Carnaval sinaliza época de aquecer currículo

Nem só de confete e serpentina é feito o reinado de Momo no país do Carnaval. Sinônimo de diversão para a maioria, o período reserva também uma oportunidade de incrementar o currículo com um trabalho temporário.

Leia mais:
    - Folia sinaliza época de aquecer currículo
    - Parques e resorts também recrutam
    - Polêmica com verbas esfria contratações

   

 

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Folia sinaliza época de aquecer currículo

Nem só de confete e serpentina é feito o reinado de Momo no país do Carnaval. Sinônimo de diversão para a maioria, o período reserva também uma oportunidade de incrementar o currículo com um trabalho temporário.

A chance é válida tanto para quem quer arranjar um "bico" como para quem deseja aproveitar o feriado e acrescentar uma experiência nova ao histórico profissional. A Folha reuniu 1.639 vagas em quatro Estados. Há oportunidades para quem tem desde o ensino fundamental até o superior, com necessidade de fluência em idiomas estrangeiros.

O mais importante é se antenar para localizá-las. Muitas chances surgem em organizações, grupos e agremiações carnavalescas, e por isso não contam com um esquema tradicional de divulgação e de recrutamento. Ativar a rede de relacionamentos é o atalho mais eficiente para encontrá-las.

"Todas as pessoas que trabalham conosco nesta época do ano são da comunidade ou indicadas por elas. Além de cerca de cem integrantes que montam as alegorias no barracão, temos um reforço de 15 pessoas que se dedicam ao preparo da merenda", comenta Américo Nicola Garcia, 52, presidente da escola de samba Primeira da Aclimação. A escola já encerrou a convocação de pessoal para o Carnaval 2005. "Felizmente já estamos com tudo definido.

"A irregularidade dos horários é outro ponto que contribui para que candidatos que residam próximo ao local de trabalho levem vantagem. "O Carnaval vai pela madrugada adentro, e o trabalho também", observa Ediléia dos Santos, 51, presidente da Uesp (União das Escolas de Samba Paulistanas). A entidade vai contratar 300 pessoas para a função de apoio e seis eletricistas neste ano.

Além de gostar de folia, experiência anterior é um requisito de peso para conquistar posições, principalmente as que exigem especialização. "O ritmo de trabalho é muito acelerado, não dá para aprender ali, na hora", esclarece Demetrio Hossne, responsável pelo Carnaval do Anhembi, que contrata maquiadores, cabeleireiros e locutores, entre outros.

(Folha de S. Paulo – 16/01/05)

   

Parques e resorts também recrutam

Além das agremiações e instituições diretamente ligadas à execução do Carnaval, há também postos de trabalho em locais como clubes que realizam bailes e em parques de diversão. Empresas de promoção, spas e resorts também reforçam seus times para dar conta do aumento do fluxo de hóspedes no período.

No Parque da Mônica, em São Paulo, para animar as matinês carnavalescas, foram contratados nas semana passada dez animadores performáticos e uma banda. Samara Lucas, 18, dançarina, é uma das contratadas. "É uma chance de me exercitar", diz.

Em Londrina, no Paraná, o resort Aguativa recebe universitários para vagas temporárias durante o Carnaval. Eles vão atuar em diversas áreas, do lazer à gastronomia. Segundo a empresa, há possibilidade de aproveitamento posterior e até de contratação dos que tiverem bom desempenho.

Clubes como Pinheiros e Palmeiras, em São Paulo, afirmam reforçar seus quadros de segurança para bailes e matinês carnavalescos, mas informam que geralmente recorrem ao mesmo grupo de profissionais, sem seleção.

Outros ares
Trabalhar em outra cidade também é um atrativo do período. Salvador e Rio de Janeiro são as capitais em que atuam os contratados pela DR Marketing.

A empresa recruta pessoal para acompanhar grupos de turistas, tanto estrangeiros como brasileiros. Além de nível superior, também é necessário ser fluente em inglês e espanhol.

A contrapartida é uma remuneração atraente, de R$ 150 a R$ 230 para turnos de oito horas, que podem acontecer durante o dia ou na madrugada.

"O trabalho é focado na recepção de grupos, e há grandes chances de haver aproveitamento depois, em outras oportunidades", comenta o diretor-presidente da empresa, Dirceu Ramos, 48. "Mas é preciso ser realmente qualificado para entrar", emenda ele.

Ramos diz que os profissionais contratados para cargos de coordenação chegam a ter suas idas e hospedagens nas cidades bancadas pela empresa. A maior parte dos selecionados, entretanto, é morador da cidade em que irá atuar ou conta com possibilidade de viagem e estada por conta própria.

(Folha de S. Paulo – 16/01/05)

   

Polêmica com verbas esfria contratações

A mudança de gestão na Prefeitura de São Paulo e a polêmica em torno das verbas para o Carnaval da cidade deu uma significativa esfriada nas contratações de mão-de-obra extra.

Temerosos diante da possibilidade de não contar com recursos oficiais, a maioria das escolas de samba e dos grupos carnavalescos suspendeu a procura por pessoal, que deveria estar em pleno andamento nesta época do ano.

De fato, a prefeitura anunciou, na semana passada, que não vai liberar verba para a realização dos eventos. Entretanto, em parceria com a Anhembi Turismo e Eventos, busca patrocinadores que possam investir no Carnaval de São Paulo.

Casas Bahia, Telefônica e Governo do Estado foram os primeiros a acenar positivamente. Juntos, devem injetar entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões, que podem reaquecer a contratação de pessoal, principalmente dentro das escolas de samba.

O montante ainda é inferior aos investimentos oficiais registrados em anos anteriores, que iam de R$ 15 milhões a R$ 18 milhões. Na caça a apoios financeiros, a expectativa da Anhembi é que outras empresas se manifestem até o final do mês, aumentando as cifras.

"A ordem é economizar pelo menos 20% nos custos com mão-de-obra e tentar reduzir gastos de uma maneira geral", explica Demetrio Hossne, da Anhembi.

Queixas
Nos barracões, sobram queixas. "Sou carnavalesco há 44 anos e nunca vi um Carnaval tão difícil", diz Nelson Crecibeni Filho, 52, presidente da Fesec (Federação das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas do Estado de São Paulo). "Estamos em cima da hora e sem nenhum dinheiro. Não há como dar trabalho às pessoas assim", emenda ele.

A Grêmio Gaviões da Fiel, do Bom Retiro, centro de São Paulo, já definiu que não vai contratar mais ninguém. O mesmo fez a Unidos do Peruche, do bairro do Limão, na zona norte. Ninguém quer correr o risco de não ter como pagar aos colaboradores. Outras escolas, como a Camisa 12, do Belenzinho (zona leste), seguem aguardando mais definições sobre o surgimento de investimentos para bater o martelo.

"É impossível fazer carnaval sem reforço de apoio e de montagem", diz Ediléia Santos, da Uesp.

(Folha de S. Paulo – 16/01/05)

   
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