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Empresa
informal tem um quarto dos trabalhadores
Os empreendimentos
informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas
urbanas no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística).
Leia
mais:
- Empresa informal tem 1/4
dos trabalhadores
- Camelôs são
apenas 7% do setor informal
- Financiamento não
atinge 94% das empresas
- Homens formam maioria e ganham
mais que mulheres
- Ida ao mercado se dá
por motivos diferentes
Empresa informal tem 1/4 dos trabalhadores
O empreendimentos
informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas
urbanas no Brasil, mas o setor perdeu participação
no PIB (Produto Interno Bruto) entre 1997 e 2003, de 8% para 6%,
e a renda das firmas e pessoas que estão nesse segmento também
caiu no período.
Tal retrato
foi revelado pela pesquisa Economia Informal Urbana, divulgada pelo
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em
parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas).
Pelos dados
do instituto, a economia informal abriga 10,336 milhões de
firmas (9,1% a mais do que em 1997), ou 98% do total de empresas
com até cinco pessoas ocupadas (10,525 milhões).
As firmas informais,
por sua vez, ocupam 13,861 milhões de pessoas, 7,7% a mais
do que em 1997. A alta foi proporcionalmente maior do que a expansão
no período do total de pessoas ocupadas nas cidades: 4%.
O IBGE pesquisou
empreendimentos informais, e não o trabalho informal, um
conceito mais amplo e mais difundido, que inclui também pessoas
ocupadas informalmente em firmas que são regulares. Segundo
o IBGE, o rendimento médio dos trabalhadores do setor informal
(conta própria, empregadores e empregados) caiu 3%, ao passar
de R$ 374 em 1997 para R$ 363 em 2003. Se considerados só
os empregadores, a renda sobe para R$ 753, ainda assim 14,4% menor
do que em 1997 (R$ 880).
Já a
receita média mensal das firmas informais caiu de R$ 2.183
para R$ 1.754 entre 97 e 2003, uma retração de 19,7%.
Juntas, todas as empresas informais (aquelas que têm de uma
a cinco pessoas trabalhando e não separam sua contabilidade
da do dono do empreendimento) geravam mensalmente, em 2003, um faturamento
de R$ 17,590 bilhões, 12,4% menos do que em 1997 -R$ 20,070
bilhões.
Para Angela
Jorge, chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento
do IBGE, a economia informal perdeu espaço no PIB, mas sua
"maior importância" econômica não é
na geração de riqueza, e sim na sua grande capacidade
de acolher trabalhadores.
"A economia
informal é importante porque cria oportunidade de trabalho
para pessoas que poderiam estar pressionando ainda mais o mercado
formal, de um lado, e os programas de transferência de renda
do governo, do outro", disse ela.
Para Luís
Carlos Barbosa, diretor-técnico do Sebrae, o mercado informal
vive um período de saturação, com forte concorrência
entre os empreendedores e poucos clientes. Em 2003, com a crise
econômica e a retração do consumo, a situação
ficou ainda mais difícil, afirma.
Em 2003, menos
firmas eram lucrativas, 73% obtiveram lucro, contra 93% seis anos
antes. Apesar do recuo de ganhos e rendimentos, os dados mostram
que as pessoas permanecem muito tempo no setor informal: 31% das
pessoas que tinham seu negócio estavam na informalidade havia
mais de dez anos, apenas 12% possuíam o empreendimento havia
menos de um ano.
Regionalmente,
São Paulo concentrava o maior número de empresas informais:
25% do total. Na seqüência, apareciam Minas Gerais (10,2%)
e Rio (8,4%).
Aquele trabalhador
que desenvolve sozinho o seu negócio, o chamado "conta-própria",
é maioria entre os informais: 69% do total de pessoas ocupadas
no setor em 2003. O restante dos trabalhadores dos empreendimentos
informais se distribui da seguinte forma: 10% eram empregadores,
10% empregados sem carteira assinada, 6% empregados com carteira
assinada e 5% não-remunerados -ajudantes sem salário,
em geral mulheres ou filhos do dono da empresa.
Um dado da pesquisa
mostra o vínculo entre empresa informal e família:
só 65% das atividades produtivas eram desenvolvidas fora
do domicílio. A grande maioria (95%) das firmas tinha apenas
um único proprietário, de acordo com o IBGE. Do total
de empresas informais, 88% não tinham constituição
jurídica -ou seja, não existiam legalmente, sem ter
registro no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica).
Custos elevados
dos registros e impostos e a pesada burocracia para a abertura de
uma empresa são os principais entraves apontados pelos empreendedores
que pretendem regularizar sua situação, diz o Sebrae.
Porém 7,4 milhões de empresas nem haviam tentado se
regularizar em 2003.
Para Barbosa,
do Sebrae, o ideal seria que todas essas firmas se tornassem legais,
ampliando o seu acesso ao crédito e, conseqüentemente,
suas chances de diversificação e expansão.
Um passo significativo para aumentar a formalização,
diz ele, é o projeto de lei em tramitação no
Congresso que cria a pré-empresa, facilitando a instalação
de firmas com faturamento de até R$ 36 mil ao ano.
Em 2002 (último
dado disponível), havia cerca de 4,5 milhões de empresas
formais, com CNPJ, segundo o IBGE. O Sebrae estima que, para cada
empresa regular, existam outras duas informais.
(Folha de
S. Paulo - 20/05/05)
Camelôs são apenas 7% do setor informal
O camelô,
com sua barraca montada numa movimentada rua de comércio
popular, é talvez o personagem mais comum quando se pensa
em um empreendimento informal. Mas não é. A maior
parcela das firmas informais no país está instalada
em lojas ou oficinas (20,3%) ou na casa do cliente (27,6%).
Outro grande
contingente de empresas informais (27,3%) funciona no domicílio
do dono do negócio. Os camelôs propriamente ditos somavam
711.825 empreendedores em 2003, ou 6,9% do total de empresas informais.
Pelos critérios
do IBGE, o camelô é exclusivamente o trabalhador por
conta própria ou empregador que desenvolve seu trabalho na
rua e está enquadrado em dois setores: comércio e
serviços, neste caso, só o de alimentação.
Ao todo, 905,38
mil pessoas trabalhavam na via pública, 8,8%. Mas nem todos
podem ser tidos como camelôs. Existem ainda os que trabalham
na rua oferecendo consertos, venda de seguros, planos de saúde
e outras atividades.
O local de trabalho
onde mais gente passou a atuar foi o veículo, um contingente
de 670 mil pessoas em 2003, ou 6,4% do total. É um reflexo
do aumento do transporte alternativo, como vans e mototáxis,
e do crescimento da distribuição de licenças
para taxistas, de acordo com o IBGE.
Segundo o IBGE,
70% das empresas informais em 2003 usavam equipamentos e instalações
próprios. Cresceu, diz o instituto, o uso de barracas, trailers
e imóveis pelas empresas informais.
O setor comércio
e reparação é o ramo de atividade que mais
concentrava firmais informais nas áreas urbanas, 33% do total.
A construção civil respondia por 18% e a indústria
extrativa e de transformação, por 16%. No comércio,
62% das firmas informais estavam estabelecidas fora do lar do proprietário
e 12% dentro e fora da casa do dono do negócio.
Flávio
Lopes Ferreira, 25, é um trabalhador por conta própria
no comércio. Sem nunca ter trabalhado no mercado formal,
ele vende balas nos ônibus pelo bairro de Copacabana. Ganha
de R$ 350 a R$ 400 mensais.
Além
de estar principalmente no comércio, a maior parte dos ocupados
informais era migrante: 55% não nasceram na cidade na qual
trabalhavam, embora 83% deles morassem na localidade havia pelo
menos cinco anos.
Gabriel Marcos
Gonçalves, 49, que há dois anos vende cangas e batas
nas praias do Rio, saiu do interior da Bahia para "passar uns
dias" na cidade e acabou ficando. A mulher e os seis filhos
também se mudaram e hoje moram com ele. Gonçalves
não sabe quanto recebe por mês: "Vou vendendo
e quando preciso compro mais".
Os dados do
IBGE mostram ainda que 32% dos pequenos empreendedores não
precisaram de capital para começar seu negócio e que
apenas 11% pegaram empréstimos com terceiros.
Segundo o IBGE,
a maioria dos empregados de firmas informais (61%) tinha relação
de trabalho por tempo indeterminado (eram 72% em 1997). Já
os que estavam empregados por tarefa representavam 10% do total,
contra 7% em 1997. Por fim, os que foram contratados pelos pequenos
empreendedores por um período determinado correspondiam a
12%, ante 10% em 1997. (PS e CE)
(Folha de
S. Paulo - 20/05/05)
Financiamento não atinge 94% das empresas
Conseguir um
empréstimo é muitas vezes o que um empreendedor precisa
para impulsionar seu negócio. Se o juro for baixo, melhor
ainda. Mas os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) revelam que o crédito é algo pouco
difundido entre as firmas informais: 94% delas não utilizaram
esse mecanismo em 2003.
Das que obtiveram
algum tipo de financiamento, o principal veículo (58%) foi
o sistema bancário, seguido por empréstimos obtidos
com fornecedores (16%) e amigos e parentes (16%). Em 2003 e em 1997,
o mesmo percentual (83%) das empresas informais não possuía
dívidas, um sinal dos limites de expansão dessas firmas,
já que para crescer é necessário ter alguma
espécie de financiamento.
O IBGE também
traçou indicadores de formalização das firmas.
Grande parte (53%) dos empreendimentos não fazia nenhum tipo
de registro contábil em 2003. Esse percentual era de 46%
em 1997, ou seja, houve uma piora nos resultados. Em 2003, o próprio
dono tentava desempenhar a função do contador em 36%
das empresas informais. Só 12% das firmas informais possuíam,
em 2003, constituição jurídica, como o registro
no CNPJ, e 10% delas tinham cadastro de microempresa.
Mesmo sem acesso
a crédito, Antonio Joaquim da Costa, 45, conseguiu abrir
uma lanchonete em São Paulo há um ano e meio. "Juntei
um dinheiro, só um pouquinho. E o resto foi com a coragem
mesmo", conta ele.
Assalariado
a vida toda, decidiu que queria um negócio próprio.
A empresa tem CNPJ, mas a contabilidade não pode seguir todas
as regras. "Não sou totalmente informal, mas um pouco
eu ainda sou. Gostaria de estar com tudo certinho, mas, por enquanto,
é difícil. Ou é isso ou é ficar sem
o negócio. Tem imposto, tem tanta coisa, que a gente não
pode fazer tudo como deve ser feito", afirma.
Patrão
de primeira viagem, Costa revela que sente até vergonha de
chamar a atenção de sua única funcionária,
a cozinheira Maria, que ganha R$ 400 por mês.
"Não
tenho muita experiência (em ser patrão), mas é
uma sensação boa. Nos dias de pagamento, em que me
vejo apertado com outras dívidas, tenho de pensar que é
melhor faltar para mim do que para ela. É um compromisso
que não posso deixar de cumprir."
(Folha de
S. Paulo - 20/05/05)
Homens formam maioria e ganham mais que mulheres
Homem, trabalhador
por conta própria, com menos de oito anos de estudo e idade
superior a 40 anos. Esse é o perfil dos trabalhadores da
economia informal, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística).
Entre os "conta-própria"
do setor informal, 65% eram homens em 2003. Eles representavam 73%
dos empregadores. Apenas em uma categoria, justamente a mais desprotegida,
é que as mulheres tinham maioria: 64% dos trabalhadores não-remunerados
eram do sexo feminino. É que boa parte das mulheres acompanha
seus maridos como auxiliares sem salário, ajudando na preparação
de pratos, no atendimento a clientes e em outras atividades.
Do total de
pessoas ocupadas em empresas informais, 36% tinham o ensino fundamental
incompleto. A maior parcela dos empregadores era homem e mais velha,
49% estavam na faixa de 40 a 59 anos, de acordo com o IBGE. E 30%
já eram donos do negócio havia pelo menos dez anos.
A diferença
de renda também revela a desigualdade do mercado informal.
Não bastasse serem a maior parte dos sem-remuneração,
as mulheres que tinham salário ganhavam menos: R$ 424 para
as que trabalhavam por conta própria e R$ 1.341 para as empregadoras,
contra R$ 727 e R$ 1.701, respectivamente, dos homens.
De 1997 a 2003,
a renda das mulheres caiu 6,4%, para as trabalhadoras por conta
própria, e 10,1%, no das empregadoras. Os homens, porém,
perderam mais. O rendimento médio deles cedeu 14,8% entre
os "conta-própria" e 11,1% entre os empregadores
no mesmo período. Em 2003, os homens donos de negócios
com ao menos um funcionário assalariado recebiam, em média,
R$ 1.341.
Camelô
há dez anos, Antonio Cabral, 46, tem uma barraca no centro
do Rio e se encaixa no perfil do trabalhador do setor, mas tem licença
da prefeitura. Ele diz ganhar cerca de R$ 700 por mês. Em
sua barraca montada na movimentada rua da Quitanda, no centro do
Rio, vende pequenos artigos eletrônicos, como rádios,
calculadoras e gravadores.
"Antes
eu fugia do rapa, da polícia. Nem sempre ficava no mesmo
lugar. Agora isso é tudo regularizado", afirma Cabral.
Ex-caixa de banco por 15 anos, ele não quer voltar ao mercado
formal.
Há quatro
anos na informalidade, o ex-gari Bartolomeu Rodrigues, 42, espera
oportunidade de trabalho com carteira assinada. Vendedor de biscoito
e bebidas na praia de Ipanema, Rodrigues ganha de R$ 300 a R$ 700
por mês, dependendo da época do ano.
Ele está
em sua segunda ocupação informal. Primeiro, arrendou
um bar no Catumbi, na zona norte, onde mora. Trabalhava sozinho,
mas não conseguia dinheiro suficiente para manter os dois
filhos pequenos e pagar o aluguel do estabelecimento. Foi quando
decidiu tentar a sorte na praia.
(Folha de
S. Paulo - 20/05/05)
Ida ao mercado se dá por motivos diferentes
Homens e mulheres
buscam o mercado informal por motivos diferentes. Para eles, foi
principalmente o desemprego que os empurrou para a economia informal.
As mulheres, por sua vez, na maioria dos casos se lançaram
na economia informal
para complementar a renda dos maridos.
Pelos dados
da pesquisa Economia Informal Urbana, do IBGE, 37% dos trabalhadores
por conta própria disseram que o fato de não terem
arrumado emprego os levou a montar seu próprio negócio.
Em 1997, eram 31%.
Já 34% das mulheres responderam que o motivo foi a complementação
da renda familiar, esse percentual era de 36% em 1997.
A segunda causa
mais citada entre homens e mulheres foi a busca por independência,
7% dos homens e 13% das mulheres cansaram de ter patrão e
pretendiam tocar seu próprio empreendimento.
O IBGE também
fez uma sondagem para identificar a expectativa dos informais quando
ao rumo de seus negócios. Detectou que 49% dos trabalhadores
por conta própria e 43% dos pequenos empregadores acreditavam
que a atividade permaneceu igual (não melhorou nem piorou)
nos 12 meses anteriores à pesquisa (outubro de 2003). Esses
percentuais eram de 54% e 52%, respectivamente, em 1997.
Por outro lado,
cresceu o número de empresas que haviam ampliado a jornada
de trabalho, 5% em 1997 para 9% em 2003, e das que tinham diversificado
suas atividades, de 1% para 5%. Os dados são considerados
positivos, já que mostram evolução dos negócios
e maior dinamismo das firmas.
Mesmo assim,
aumentou, de 12% para 16%, o número de pessoas que pretendem
deixar de ser um empreendedor da economia informal e voltar a procurar
um emprego.
Na avaliação
dos proprietários, a maior dificuldade para conduzir seus
empreendimentos é a falta de clientes para seus produtos
e serviços, problema apontado por empresas de todos os ramos
de atividade. Tal entrave foi citado por 31% dos entrevistados.
A forte concorrência foi lembrada por 25% dos proprietários
como problema a ser vencido. Em relação ao futuro,
porém, 38% dos empreendedores do setor informal pretendiam
ampliar seus negócios.
(Folha de
S. Paulo - 20/05/05)
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