competência e comprometimento eram sinônimos
de emprego garantido. Agora, diretores são demitidos em cortes
numéricos. O que eles vão ensinar às crianças?",
questiona o psicólogo Marcos Vono.
Filha de um
taxista que sempre sonhou em vê-la conquistar um diploma universitário,
a estudante de administração em RH (recursos humanos)
Fabiana Caroline Pinheiro Silva, 26, recebeu total apoio do pai
quando, aos 19 anos, decidiu estudar direito. "Para ele não
fazia muita diferença que curso seria", conta ela.
No entanto,
um ano e meio depois de começar a freqüentar as aulas,
Silva percebeu que havia feito a escolha errada. "Não
gostava daquilo. Decidi mudar de área, e meu pai se preocupou
um pouco. Mas acabou apoiando." Para ela, o equívoco
de área não poderia ter sido evitado pelos pais. "Cabia
a mim ter procurado mais informações. Eles não
tinham como me ajudar."
"Deixar
que aflorem na criança suas verdadeiras vocações
e incentivá-las" é o conselho dado pelo economista
Alfredo Teodoro Reis, 43, pai de cinco filhos, aos pais que querem
dividir a escolha profissional com seus rebentos. Para cada um dos
filhos, Reis diz ter tomado posturas diferentes no que diz respeito
à condução da escolha profissional.
Com o mais velho,
Leandro, 25, por exemplo, exigir faculdade nunca foi a prática.
"Ele não gostava muito de estudar. Então o mandei
para um intercâmbio nos Estados Unidos e, na volta, foi trabalhar
numa loja de tênis. Ele se revelou um vendedor inato",
lembra. Hoje, o rapaz trabalha com vendas em um hotel no exterior.
A irmã
Jordana, 16, tem perfil contrário ao de Leandro. "É
a melhor da escola desde pequena", afirma Reis. Despistando
a "corujice" do pai, a garota reconhece que sempre teve
boas notas. "Hoje penso em fazer direito", diz ela.
Para garantir
a escolha acertada, os pais ativaram uma rede de amigos que trabalham
nas diferentes áreas do direito para introduzir a menina
na profissão. "Passo dois dias com um advogado, dois
com um juiz, dois com um promotor", conta Jordana. Marcos Vono,
do IBTA, aprova a prática. "Ajuda a desmitificar."
Já para
o filho mais novo, Carlos, 9, a música está sendo
o caminho trabalhado. "Ele mostrou aptidão desde muito
novo", conta o pai, que hoje banca para o garoto um professor
de música para cada dia da semana.
Enquanto os
filhos Lucas, 15, Victor, 14, e Pedro, 6, decidem o que vão
fazer quando crescer, a empresária Edna Queiroz, 45, dona
do bufê Naturiche, vai compartilhando com eles os conhecimentos
que acumulou ao longo da própria carreira.
"Não
imponho, mas a todos dou a oportunidade de participar das atividades
da empresa. Conversamos sobre o futuro, sobre as profissões
e sobre a minha história no mercado", conta ela. A postura
já surte efeitos na prole, que, do mais velho ao mais novo,
exibe algum interesse por gastronomia. "Pedro faz os bolinhos
de chuva de que gosta, e Lucas cozinha com os amigos da escola às
sextas-feiras", relata.
Apesar da imersão
no bufê, os rapazes contam que não se sentem "obrigados"
a seguir esse caminho. "Tenho duas idéias na cabeça:
fazer carreira diplomática ou administrar a empresa da minha
mãe. Ela me estimula a desenvolver as duas coisas",
diz Lucas, que está prestes a embarcar para um intercâmbio
de dez meses nos Estados Unidos.
Ele reconhece
que a preocupação com educação e carreira
está cada vez mais latente na mente da sua geração.
"Há uma pressão para decidirmos o que fazer e
tentamos nos preparar", resume. O irmão Victor diz que
gosta de auxiliar a mãe na organização das
festas, de servir e de coordenar os garçons. "Também
penso em fazer um curso de "barman" para trabalhar com
isso enquanto estudo. Gosto da performance. E cogito hotelaria como
carreira."
Quando as filhas
gêmeas Inez e Vera, 19, decidiram apostar em formações
universitárias completamente diferentes, a mãe, Maria
Inez Castro Cunha, não teve dúvidas: contratou uma
consultoria vocacional para ter certeza de que as duas estavam certas.
"Realmente estavam", afirma Cunha, que viu as filhas,
com formação escolar idêntica, seguirem por
caminhos profissionais distantes e teve de se desdobrar para conseguir
apoiar ambas.
Vera optou por
estudar relações públicas na capital paulista
enquanto Inez escolheu cursar medicina no interior de São
Paulo. Na opinião de Cunha, o papel dos pais na escolha profissional
é relevante, mas deve ser limitado. "Sempre me senti
no direito de sentar e conversar, mas nunca no de opinar. Impor
não é certo."
(Folha de
S. Paulo)
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