Headhunters dão dicas a alunos sobre entrevistas de emprego

A pedido do Instituto Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, headhunters da Korn/Ferry simularam uma série de entrevistas com alunos da instituição. O objetivo do encontro foi preparar melhor os mestrandos para futuros processos de seleção.

Leia mais:
- Alunos aprendem com "headhunters" dicas sobre entrevistas de emprego
- Recrutadores ensinam passo a passo o que fazer

Ministério do Trabalho e Emprego usa tecnologia para auxiliar desempregados
Julho aquece a contratação de temporários
O profissional do futuro é o que "faz acontecer"
Volkswagen incentiva participação de funcionários para reduzir custos
Participação nos lucros e resultados chega ao "chão da fábrica"
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Alunos aprendem com "headhunters" dicas sobre entrevistas de emprego

Por um lado, a situação em que a jovem carioca Renata de Albuquerque Figueiredo se encontra é invejada por muitos profissionais em início de carreira. Aos 26 anos, aluna do segundo ano do mestrado em administração do Instituto Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Renata provavelmente não terá muitos problemas em se recolocar no mercado no próximo ano, quando acabar a última etapa do mestrado, um intercâmbio em Wharton. Afinal, o curso do Coppead é o único da América do Sul a constar no ranking dos 100 principais MBAs do mundo elaborado pelo jornal britânico Financial Times e tem sido alvo fácil das maiores companhias brasileiras e multinacionais na busca por promissores talentos.

Mas, na outra ponta, Renata não se esquece que, ao optar por fazer o curso em tempo integral no Coppead, abriu mão de dois anos de experiência profissional em um momento de extrema competitividade no mercado de trabalho. Apesar de o MBA já lhe garantir na saída um patamar bem superior ao que ela ocupava quando iniciou o curso, a jovem sente-se insegura em relação ao que vai encontrar pela frente.

Não sabe direito, por exemplo, como deve se comportar nas futuras entrevistas de emprego, já que nem todos os entrevistadores poderiam entender a sua opção de ficar dois anos mergulhada na vida acadêmica e agora almejar por posições e salários mais altos que os seus anteriores.

Na última sexta-feira, Renata passou pela primeira vez pelo crivo de um "headhunter", figura um tanto misteriosa e temida por grande parte dos profissionais. Foi entrevistada por Augusto Carneiro, sócio do escritório do Rio de Janeiro da Korn/Ferry, uma das maiores empresas de recrutamento de executivos do mundo. Carneiro buscava um profissional para atuar na área de marketing da Dentsply, empresa do setor odontológico. Outro candidato entrevistado para a vaga foi Georges Ayoub Riche, 24 anos, também aluno do Coppead.

Mas as entrevistas foram diferentes daquelas normalmente feitas pelos recrutadores de executivos: foram realizadas em público, assistidas por cerca de 40 pessoas, colegas de turma do mestrado. Na verdade, tanto a entrevista como a vaga na Dentsply foram simuladas, a pedido do Coppead. A idéia da escola, explica a assessora de desenvolvimento institucional, Eva Hirsch Pontes, foi desmistificar para os alunos o trabalho dos "headhunters" e ao mesmo tempo sanar muitas das dúvidas que esses jovens carregam principalmente por interromperem a carreira profissional por dois anos.

"Essas pessoas ainda não possuem disciplina de entrevista, no máximo já passaram por agências de emprego, que é o oposto do nosso trabalho", afirma Carneiro, que conduziu uma das entrevistas. A outra foi feita por Carlos Mello, associado da Korn/Ferry. "É fácil dizer 'seja você mesmo' na entrevista, mas no fundo você sabe que está sendo monitorado o tempo todo", desabafa Renata, "aprovada" para o cargo.

As entrevistas, no entanto não foram totalmente falsas, explica Carneiro. Dos 44 alunos do MBA, por exemplo, 17 estão inscritos no site de recrutamento de média gerência da Korn/Ferry e são potenciais candidatos a vagas para jovens talentos. E existe também a possibilidade de a vaga fictícia da Dentsply se tornar real.

Apesar de pessoas em início de carreira não fazerem parte do trabalho principal da Korn/Ferry, voltada para altos executivos, o sócio da empresa conta que é inevitável comentar informalmente com alguns de seus clientes sobre a qualidade dos alunos do mestrado. Uma grande companhia do setor de mineração, por exemplo, já está de olho em uma aluna desse MBA.

Na próxima semana, acontece na universidade carioca a tradicional semana de recrutamento, na qual os alunos do mestrado apresentam seu portfólio a diretores de recursos humanos e dirigentes de empresas dos mais diversos setores, interessadas em contratar um recém-MBA. Santander, HSBC, Companhia Vale do Rio Doce, McKinsey e Booz Allen & Hamilton são algumas das companhias que já confirmaram presença na semana de recrutamento. Será uma grande forma de testar o que aprenderam na simulação da entrevista com os "headhunters."

(Valor - 18/07/02)

Recrutadores ensinam passo a passo o que fazer

Como devo me comportar em uma conversa com um "headhunter"? Em que situações ele está apenas me testando? Qual é o momento de falar sobre salário? O fato de eu ter decidido mudar de área de trabalho após o MBA pode ser um ponto negativo no meu currículo? A minha experiência anterior me condena? Estas são apenas algumas das muitas perguntas sobre o momento da entrevista que podem parecer bobas mas incomodam uma infinidade de profissionais.

Na simulação de entrevista feita para os alunos do Coppead, os "headhunters" da Korn/Ferry Augusto Carneiro e Carlos Mello deixaram claro que, em primeiro lugar, não é preciso ter medo do entrevistador. E, além disso, apenas falar a verdade. Afinal, eles não estão ali para criticar o profissional mas sim para escolher o perfil ideal para a vaga que o seu cliente - a empresa - pretende preencher. Uma mudança de rumos, por exemplo, é normal no início da carreira. "Não estamos preocupados em fazer pegadinhas", afirma Carneiro.

O processo de seleção dos candidatos passa por diversas etapas. A primeira delas, após a solicitação do cliente, é encontrar o maior número possível de potenciais candidatos. As buscas são feitas no banco de dados da empresa, no mercado e também por indicações, explica Mello. Então, escolhidos de oito a dez nomes, se faz o primeiro contato por telefone.

Nessa abordagem inicial, o "headhunter" faz perguntas simples: se a pessoa está feliz com o atual trabalho, o que quer para a carreira e se gostaria de participar de uma entrevista para uma posição em outra companhia. "Se nessa conversa bater com o perfil que procuro, chamo para a entrevista", conta Mello. Gafes comportamentais e de postura? Não há regras. O importante é usar o bom senso, diz Mello.

A primeira conversa face-a-face serve para confirmar os dados do currículo do candidato. Pouca gente sabe, mas em grandes empresas de recrutamento o consultor pesquisa, por exemplo, se o nome da pessoa consta em cadastros de inadimplência, checa nas universidades se ela realmente possui o diploma de conclusão do curso e testa a fluência de idiomas descrita pelo candidato. Por isso, não adianta mentir no currículo.

Em seguida, o consultor pergunta sobre questões profissionais: trabalho atual, empregos passados, responsabilidades, experiências em liderança de equipes e referências profissionais para checar as informações. Depois, pergunta sobre a vida pessoal do candidato: se tem hobbies, pratica esportes, se cuida da saúde, como é a relação com amigos e família. "É importante saber se a pessoa faz outras coisas além de trabalhar", diz Mello.

Antes de serem apresentados ao cliente, os candidatos passam por uma entrevista final com um sócio da empresa de recrutamento, que vai aprovar ou não a escolha. Dos oito ou dez entrevistados inicialmente pelo consultor, seis são apresentados ao sócio, que geralmente encaminha três nomes ao cliente.

Uma das regras dos "headhunters" é: nunca se fala sobre salário em entrevista, a não ser que o entrevistador toque no assunto. "Quando o cliente se encanta, ele faz qualquer negócio", diz Mello. "Se você pergunta quanto vai ganhar logo na primeira conversa, mostra que está interessado mais no dinheiro do que no desafio."

Ao final da primeira entrevista, o candidato é informado sobre a empresa interessada na contratação. E a dica é descobrir o máximo de informações possíveis sobre essa companhia antes da última entrevista com o "headhunter". "Isso deve ser feito também para você decidir se quer trabalhar lá", explica Augusto Carneiro. Até porque na conversa o sócio não vai mais tratar do passado do candidato, mas sim de planos futuros e o que ele poderia agregar ao seu cliente.

As entrevistas envolvem também um teste de cartas, com adjetivos escritos. O candidato escolhe os adjetivos que mais se encaixam no seu perfil e quais são aqueles que ainda precisam ser aprimorados. "Usamos as cartas não para testar o candidato, mas porque fazemos o exercício inverso com o cliente", explica Carneiro.

(Valor - 18/07/02)