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Mal
uso da Internet pode causar demissões
Usar o e-mail
da empresa para fins pessoais - principalmente se o conteúdo
for ofensivo ou pornográfico - pode ser o caminho mais rápido
para uma demissão por justa causa.
Leia
mais:
Cuidado ao usar a internet: o chefe pode estar olhando
Usar o e-mail
da empresa para fins pessoais - principalmente se o conteúdo
for ofensivo ou pornográfico - pode ser o caminho mais rápido
para uma demissão por justa causa. É o que indicou,
esta semana, o Tribunal Superior do Trabalho, em decisão
inédita que autoriza as empresas a rastrearem e lerem os
e-mails corporativos de seus funcionários. A ação
surgiu de uma disputa judicial do HSBC Seguros contra um funcionário,
demitido por enviar pornografia com o e-mail da empresa. Fora do
Brasil, outro caso famoso foi a demissão do presidente da
Boeing, Harry Stonecipher, cujos e-mails foram interceptados também
por terem conteúdo erótico.
Para Luiz Wever,
sócio diretor da Ray & Berntson Brasil, que recruta executivos,
as pessoas devem manter um e-mail pessoal para se comunicar com
amigos e fazer isto em casa, nos momentos de lazer. "A empresa
não pode estar vinculada com qualquer informação
que possa denegrir sua imagem", diz. Carlo Hauschil, diretor
geral da Hewitt, consultoria de RH, afirma que os jovens são,
principalmente, os que têm o hábito de utilizar internet
de forma indevida no serviço. "É preciso verificar
se tem algum tipo de assunto ou tema que extrapole para algo que
prejudique a corporação", alerta.
Para evitar
problemas como o do HSBC e da Boeing e aumentar o foco no trabalho,
é que Rodrigo Pimenta, diretor executivo da Madis Rodbel,
fabricante de pontos eletrônicos, decidiu bloquear a abertura
de alguns tipos de arquivos e impediu a entrada em sites com palavras
restritas, além de sites de e-mails, Orkut e uso de MSN,
programa de mensagens instantâneas da Microsoft. "Envolvi
os funcionários num trabalho conjunto e chegamos à
conclusão de que deveríamos ter um controle para que
os funcionários tivessem maior produtividade", conta.
Segundo Pimenta, algumas pessoas chegavam a perder 30% do seu dia
de trabalho com distrações do meio eletrônico.
Agora, o acesso livre é permitido apenas depois do expediente.
Na Clássico
Consultoria Contábil, o sócio Nivaldo Cleto leva a
sério a questão do foco no trabalho e chega a incluir
na lista de sites proibidos mais de 20 endereços por semana.
"A internet é algo que fascina muito e comecei a perceber
que as pessoas navegavam em sites com conteúdo totalmente
fora da área de trabalho e no e-mail pessoal, às vezes,
gastavam de três a quatro minutos por mensagem. Vi que perdia
dinheiro e produtividade".
As empresas,
diz Paulo Kretly, gerente geral da Franklyn Covey Brasil, mais do
que nunca querem funcionários que mostrem resultados. "Se
a pessoa não tiver capacidade de decidir quando e que tipo
de comunicação usar, se distrai e cai num ciclo de
improdutividade". Hauschil também considera a seleção
essencial: "Quanto mais meios de comunicação
temos, mais fácil e mais poluída ficam as informações,
o que impõe uma capacidade seletiva maior", diz.
Já Marcos
Hashimoto, professor da Business School São Paulo na área
de desenvolvimento organizacional, defende que as empresas devem,
sim, liberar a internet e estabelecer uma relação
de confiança com o funcionário, o que, por si só,
minimizaria o uso da internet para fins pessoais. "Muitas vezes
as idéias são inovadoras porque os funcionários
têm contatos pessoais com o mundo exterior". Para ele,
proibir o livre acesso é nivelar funcionários por
baixo. "É difícil estabelecer como a criatividade
surge, mas quando a pessoa tem variedade de experiências e
se desconecta da situação, é que uma idéia
aparece", diz. Hashimoto, no entanto, afirma que não
há mal nenhum a companhia alertar um funcionário,
caso ele faça uso indevido, por exemplo, do e-mail corporativo.
"Mas elas precisam usar de forma madura ferramentas para vasculhar
e-mails, como rastrear algumas palavras, porque senão também
acaba virando uma caça às bruxas", afirma
(O Estado
de S. Paulo – 19/05/05)
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