Emprego industrial teve alta de só 0,1% em novembro

A recuperação da indústria está demorando a surtir efeitos no mercado de trabalho. No acumulado do ano, a indústria encolheu em 0,6% seu nível de emprego. A jornada de trabalho, que costuma anteceder a criação de vagas, também teve expansão modesta em novembro, de 0,2%.

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Emprego industrial teve alta de só 0,1% em novembro

A recuperação da indústria está demorando a surtir efeitos no mercado de trabalho. Em novembro, o emprego no setor cresceu só 0,1%, na comparação com outubro, já descontando as influências sazonais, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, a indústria encolheu em 0,6% seu nível de emprego. A jornada de trabalho, que costuma anteceder a criação de vagas, também teve expansão modesta em novembro, de 0,2%.

“O número de horas pagas, que mede o tamanho da jornada de trabalho, é o único indicador que melhora há mais tempo, desde agosto. Porém, o aumento da jornada foi suave. Para que haja a criação de novas vagas, o que envolve custos maiores para o empresário, é preciso que o crescimento da atividade industrial seja consistente” afirmou André Macedo, técnico do IBGE.

Segundo o IBGE, a ligeira melhora no emprego veio de setores da indústria mais voltados para as exportações ou ligados ao agronegócios. Enquanto isso, segmentos mais dependentes do mercado doméstico, que são justamente os que empregam mão-de-obra mais numerosa, tiveram um desempenho ruim. Foi o caso da indústria de vestuário, com queda de 11,9% no emprego, em relação a novembro de 2002.

No setor de minerais não-metálicos, que fábrica insumos para a construção civil, ou seja, também é afetado pelo mercado interno, a redução no emprego foi de 9,7% frente ao mesmo mês do ano anterior. “Os setores da indústria que dependem predominantemente da renda do trabalhador estão com resultado negativo no emprego” disse Macedo.

Da mesma forma, nos estados que concentram indústrias mais voltadas para o mercado doméstico, o desempenho do mercado de trabalho no setor é pior. No Rio de Janeiro, por exemplo, o emprego na indústria caiu 4,4% frente a novembro de 2002 e acumula queda de 3,9% no ano.

Mas, se o emprego está demorando a reagir na indústria, a renda do trabalhador, ao menos, está caindo num ritmo mais lento. Enquanto em setembro os salários acumulavam queda real de 6,1% no ano, em novembro a redução na folha de pagamentos era de apenas 5,3% nessa comparação. E, em relação a outubro, houve até uma ligeira melhora, de 0,1%, quando se descontam as influências sazonais. Foi o primeiro resultado positivo de um mês para outro desde julho.

“Essa melhora é graças à concessão de dissídios e também ao arrefecimento da inflação” disse Macedo.

(O Globo – 22/01/04)

   
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