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Feira de eventos contrata o ano todo

Aliar boa remuneração, experiência profissional e possibilidade de fazer contatos no mercado tem atraído a atenção de cada vez mais jovens para a área de feiras. As chances de trabalhar temporariamente nesse setor estão crescendo, especialmente em São Paulo, que concentra 75% das 400 mil oportunidades de trabalho geradas por ano no país.

Leia mais:
- Mercado promove contratações o ano todo
- Recepção em evento rende até R$ 100 por dia
- Jovem ganha vivência e contatos
- Eventos também são vitrine para cargo fixo
- Especialização e flexibilidade dão o tom na carreira
- Trabalho em estande não é só "desfile de modelos"

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Mercado promove contratações o ano todo

Boa parte dos empregos é temporária. Mas a oferta de oportunidades de trabalho é permanente.

Aliar boa remuneração, experiência profissional e possibilidade de fazer contatos no mercado tem atraído a atenção de cada vez mais jovens para a área de feiras.

As chances de trabalhar temporariamente nesse setor estão crescendo, especialmente em São Paulo, que concentra 75% das 400 mil oportunidades de trabalho geradas por ano no país.

"Do ano passado para cá, houve crescimento de 4% no total de feiras realizadas no Brasil", comenta Armando Mello, 54, diretor-executivo da Ubrafe (União Brasileira das Promotoras de
Feiras).

"Em três anos, São Paulo ampliará a oferta de pavilhões de 200 mil metros quadrados para 300 mil metros quadrados e por isso demandará mais profissionais."

De acordo com a Ubrafe, de 1992 a 2002, o número de feiras promovidas no país cresceu 268% -passou de 38 para 140 por ano.

A quantidade de empresas interessadas em expor nesse tipo de evento também se multiplicou. Se em 1992 a Ubrafe contabilizava 7.500 expositoras nas feiras, em 2002 esse número cresceu 366%, totalizando 35 mil companhias.

Vagas em desfile

Uma feira de grande porte em São Paulo emprega temporariamente até 10 mil profissionais. São cerca de 5.000 pessoas para montar os estandes e 5.000 que atuam durante o evento em atividades como recepção, limpeza, alimentação e segurança, sem contar profissionais como fotógrafos e assessores de imprensa.

"As vagas se concentram mesmo é na recepção dos estandes", comenta Luís Taliberti, 36, diretor da FIT (organizadora de eventos).

Os promotores e os expositores geralmente recorrem a seu banco de currículos ou a companhias que terceirizam profissionais para trabalhar nos eventos, desde eletricistas até recepcionistas.

"A maior parte das contratações é feita entre pessoas que já trabalharam conosco", diz Antonio Bianco, 42, diretor-administrativo-financeiro da Guazzelli Messe Frankfurt (organizadora).

(Folha de S. Paulo - 22/07/02)

Recepção em evento rende até R$ 100 por dia

O trabalho temporário em feiras é visto pelos profissionais como uma boa oportunidade de melhorar a remuneração.

Karina Berti, 23, aproveita as feiras para incrementar o orçamento, atuando como recepcionista nos estandes. "Se eu participar de uma ou duas por mês, já consigo ganhar de R$ 800 a R$ 1.000", afirma.

As recepcionistas recebem por volta de R$ 80 a R$ 100 para cada dia de feira e costumam ser convocadas para uma média de três ou quatro por mês.

"Se você faz um bom trabalho, é chamada novamente", diz Berti. Além de ser credenciada em empresas que recrutam profissionais para as feiras, ela recorre à indicação de amigas para chegar às vagas.

O segurança Alexandre Francisco da Silva, 28, atua há 12 anos em eventos, o que lhe proporciona renda mensal líquida de cerca de R$ 600. "Consigo ganhar pouco mais do que se fosse contratado de uma empresa, o que também não seria uma garantia de emprego."

(Folha de S. Paulo - 22/07/02)

Jovem ganha vivência e contatos

Não é à toa que não faltam jovens atuando em feiras. A atividade de recepção é a mais procurada no setor pelos estudantes que querem reforçar os rendimentos com um trabalho temporário.

"Para quem tem facilidade de comunicação e de relacionamento, é uma atividade prazerosa", diz Pedro Scigliano, 37, diretor comercial da Manpower Brasil (da área de recursos humanos).
E há também quem consiga aliar a renda extra ao interesse profissional. Ellen Ferrari, 19, faz publicidade e acha que a atuação em feiras ajuda a fazer contatos. "É uma oportunidade de conhecer quem trabalha na área de marketing", diz Ferrari, que participa de três a quatro feiras por mês e chega a receber R$ 1.500.

Para Scigliano, estudantes de marketing e comunicação (como relações públicas) podem se beneficiar da experiência adquirida.

Mas nem sempre é possível prolongar a rotina de sacrificar o calendário de aulas pelo das feiras e encarar a instabilidade da renda.

Gabrielle Buger, 22, trabalha nessa área há cinco anos e angaria cerca de R$ 1.000 por mês como recepcionista. "Mas quero terminar a faculdade, que tranquei, e ter um emprego fixo em vendas."

(Folha de S. Paulo - 22/07/02)

Eventos também são vitrine para cargo fixo

Terreno fértil para trabalho temporário, o setor de feiras também oferece oportunidades de obter emprego fixo, especialmente em vendas e em marketing.

Claudia Feliz, 29, começou a atuar como recepcionista em eventos em 1997 e logo passou a trabalhar com apenas uma organizadora, a Francal. Quando surgiu uma vaga na empresa, como digitadora, aceitou na hora, mesmo com remuneração menor.

"Virei uma espécie de curinga e aprendi como funcionam todos os departamentos", diz Claudia, que iniciou, em seguida, um curso de administração. A formação e a boa visão da empresa fizeram com que chegasse ao posto de gerente administrativo-financeira.

Vendas e marketing

Dentro das empresas responsáveis pela organização de feiras, congressos e exposições, o setor que mais contrata é o comercial.

Os que atuam na área de marketing são bem-vindos por terem boa comunicação e visualização estratégica do mercado e da empresa. E sua atuação é mais valorizada quando conseguem atrair visitação qualificada para a feira.

Para Brena Baumle, 27, sócia-gerente da Hannover Fairs do Brasil, as entidades de classe e as associações setoriais também são potenciais empregadoras. "São segmentos carentes de profissionais com experiência, assim como grandes empresas que querem consolidar sua participação."

Nas organizadoras de feiras, quem almeja um posto de gerência precisa ter na bagagem muito conhecimento sobre como montar e administrar bem o evento.

"A peculiaridade desse setor está na área operacional. Por isso deve-se ter bastante vivência", diz Antonio Bianco, 42, diretor administrativo-financeiro da Guazzelli Messe Frankfurt (organizadora).

Luís Taliberti, diretor da FIT, acrescenta outra característica essencial: "O bom atendimento é primordial, especialmente para quem é da área comercial".

Isso porque, segundo os profissionais do setor, o sucesso de um evento se mede pela presença constante dos mesmos expositores, o que denota satisfação com os resultados da feira. (BMF)

(Folha de S. Paulo - 22/07/02)

Especialização e flexibilidade dão o tom na carreira

Numa semana, feira de calçados. Na outra, de informática. Na seguinte, de alimentação. O profissional do setor lida com eventos nas mais diferentes áreas.

Por isso buscar o máximo de informações sobre o tema do evento promovido é essencial aos profissionais que queiram trabalhar nas empresas organizadoras.

"Assim é possível ter uma noção maior das necessidades de cada evento e comunicar-se melhor com os clientes", conclui Luís Taliberti, diretor da FIT.

Paula de Freitas, 24, diz ter aprendido na prática como atuar na área de eventos. Começou como recepcionista em feiras e hoje é assistente de marketing. "Participar dos eventos é essencial para conhecer a montagem e o atendimento a clientes."

A carência de profissionais com conhecimento do mercado leva promotoras a recrutar pessoal no mesmo segmento da feira, especialmente para trabalhar na área comercial e na de marketing.

Jornada prolongada

Um exemplo de profissional "importada" de outro setor é Ilka Kobayashi, 24. Formada em hotelaria, ela sempre demonstrou interesse em marketing de eventos.

Foi chamada para trabalhar como assistente de marketing e, em dois anos, chegou à gerência de marketing.

"É importante aprender a prática de organização de feiras e saber lidar com prazos e pessoas", comenta.

Crescer nessa área também exige flexibilidade para viajar e visitar outras feiras e disposição para encarar jornadas extras nos períodos que antecedem os eventos.

(Folha de S. Paulo - 22/07/02)

Trabalho em estande não é só "desfile de modelos"

O aumento do número de feiras realizadas vem acompanhado de sua profissionalização. Assim, na hora do recrutamento, os selecionadores costumam valorizar o conhecimento que os candidatos têm sobre o setor do evento.

Isso vale especialmente para quem pretende trabalhar no atendimento aos clientes. São atividades que vão desde o credenciamento até o balcão de negócios.

"Priorizamos a contratação de estudantes do setor da feira para fazer recepção e atendimento", afirma Brena Baumle, sócia-gerente da Hannover Fairs do Brasil. "Se for um evento de máquinas, por exemplo, selecionamos estudantes de engenharia."

"Os que vão trabalhar com atendimento precisam, obrigatoriamente, entender um pouco do assunto em questão", completa Sâmia Hannouche, 38, gerente de comunicação da Francal. Os profissionais do setor também ressaltam que quem está de olho em uma oportunidade em atendimento e recepção precisa cada vez mais investir no aprendizado de idiomas.

"Profissionais que falem mais de uma língua são bastante procurados. Dependendo do setor da feira, só o inglês não é suficiente", diz Baumle.

Formação

No quadro fixo das empresas que promovem feiras, a informação -aliada à experiência em vendas, montagem, organização e administração dos eventos- costuma valer mais do que a formação acadêmica. Isso conta especialmente para quem trabalha na área comercial e é responsável por vender a feira aos clientes.

Mas os empregadores ponderam que, à medida que a área de feiras consolida sua profissionalização, seus funcionários tendem a procurar especializações, que vão de seminários a cursos de curta duração (veja no quadro). "Hoje há mais espaço dentro das empresas para gente especializada", comenta Luís Taliberti, da FIT.

(Folha de S. Paulo - 22/07/02)