|
Mercado promove contratações o ano todo
Boa parte dos
empregos é temporária. Mas a oferta de oportunidades
de trabalho é permanente.
Aliar boa remuneração,
experiência profissional e possibilidade de fazer contatos
no mercado tem atraído a atenção de cada vez
mais jovens para a área de feiras.
As chances de
trabalhar temporariamente nesse setor estão crescendo, especialmente
em São Paulo, que concentra 75% das 400 mil oportunidades
de trabalho geradas por ano no país.
"Do ano
passado para cá, houve crescimento de 4% no total de feiras
realizadas no Brasil", comenta Armando Mello, 54, diretor-executivo
da Ubrafe (União Brasileira das Promotoras de
Feiras).
"Em três
anos, São Paulo ampliará a oferta de pavilhões
de 200 mil metros quadrados para 300 mil metros quadrados e por
isso demandará mais profissionais."
De acordo com
a Ubrafe, de 1992 a 2002, o número de feiras promovidas no
país cresceu 268% -passou de 38 para 140 por ano.
A quantidade
de empresas interessadas em expor nesse tipo de evento também
se multiplicou. Se em 1992 a Ubrafe contabilizava 7.500 expositoras
nas feiras, em 2002 esse número cresceu 366%, totalizando
35 mil companhias.
Vagas em
desfile
Uma feira de
grande porte em São Paulo emprega temporariamente até
10 mil profissionais. São cerca de 5.000 pessoas para montar
os estandes e 5.000 que atuam durante o evento em atividades como
recepção, limpeza, alimentação e segurança,
sem contar profissionais como fotógrafos e assessores de
imprensa.
"As vagas
se concentram mesmo é na recepção dos estandes",
comenta Luís Taliberti, 36, diretor da FIT (organizadora
de eventos).
Os promotores
e os expositores geralmente recorrem a seu banco de currículos
ou a companhias que terceirizam profissionais para trabalhar nos
eventos, desde eletricistas até recepcionistas.
"A maior
parte das contratações é feita entre pessoas
que já trabalharam conosco", diz Antonio Bianco, 42,
diretor-administrativo-financeiro da Guazzelli Messe Frankfurt (organizadora).
(Folha de
S. Paulo - 22/07/02)
Recepção em evento rende até R$ 100 por dia
O trabalho temporário
em feiras é visto pelos profissionais como uma boa oportunidade
de melhorar a remuneração.
Karina Berti,
23, aproveita as feiras para incrementar o orçamento, atuando
como recepcionista nos estandes. "Se eu participar de uma ou
duas por mês, já consigo ganhar de R$ 800 a R$ 1.000",
afirma.
As recepcionistas
recebem por volta de R$ 80 a R$ 100 para cada dia de feira e costumam
ser convocadas para uma média de três ou quatro por
mês.
"Se você
faz um bom trabalho, é chamada novamente", diz Berti.
Além de ser credenciada em empresas que recrutam profissionais
para as feiras, ela recorre à indicação de
amigas para chegar às vagas.
O segurança
Alexandre Francisco da Silva, 28, atua há 12 anos em eventos,
o que lhe proporciona renda mensal líquida de cerca de R$
600. "Consigo ganhar pouco mais do que se fosse contratado
de uma empresa, o que também não seria uma garantia
de emprego."
(Folha de
S. Paulo - 22/07/02)
Jovem ganha vivência e contatos
Não é
à toa que não faltam jovens atuando em feiras. A atividade
de recepção é a mais procurada no setor pelos
estudantes que querem reforçar os rendimentos com um trabalho
temporário.
"Para quem
tem facilidade de comunicação e de relacionamento,
é uma atividade prazerosa", diz Pedro Scigliano, 37,
diretor comercial da Manpower Brasil (da área de recursos
humanos).
E há também quem consiga aliar a renda extra ao interesse
profissional. Ellen Ferrari, 19, faz publicidade e acha que a atuação
em feiras ajuda a fazer contatos. "É uma oportunidade
de conhecer quem trabalha na área de marketing", diz
Ferrari, que participa de três a quatro feiras por mês
e chega a receber R$ 1.500.
Para Scigliano,
estudantes de marketing e comunicação (como relações
públicas) podem se beneficiar da experiência adquirida.
Mas nem sempre
é possível prolongar a rotina de sacrificar o calendário
de aulas pelo das feiras e encarar a instabilidade da renda.
Gabrielle Buger,
22, trabalha nessa área há cinco anos e angaria cerca
de R$ 1.000 por mês como recepcionista. "Mas quero terminar
a faculdade, que tranquei, e ter um emprego fixo em vendas."
(Folha de
S. Paulo - 22/07/02)
Eventos também são vitrine para cargo fixo
Terreno fértil
para trabalho temporário, o setor de feiras também
oferece oportunidades de obter emprego fixo, especialmente em vendas
e em marketing.
Claudia Feliz,
29, começou a atuar como recepcionista em eventos em 1997
e logo passou a trabalhar com apenas uma organizadora, a Francal.
Quando surgiu uma vaga na empresa, como digitadora, aceitou na hora,
mesmo com remuneração menor.
"Virei
uma espécie de curinga e aprendi como funcionam todos os
departamentos", diz Claudia, que iniciou, em seguida, um curso
de administração. A formação e a boa
visão da empresa fizeram com que chegasse ao posto de gerente
administrativo-financeira.
Vendas e
marketing
Dentro das empresas
responsáveis pela organização de feiras, congressos
e exposições, o setor que mais contrata é o
comercial.
Os que atuam
na área de marketing são bem-vindos por terem boa
comunicação e visualização estratégica
do mercado e da empresa. E sua atuação é mais
valorizada quando conseguem atrair visitação qualificada
para a feira.
Para Brena Baumle,
27, sócia-gerente da Hannover Fairs do Brasil, as entidades
de classe e as associações setoriais também
são potenciais empregadoras. "São segmentos carentes
de profissionais com experiência, assim como grandes empresas
que querem consolidar sua participação."
Nas organizadoras
de feiras, quem almeja um posto de gerência precisa ter na
bagagem muito conhecimento sobre como montar e administrar bem o
evento.
"A peculiaridade
desse setor está na área operacional. Por isso deve-se
ter bastante vivência", diz Antonio Bianco, 42, diretor
administrativo-financeiro da Guazzelli Messe Frankfurt (organizadora).
Luís
Taliberti, diretor da FIT, acrescenta outra característica
essencial: "O bom atendimento é primordial, especialmente
para quem é da área comercial".
Isso porque,
segundo os profissionais do setor, o sucesso de um evento se mede
pela presença constante dos mesmos expositores, o que denota
satisfação com os resultados da feira. (BMF)
(Folha de
S. Paulo - 22/07/02)
Especialização e flexibilidade dão o tom na
carreira
Numa semana,
feira de calçados. Na outra, de informática. Na seguinte,
de alimentação. O profissional do setor lida com eventos
nas mais diferentes áreas.
Por isso buscar
o máximo de informações sobre o tema do evento
promovido é essencial aos profissionais que queiram trabalhar
nas empresas organizadoras.
"Assim
é possível ter uma noção maior das necessidades
de cada evento e comunicar-se melhor com os clientes", conclui
Luís Taliberti, diretor da FIT.
Paula de Freitas,
24, diz ter aprendido na prática como atuar na área
de eventos. Começou como recepcionista em feiras e hoje é
assistente de marketing. "Participar dos eventos é essencial
para conhecer a montagem e o atendimento a clientes."
A carência
de profissionais com conhecimento do mercado leva promotoras a recrutar
pessoal no mesmo segmento da feira, especialmente para trabalhar
na área comercial e na de marketing.
Jornada prolongada
Um exemplo de
profissional "importada" de outro setor é Ilka
Kobayashi, 24. Formada em hotelaria, ela sempre demonstrou interesse
em marketing de eventos.
Foi chamada
para trabalhar como assistente de marketing e, em dois anos, chegou
à gerência de marketing.
"É
importante aprender a prática de organização
de feiras e saber lidar com prazos e pessoas", comenta.
Crescer nessa
área também exige flexibilidade para viajar e visitar
outras feiras e disposição para encarar jornadas extras
nos períodos que antecedem os eventos.
(Folha de
S. Paulo - 22/07/02)
Trabalho em estande não é só "desfile
de modelos"
O aumento do
número de feiras realizadas vem acompanhado de sua profissionalização.
Assim, na hora do recrutamento, os selecionadores costumam valorizar
o conhecimento que os candidatos têm sobre o setor do evento.
Isso vale especialmente
para quem pretende trabalhar no atendimento aos clientes. São
atividades que vão desde o credenciamento até o balcão
de negócios.
"Priorizamos
a contratação de estudantes do setor da feira para
fazer recepção e atendimento", afirma Brena Baumle,
sócia-gerente da Hannover Fairs do Brasil. "Se for um
evento de máquinas, por exemplo, selecionamos estudantes
de engenharia."
"Os que
vão trabalhar com atendimento precisam, obrigatoriamente,
entender um pouco do assunto em questão", completa Sâmia
Hannouche, 38, gerente de comunicação da Francal.
Os profissionais do setor também ressaltam que quem está
de olho em uma oportunidade em atendimento e recepção
precisa cada vez mais investir no aprendizado de idiomas.
"Profissionais
que falem mais de uma língua são bastante procurados.
Dependendo do setor da feira, só o inglês não
é suficiente", diz Baumle.
Formação
No quadro fixo
das empresas que promovem feiras, a informação -aliada
à experiência em vendas, montagem, organização
e administração dos eventos- costuma valer mais do
que a formação acadêmica. Isso conta especialmente
para quem trabalha na área comercial e é responsável
por vender a feira aos clientes.
Mas os empregadores
ponderam que, à medida que a área de feiras consolida
sua profissionalização, seus funcionários tendem
a procurar especializações, que vão de seminários
a cursos de curta duração (veja no quadro). "Hoje
há mais espaço dentro das empresas para gente especializada",
comenta Luís Taliberti, da FIT.
(Folha de S.
Paulo - 22/07/02)
|