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Globalização amplia mercado de trabalho de tradutores
Se o avanço
das telecomunicações e o aumento do intercâmbio
cultural fizeram com que hoje as pessoas tivessem mais conhecimento
em idiomas estrangeiros do que no passado, o serviço de tradutor
tem mais demanda justamente pelo aumento da circulação
de informações pelo mundo, resultado da globalização.
Leia
mais:
- Globalização amplia mercado de trabalho
de profissional
- Tradução juramentada é uma das
opções que podem ter boa remuneração
na área
Globalização
amplia mercado de trabalho de profissional
Se o avanço
das telecomunicações e o aumento do intercâmbio
cultural fizeram com que hoje as pessoas tivessem mais conhecimento
em idiomas estrangeiros do que no passado, o serviço de tradutor
tem mais demanda justamente pelo aumento da circulação
de informações pelo mundo, resultado da globalização.
"Não
só o inglês, mas também outros idiomas, se difundiram
muito", afirma Francisco Gilberto Labate, presidente da Atpiesp
(Associação Profissional dos Tradutores Públicos
e Intérpretes Comerciais do Estado de São Paulo).
A atividade
hoje é dividida entre as traduções orais, atribuição
do intérprete, e as de texto. Na tradução oral,
há a chamada tradução simultânea, ou
a interpretação de conferências, em que a tradução
do palestrante é feita em tempo real. Outra possibilidade
é a tradução consecutiva, intercalada com a
fala. "Essa é uma habilidade que requer condições
psicológicas específicas. A pessoa trabalha em tempo
real e tem que ter técnicas de anotação e recursos
de memória bem desenvolvidos", afirma João Azenha
Júnior, diretor do Citrat (Centro de Tradução
e Terminologia) da USP (Universidade de São Paulo) e tradutor
de mais de 30 livros, entre eles o best-seller "O Mundo de
Sofia".
Entre as atribuições
mais bem pagas do tradutor estão as traduções
simultâneas, de textos técnicos, de softwares e a tradução
juramentada. Em média, a remuneração é
de R$ 5.000 mensais.
Hoje não
é necessário ter graduação em tradução
e interpretação para poder exercer a profissão.
O Sintra (Sindicato Nacional dos Tradutores) quer tentar regulamentar
a profissão, com a proposta da obrigatoriedade da graduação
em línguas. Um dos objetivos, segundo o presidente, Guilherme
Abrahão, é impor o pagamento de direitos autorais
também aos tradutores.
"Prefiro
contratar um médico e formá-lo como tradutor a contratar
um tradutor e formá-lo como tradutor de medicina", diz
Fuad Azzam, tradutor público, técnico e proprietário
da Intercom Traduções Técnicas, empresa especializada
em traduções para engenharia e medicina. Na sua empresa,
há médicos e engenheiros, mas ninguém formado
em tradução.
Segundo José
Rubens Jardilino, diretor do departamento de educação
da Uninove (Centro Universitário Nove de Julho), o curso
de tradutor e intérprete tem-se adequado às demandas
do mercado nos últimos anos. "Essa idéia dos
cursos serem destinados a área literária está
mudando."
A professora
Cláudia Xatara, coordenadora do curso de graduação
de tradutor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), do campus
de São José do Rio Preto (SP), acredita que dominar
um idioma não é suficiente para exercer a profissão.
"A tradução é uma criação,
cujas frases e construções têm significados."
Para Azenha,
o curso de graduação só é eficaz se
o aluno ingressar com bons conhecimentos da língua estrangeira,
pois acredita ser impossível desenvolver a habilidade de
tradução simultaneamente à da aquisição
da língua. "A pessoa pode ter vasto conhecimento técnico
da área e do idioma e fazer um texto ininteligível
em português."
A tradutora
Maria Luiza Borges, indicada para o prêmio Jabuti deste ano
pela tradução de "Alice no País das Maravilhas",
de Lewis Caroll, é formada em psicologia e nunca fez curso
de tradução. Ela já traduziu cerca de 50 livros.
"É comum a pessoa não saber falar ou escrever
bem no idioma estrangeiro e fazer boas traduções.
O fundamental é o português e é onde a maioria
dos livros traduzidos pecam."
(Folha de
S. Paulo - 18/04/02)
Tradução
juramentada é uma das opções que podem ter
boa remuneração na área
Uma das atividades
mais bem remuneradas da área é a tradução
juramentada, em que o material traduzido tem valor de documento
e é reconhecido pela Justiça. "Assim como um
cartório, esse tipo de tradução tem fé
pública e, por isso, credibilidade", diz Francisco Gilberto
Labate, presidente da Atpiesp (Associação Profissional
dos Tradutores Públicos e Intérpretes Comerciais do
Estado de São Paulo).
O serviço
é regulamentado pelas Juntas Comerciais de cada Estado e
o ofício, obtido por meio de concursos públicos. Nos
dois últimos concursos no Estado de São Paulo, realizados
em 1979 e em 2000, não houve exigência de diploma universitário.
A tradução
(quando o idioma de destino é o português) custa R$
28 por lauda, e a versão (quando o idioma de destino é
estrangeiro), R$ 35. O tradutor pode atuar também como intérprete
de estrangeiros em audiências judiciais.
"Esse é
um ofício e não um cargo publico. Ele é um
profissional autônomo, assim como um escrevente de cartório,
que tem sua clientela e é pago pelo usuário do serviço",
explica Labate.
(Folha de
S. Paulo - 18/04/02)
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