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Contratação cresce 241% no nível superior
O mercado de
trabalho está se revelando promissor para aqueles profissionais
que gostam de colocar as mãos à obra. Do canteiro
ao escritório, o setor de infra-estrutura deve gerar 25 mil
vagas neste ano, segundo a Associação Brasileira da
Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib).
Um dos destaques
é a área de engenharia civil, especialmente para projetos
de grande porte. "As companhias que concentram mais vagas são
as de geração e transmissão de energia e petrolíferas",
diz José Augusto Marques, 52, presidente da Abdib, reforçando
que também surgirão oportunidades em transportes urbanos,
como o metrô.
Os postos não
se concentram só no nível operacional. O número
de profissionais do setor com formação superior cresceu
241% entre 1999 e 2001, ou seja, saltou de 5.300 para 12.800, segundo
dados da Abemi (Associação Brasileira de Engenharia
Industrial).
"Contratamos
150 funcionários de nível universitário neste
ano, de engenheiros a superintendentes de negócios",
exemplifica José Navarro, 49, gerente de desenvolvimento
humano da Construções e Comércio Camargo Corrêa.
No nível técnico, o crescimento também foi
significativo: 117%.
"Surgem
novas opções de atuação, como administração
de projetos e engenharia financeira", diz Marques. Esta última
agrega especialistas em finanças, responsáveis pelos
fundos dos projetos.
E não
são apenas os engenheiros que têm vez. Fernando Silva,
32, técnico em edificações e também
economista, começou a trabalhar em uma construtora. Hoje
é analista econômico-financeiro. "Vim de uma área
diferente, mas gosto muito de construção civil."
(Folha de
S. Paulo - 19/05/02)
Área acena com solidez e salário
Para quem está
acostumado à rotatividade do mercado de trabalho, a carreira
em infra-estrutura tem a solidez como diferencial. "A média
de permanência de profissionais na empresa é de 18
anos", conta Murilo Alves, 43, assessor de recursos humanos
da construtora Andrade Gutierrez.
Um exemplo é
o de Dalton Avancini, 36, que há dez ingressou na Camargo
Corrêa como trainee, trabalhou em obras em todo o país
e hoje é superintendente de projetos. "É preciso
ter noção de toda a cadeia de produção
e de relações internas e externas da companhia",
explica.
Experiência
é fundamental e pode render bons dividendos. A média
de rendimentos do setor é de R$ 2.100, segundo a Abdib. Mas
um engenheiro sênior com anos de atuação pode
ganhar salários na faixa dos R$ 10 mil.
Seguindo a escalada
na carreira, a remuneração de um diretor de obra,
que chefia gerentes e engenheiros, varia de R$ 6.000 a R$ 12 mil.
Um diretor de projetos pode receber até R$ 20 mil mensais.
(Folha de
S. Paulo - 19/05/02)
Estudo pavimenta crescimento na carreira
Com a entrada
do investimento privado na área de infra-estrutura, outras
habilidades passaram a ser requeridas pelas empresas. Disponibilidade
para acompanhar obras em todo o país e conhecer bem a estrutura
da empresa, seus produtos e os da concorrência são
itens fundamentais. Mas é preciso ganhar diferenciais para
lidar com os investidores, geralmente estrangeiros.
Além
de saber gerenciar a mudança da cultura de gestão
da empresa -mais globalizada e orientada para resultados-, "dominar
outro idioma e saber lidar com outras culturas passam a ser características
valorizadas", ressalta Iêda Novais, diretora-presidente
da Mariaca & Associates.
A área
de gestão de projetos é a que mais está em
evidência, segundo Alexandre Fantozzi, 25, consultor da divisão
de "engineering" da Michael Page International. "A
função é nova, e há carência de
profissionais no mercado, mas muitas empresas optam por treinar
pessoas de seu quadro."
Nas salas de
aula pode-se ter uma idéia de como a procura por especialização
tem transformado o perfil de programas voltados para a área
de administração.
"Cerca de 30% dos alunos são do setor de engenharia
e construção", diz Roberto Sbragia, 50, coordenador
do MBA (Master in Business Administration) em administração
de projetos da USP.
Os recrutadores
buscam profissionais que entendam também de aspectos financeiros,
jurídicos e de recursos humanos do projeto.O engenheiro Leandro
Alves Patah, 32, gerente de projetos da Siemens, dedica-se aos estudos
para se enquadrar nesse perfil. Desde que se formou, em 1998, fez
especialização em administração, iniciou
curso de mestrado na área de engenharia de produção
e não pretende parar de estudar.
"A engenharia
fornece as ferramentas fundamentais, como a capacidade de raciocínio,
mas a carreira gerencial também requer especialização
em administração." A excelência técnica
é exigida pelas empresas, segundo Novais, que ficam de olho
no investimento do profissional no aprimoramento. "É
necessário se atualizar a cada um ano e meio ou dois."
Mas, para que
o estudo renda, é preciso examinar o conteúdo do curso.
O programa deve estar em sintonia com a realidade das empresas,
e não ser muito genérico, recomendam os especialistas.
(Folha de
S. Paulo - 19/05/02)
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