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Empresas investem na recuperação
de funcionários dependentes químicos
Há
mais vantagens em resolver o problema do que simplesmente livrar-se
do profissional. Esse princípio fez com que empresas como
a Embrapa, Correios e a Petrobras investissem na recuperação
de funcionários dependentes químicos em vez de simplesmente
demiti-los.
“Quando
você demite um funcionário, nada garante que você
vai contratar outro melhor. Ao investir na recuperação,
a empresa gasta menos com demissões e contratação
e ganha um profissional grato”, afirma Gisele Becheli, coordenadora
do centro de Educação da Comunidade Terapêutica
Bezerra de Menezes, que presta assessoria a empresas.
Segundo a Embrapa,
o programa de recuperação de empregados com dependência
química e doenças psicosociais realizado na empresa
obteve ótimos resultados, havendo um índice de 80%
de sucesso.
Já a
Petrobras, em especial na sede em Paulínia (SP), realiza
um programa específico de combate ao tabagismo entre os funcionários
e pretende, com o projeto, diminuir de 13% para 10% o número
de fumantes na empresa até o ano de 2005. Os trabalhos são
realizados em parceria com instituições especializadas.
Os funcionários são informados sobre o programa e
sobre as noções básicas da dependência
química.
“As informações
deverão circular de forma eficiente dentro da empresa, e
se possível alcançar os familiares e fornecedores”,
explica a psicóloga Maria Luiza Bernardo, especialista na
área. Segundo ela, o funcionário que apresenta o problema
deve ser encaminhado para tratamento, com reintegração
a sua função.
Segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 10% de qualquer segmento
populacional apresentam a predisposição à dependência
do álcool. Desta forma, o Brasil possui algo em torno de
16 milhões de portadores da doença, comprometendo
20% da força de trabalho, a um custo de US$ 19 bilhões
(5,4% do PIB) por ano.
Estima-se ainda
que o empregado dependente falta cerca de 5 vezes mais que os outros,
acarretando perda significativa de produtividade. Se considerar
as estatísticas, o impacto adicional das outras drogas, os
estragos podem crescer de forma considerável, com um aumento
de incidência entre 5% a 8%.
“Apesar
de a maioria das organizações não dispor de
estatísticas que relacionem acidentes de trabalho à
dependência, há um consenso entre profissionais de
RH e médicos do trabalho: um empregado sob influência
de substâncias psicoativas está mais propenso a cometer
atos irresponsáveis”, diz.
(Cassia
Gisele Ribeiro)
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