Candidatos devem selecionar a empresa que irão trabalhar

Definir os objetivos e também avaliar o cargo são atitudes que devem ser tomadas pelos candidatos.

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     - Candidatos devem selecionar a empresa

Empresas se preocupam com as dividas dos funcionários

Muito além da preocupação com balanços negativos da empresa, os chefes começam a traçar estratégias para tirar funcionários do vermelho.

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Engenheiros do mundo

Oito universidades de diferentes paises, inclusive o Brasil ,se uniram para traçar o perfil do engenheiro global.

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Candidatos devem selecionar a empresa

"O processo de seleção é uma via de mão dupla. A avaliação deve partir não só da empresa mas também do candidato à vaga." A frase, do especialista em coaching Fernando Polignano, pode soar um disparate diante de 1,7 milhão de desempregados na Região Metropolitana de São Paulo. Porém, à revelia do índice divulgado pelo Dieese, diversos profissionais recusam trabalhos que não somem aprendizado, satisfação ou pontos ao currículo.

Sócio da Toledo, Ortiz & Polig e com 32 anos de experiência na área de recursos humanos, Polignano pondera sobre as mudanças na concepção de emprego. "Atualmente, as pessoas não pensam apenas no salário -desejam um bom ambiente de trabalho e tempo para a família. Querem equilibrar a vida. Antes, as escolhas se baseavam no "ter'; hoje, a preocupação é o "ser"."

Para construir a carreira, a expressão de ordem entre peritos no assunto é "definir objetivos". Djalma Guimarães, consultor em gestão de competências da Franquality, afirma que cada um deve identificar e buscar suas metas. "Havia uma visão distorcida de que a empresa era a responsável pela carreira do funcionário. Ele não pode esperar por isso", diz.

O consultor fala por experiência própria. Há seis meses, decidiu sair da empresa em que trabalhou por cinco anos, visando ter projeção no mercado internacional. "Procurava uma empresa com a qual eu pudesse crescer junto." A diminuição na carteira de clientes e a redução do salário não o preocuparam. "Estava ciente desse período de transição -isso se reverterá em ganhos no futuro."

É importante que os objetivos do funcionário e os da empresa estejam associados. Para Daniel Garbuglio, diretor comercial da Sony Ericsson, a boa atuação decorre dessa afinidade. "Gosto de agilidade e autonomia. No último trabalho, não consegui desempenhar um bom papel, pois o sistema era burocrático."

Após dois anos e meio, resolveu deixar seu antigo posto. "Era gerente de negócios para a América Latina em uma companhia de vidros alemã. Havia estruturas incompatíveis com o meu perfil." Com a mudança de emprego, manteve o valor do salário, mas perdeu benefícios e status.
Quem também escolheu o emprego "ideal" foi o líder de projetos da Camargo Corrêa, Antonin Bartos Filho. "Deixei de aceitar propostas com salários maiores."

Responsável pela implantação de um moderno software de gestão, ele diz estar mais preocupado em expandir seus conhecimentos. "Seria absurdo não aceitar um projeto como esse, pioneiro na América Latina. As ofertas que recebi não pagam a projeção que terei com isso a longo prazo."

Estipular prazos é fundamental, diz Andréa de Paula Santos, consultora de recursos humanos da NeoConsulting. "Às vezes, abrir mão de fatores considerados importantes faz parte da estratégia de crescimento do profissional. Mas, antes disso, é preciso analisar sua capacidade emocional e financeira para saber por quanto tempo irá suportar a privação."

De acordo com a consultora, mesmo visando ao aprendizado ou à satisfação pessoal, não é recomendável deixar o emprego para aceitar propostas com remuneração muito menor. "A redução não pode ultrapassar 15%. Passado o momento de namoro com a nova firma, a diminuição de recursos gera descontentamento."

Foi o que aconteceu com a psicóloga Marcia Barroso. Em 1991, resolveu abandonar o cargo de digitadora do Bradesco. "Por anos, não aceitei promoções, pois, com isso, teria menos tempo para dedicar-me ao curso de psicologia. Assim que concluí a graduação, quis atuar na área." Foi contratada pela Prefeitura de São Paulo.

Hoje, afastada do trabalho por motivos de saúde, diz que não faria isso novamente. "Troquei meu antigo emprego para ganhar 70% menos. Acabei sofrendo por isso. Foi uma escolha precipitada."

(Folha de S.Paulo)

   

Empresa volta-se a profissional endividado

Na mesa de reunião das empresas, não é só o balanço no negativo que preocupa os executivos. A meta, agora, é também traçar e implementar estratégias que tirem os funcionários do vermelho.

A explicação para isso é simples: no atual cenário, com crédito de sobra, algumas companhias vêm percebendo que os profissionais, preocupados em saldar seus débitos, apresentam uma nítida piora no desempenho de suas tarefas.

"Os problemas com o orçamento familiar provocam a redução dos resultados do profissional. Por isso as ações que evitam o descontrole das contas do colaborador são tão importantes quanto as iniciativas de combate à dependência química ou ao fumo", exemplifica o consultor Erasmo Vieira, especializado na orientação de empregados endividados.

Para a psicóloga organizacional Carmem Lúcia Arruda Rittner, professora da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas), as organizações que desejem ser competitivas no mercado não podem deixar de preocupar-se com a saúde financeira de seus colaboradores.

"Dívidas geram ansiedade e estresse, entre outros males. Não há como um funcionário ficar 100% engajado no trabalho se estiver pensando nas contas que não conseguiu pagar", ressalta.

De olho nisso, já há quem invista na educação financeira de seu quadro de pessoal. O Senac, por exemplo, implementou recentemente workshops e chats sobre controle orçamentário e finanças pessoais. "A princípio, pensamos em realizar um evento pontual, mas a procura foi tão grande que tornamos o programa fixo", conta Cintia Takahashi, responsável pela área de qualidade de vida.

Munidos de papel, caneta e calculadora, os funcionários aprendem a elaborar o orçamento familiar e a calcular juros. Também recebem dicas sobre como gastar menos e sair da inadimplência. "Para facilitar o entendimento, fazemos um teatro, no qual o colaborador se identifica com as situações expostas", diz Takahashi.

O resultado tem sido positivo para ambos, trabalhadores e empresa. É o que atesta a assistente de administração Vera Nicoletti: "Eu estava com dificuldades para controlar minhas contas e chegava até a perder noites de sono. Agora, com o apoio, economizo R$ 130 por mês, que aplico na minha aposentadoria privada".

O envolvimento de todos os familiares no controle orçamentário, segundo o consultor Erasmo Vieira, é imprescindível para desenvolver o hábito de planejar. Ele destaca que esta época de fim de ano é ainda mais propícia para a implementação desses programas, já que, com o recebimento do 13º salário, os profissionais tendem a exagerar nas compras e se esquecer que, logo depois, haverá despesas extras, como impostos e gastos com educação.

Na mineradora Samarco, além de aprender a controlar as contas, os funcionários com mais de 52 anos recebem orientações sobre como planejar o orçamento após a aposentadoria. "Um dos resultados do programa foi o aumento de adesões à previdência privada. Hoje, 97% dos colaboradores fazem parte do fundo de pensão da empresa", calcula o gerente-geral de RH, Benedito Waldson.

O técnico administrativo da Serasa Thiago Santos Souza obteve da empresa o apoio que não recebeu do governo e de seu plano de saúde para substituir uma prótese ortopédica. "Consegui subsídio de 80% do valor da prótese, que hoje custa R$ 9.500. Se não fosse a ajuda, além de endividado, eu estaria improdutivo, com graves problemas na coluna", conta.

Segundo o diretor de desenvolvimento organizacional da Serasa, Milton Luís Figueiredo Pereira, uma das preocupações da empresa é oferecer atendimento personalizado ao trabalhador. "Realizamos, durante todo o ano, ações para prevenir o descontrole financeiro, mas sabemos que há casos delicados de emergência, em que cada um deve ser tratado de forma individualizada", diz.

(Folha de S.Paulo)

   

Empréstimos com desconto em folha dobram em um ano

Nos últimos 12 meses, o crescimento no número de operações de crédito com desconto em folha de pagamento foi de 102%, se- gundo dados do Banco Central. A cobrança de juros menores -as taxas do crédito consignado ficam em torno de 36% ao ano, contra 77% do crédito pessoal- e a facilidade de acesso à linha têm sido apontadas como os grandes atrativos desses empréstimos.

No entanto, de acordo com a Fecomercio, instituição que representa os setores de serviços e comércio de São Paulo, boa parte desses recursos está sendo destinada ao pagamento de dívidas. Ou seja, os funcionários solicitam o crédito com juros menores para compensar outros empréstimos.

Essa prática preocupa os especialistas. "Empréstimo não é solução para dívida. É outra fonte de despesa e pode agravar o endividamento", alerta o consultor em finanças pessoais Erasmo Vieira. De acordo com ele, o melhor negócio ainda é planejar a compra e realizar o pagamento à vista.

O professor de finanças Haroldo Mota, da Fundação Dom Cabral, concorda. "Apesar de o crédito consignado ser mais vantajoso em termos de custo, os juros ainda são muito elevados. As empresas precisam ensinar os seus funcionários a poupar para depois consumir, pois só assim o colaborador elevará a renda por meio dos ganhos de rentabilidade de suas aplicações financeiras."

O assessor econômico da Fecomercio, Fabio Pina, ressalta ainda que o grande problema no Brasil não é o grau de endividamento, mas a forma como a população utiliza o crédito. "Em países como os Estados Unidos e o Japão, o nível de endividamento é muito maior que no Brasil. A diferença é que, nesses países, além de haver taxas menores, o dinheiro é usado para um fim específico, como a compra de carro ou casa, e não para despesas do dia-a-dia", diz.

Segundo o IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), para uma parcela da população, a renda é tão baixa que o crédito é utilizado continuamente, como se fosse um complemento ao orçamento. Mas, de acordo com o superintendente do Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, o endividamento não se restringe aos profissionais de escalões mais baixos. "As pessoas acham que, por ganharem bem, não precisam preocupar-se com as despesas e gastam mais do que podem", explica.

(Folha de S.Paulo)

   

Restrição a bancários com dívidas é maior

Na contramão do movimento de conscientização e ajuda aos profissionais endividados vêm os bancos. Além de a maioria dessas instituições não desenvolver programas de educação financeira aos funcionários, os bancários que ficam com o nome sujo na praça ou que têm três cheques sem fundos devolvidos, de acordo com leis trabalhistas, podem ser demitidos por justa causa.

“Essa é uma forma de fazer com que o profissional dê o exemplo", afirma o presidente do sindicato da categoria, Luiz Cláudio Marcolino. A psicóloga organizacional e professora da FGV-SP, Carmem Lúcia Arruda Rittner, aponta ainda um outro motivo para esse posicionamento: "Os que trabalham diretamente com dinheiro têm responsabilidade sobre os bens de outras pessoas".

Há cerca de três meses, o Unibanco informou a seus funcionários endividados que demitiria aqueles que não regularizassem a situação em 15 dias. Sem condições de quitar as contas, o ex-bancário A.B. entrou na lista dos dispensados pela instituição. "Na hora em que recebi a carta, fiquei apreensivo porque sabia que não conseguiria pagar. Infelizmente, a empresa não me ofereceu qualquer auxílio ou orientação para sair do vermelho", lamenta.

O diretor do departamento jurídico do Unibanco, Marcos Cavalcante, afirma desconhecer ações como essa. Segundo ele, são raros os casos de funcionários demitidos por estar com o nome sujo e a decisão sempre parte do superior direto. A Folha, no entanto, teve acesso ao documento enviado aos funcionários da instituição.

Pesquisa da Fecomercio indica que 59% dos paulistanos possuem dívidas no cheque especial, no cartão de crédito ou por empréstimo pessoal. "Com juros altos, quem entra nesse círculo tem muita dificuldade para sair", relata Marcolino, destacando que apenas recentemente algumas instituições financeiras tomaram a iniciativa de explicar à população como utilizar bem o crédito.

Para os bancários, no entanto, nenhum programa específico foi desenvolvido. "Em dez anos de trabalho em três bancos, nunca houve palestra ou qualquer atividade para orientação do planejamento financeiro ou do uso do crédito. Quem quiser ter informação tem que correr atrás, por conta própria", afirma a bancária I.P., que hoje trabalha no Itaú e que diz só ter conseguido livrar-se da dívida do cheque especial ao utilizar todo o seu 13º salário.

Por enquanto, o que os bancos oferecem a seus funcionários são os empréstimos com desconto em folha de pagamento. Mas, de acordo com Marcolino, do Sindicato dos Bancários, é possível desenvolver, tanto para funcionários como para clientes, um programa de auxílio ao planejamento financeiro e à renegociação de dívidas, o que "não ocorre porque não há interesse dos bancos".

"Manter a dívida é uma forma de prender o cliente à instituição. Além disso, essa política reduziria o lucro dos bancos", assinala.

Entretanto, segundo a Febraban, entidade que representa os bancos, "cabe a cada empresa definir normas tanto em relação à dispensa de profissionais endividados como à implementação de programas de auxílio financeiro".

(Folha de S.Paulo)

   

Débitos dificultam a contratação

Quem pleiteia uma das milhares de vagas temporárias abertas todo fim de ano, mas está com o nome sujo na praça, tem grandes chances de frustrar-se. Além do currículo, muitas empresas analisam o histórico de devedores cujos nomes constam do banco de dados de serviços de proteção ao crédito -quem estiver negativado provavelmente não terá a chance de preencher a vaga.

De acordo com o diretor-presidente da empresa de recrutamento e seleção Elancers, Cezar Antonio Tegon, antigamente essa prática era comum somente nas grandes companhias. Mas, com a internet, ficou fácil e barato ter acesso aos bancos de dados de quem oferece esses serviços, o que permite que a consulta seja feita por empresas de qualquer porte.

"Muitas vezes, o candidato não é selecionado e nem fica sabendo que o motivo de não ter sido aprovado é a dívida. As empresas realizam a consulta sigilosamente, para não levantar discussões sobre discriminação", afirma. Até para cargos estratégicos a consulta é realizada, embora em menor escala, afirma Silvia Sigaud, sócia da Korn Ferry, multinacional especializada na contratação de altos executivos.

Não é somente na seleção que o nome sujo pode ser um problema. De acordo com Tegon, quem deseja ser promovido também deve preocupar-se em não entrar no vermelho. "Se o profissional estiver endividado, provavelmente não conseguirá galgar os cargos que deseja", enfatiza.

(Folha de S.Paulo)

   

Engenheiros do mundo

Marketing. Administração. Economia. À primeira vista, esses são temas pouco associados à engenharia. Que evoluiu. Ao entrar no universo da globalização, a engenharia exige dos profissionais muito mais do que conceitos ligados à sua área de formação. Assim disseram representantes de oito universidades de diferentes países “entre elas a Universidade de São Paulo (USP), que se uniram para traçar o perfil do engenheiro global. Batizado de “Global Engineering Excellence”, o projeto foi lançado em outubro na Alemanha e, desde então, tem um ano para traçar o perfil desse profissional e dizer qual é o tipo de engenheiro que o mercado pede hoje”.

“Ter apenas conhecimentos teóricos não leva o profissional à economia global. O engenheiro precisa usar a outra parte do cérebro para, assim, criar produtos e soluções com emoção. Ao ser menos racional, ele dá mais identidade a seu produto. É isso que o consumidor espera” , disse Andreas Zielke, diretor da consultoria McKinsey & Company.

Cliente deve ser visto como ponte para a inovação e a criatividade

“Num rascunho do perfil do engenheiro, as universidades foram unânimes ao dizer que ele precisa entender as necessidades do cliente. Podem até torcer o nariz para a análise, mas os engenheiros terão de aprender a se comunicar” mais e melhor — com o consumidor, afirmaram os especialistas. Ou seja, seus produtos e soluções deixam de ser apenas funcionais.

“O cliente deve ser visto como um meio para estimular a inovação e a criatividade do engenheiro. É preciso haver uma aproximação entre a área de marketing e a engenharia. Só que as instituições de ensino ainda estão inadequadas a esta filosofia. Daí, a importância desse projeto que reúne tantos especialistas” , frisou Thomas Sattelberger, executivo da Continental AG, multinacional fabricante de peças automotivas, patrocinadora do programa.

Outro ponto levantado no lançamento do projeto “que será atualizado de dois em dois anos”, é a necessidade de o profissional ter fluência em inglês. E, mais que isso, ser capaz de trabalhar em outros países e lidar com pessoas de culturas diferentes. O mercado é global: não há mais fronteiras.

“Há uma crescente população de engenheiros globais. Mas eles são minoria. Ou simplesmente não estão em mercados globais. Mas o engenheiro precisa ter essa mobilidade em mente. Uma pesquisa feita na Rússia mostrou que uma pequena quantidade de profissionais, apenas 6%, mudariam de país ou cidade. Isso é estar na contramão da globalização” , disse Zielke.

“O profissional precisa estar aberto a mudanças. Na Continental, há 5.500 engenheiros de 20 nacionalidades”, ressaltou Sattelberger.

(O Globo)

   

Professor da USP diz que Brasil tem profissionais preparados

O tetracampeão mundial de Fórmula 1 Alain Prost foi um dos palestrantes do lançamento do projeto. Segundo ele, que durante toda a carreira esteve cercado por engenheiros, a base da profissão está na inovação (obtida a partir da mistura da tecnologia e do conhecimento). E na capacidade de o profissional conseguir trabalhar com outro especialista, sem se chocar:

“O difícil não é encontrar especialistas em Fórmula 1. O problema é colocá-los no mesmo time. E ele precisa ter paixão pelo que faz.”

Tanta exigência para uma carreira tradicionalmente técnica deixa uma pergunta no ar: o Brasil está preparado para esse mercado?

“O Brasil tem engenheiros com esse perfil. Temos profissionais aptos para trabalhar em qualquer empresa, de qualquer lugar do mundo. Queremos tornar isso mais forte, já que somos um país que faz parte do mercado global” disse Marcio Lobo, professor da Politécnica, da USP.

(O Globo)

   

Profissional precisa ter vivência no exterior

Pesquisas apontam que, na Índia, 25% dos estudantes de graduação em engenharia estariam prontos para atuar no mercado globalizado. Na China, esse percentual cai para 10%. O que produz essa diferença? O conhecimento de inglês. Ou seja, currículos impecáveis, mas sem fluência em inglês, tiram o engenheiro do mercado da globalização.

“Na Índia, há muitos dialetos, o que obriga as pessoas a saberem inglês para até se comunicar internamente: é a língua que todos compartilham. Já na China isso não acontece”, disse Andreas Zielke, diretor da McKinsey & Company.

Vivência internacional, outro fator de destaque


“Heinrich Pierer, diretor da Siemens AG, acrescenta que mais de 300 mil engenheiros são formados na Índia por ano” ,na China são 400 mil (um terço dos estudantes faz engenharia). Os indianos, porém, são a maior comunidade estrangeira do Vale do Silício, nos Estados Unidos.

“Os indianos estão se mexendo” , frisou o executivo.

Fluência na língua inglesa também se obtém em programas de graduação feitos em outros países. Que também trazem ao profissional vivência internacional, conhecimento de outras culturas e aprendizado técnico. É o que busca a Escola Politécnica da USP ao fechar uma série de parcerias internacionais que permitem que os alunos possam estudar no exterior, explicou o professor Márcio Lobo:

“Não é à toa que hoje temos 200 alunos da USP no mundo: 5% dos alunos da Poli. Estamos atrás de mais convênios para nossos alunos”.

Segundo Lobo, outro ponto importante é o investimento contínuo em formação:

“O engenheiro precisa estar atento à pesquisa. O que só se dá se a dedicação à qualificação for além da graduação”.

Assim como qualquer outro profissional, Pierer acrescenta que o engenheiro precisa ser um líder. E isso significa também saber delegar tarefas:

“É preciso estar em posição de liderança. É preciso dar poder às pessoas e ter controle das ações. Para ser bem-sucedido, o profissional tem que ser o número 1. E não o número 2”.

Diante de tantas novas exigências, ainda há perguntas não respondidas, tais como o tipo de formação ideal para esse profissional e se a especialização perde espaço para competências pessoais.

“Temos um longo dever de casa a fazer” , acentuou Lobo.

“Conhecimento é a base da engenharia. Daí a importância de um projeto que traça o perfil desse profissional global”, disse Alain Prost.

“O professor da USP explicou que, até dezembro, será feito um questionário a ser encaminhado a indústrias e instituições de ensino” — ele ainda não sabe quantas empresas e escolas. As perguntas vão tratar de conceitos de globalização, demandas de engenharia e formação necessária. Até abril, as questões serão respondidas:

“Nós vamos fazer um levantamento sobre como se dá o ensino de engenharia em algumas instituições e vamos saber o que as empresas esperam desse profissional. Até maio, teremos uma primeira análise da pesquisa”.

Assim como a USP, as outras sete universidades que participam do projeto seguirão o mesmo cronograma. Para acompanhar a pesquisa, foi criado o site www.global-engineering-excellence.org .

(O Globo)

   

Os especialistas que estão em falta no Brasil

Há muitos engenheiros de setores clássicos, como civil e mecânico, no mercado brasileiro. Mas falta gente, muita gente, em outras áreas. Engenharia de petróleo é a que mais carece de pessoal qualificado. E há escassez de especialistas, segundo professores, como engenheiros de robótica, dutos, materiais, meio-ambiente, projetos, informação e naval. Nestas áreas, recém-formados chegam a ganhar R$ 3 mil. Gente mais experiente, de R$ 6 mil a R$ 10 mil.

“O mercado de engenharia se abre onde tem investimento. Por isso, as áreas de petróleo e naval carecem tanto de profissionais. Com investimento, energia também abre vagas. E não se pode esquecer da engenharia de agronegócios, que promete aumentar a competitividade no campo” , diz Emmanuel Paiva, diretor da Faculdade de Engenharia da UFF.

O professor Ericksson Almendra, da Politécnica/UFRJ, destaca uma área em ascensão: a da informação. Segundo ele, as empresas, em especial as de telecomunicações, precisam de pessoal capaz de organizar redes, gerenciar dados e armazenar informações.

“Somos a era da informação! Mas Márcio Lobo, professor da Escola Politécnica da USP, acrescenta que profissionais e estudantes devem ficar atentos a modismos do mercado.

“O mercado oscila muito. Não é porque a área de petróleo está em destaque hoje, que as cadeiras clássicas da engenharia devam ser deixadas de lado”. Almendra concorda: n“Há espaço para todos. O Brasil cresce, o que aumenta a importância da engenharia”.

(O Globo)

   

 

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