Eleição aquece mercado publicitário

Por trás de cada fala, aparição, cartaz, panfleto ou programa de rádio e TV, há sempre um profissional especializado em propaganda.

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     - Eleição aquece mercado publicitário
     - Internet complementa trabalho

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eleição aquece mercado publicitário

Em ano de eleição, a presença deles é ainda mais requisitada no mercado. Não, não são os candidatos, mas os profissionais que os colocam em evidência: os publicitários. Por trás de cada fala, aparição, cartaz, panfleto ou programa de rádio e TV, há sempre um profissional especializado em propaganda.

É claro que o campo de atuação de um publicitário vai muito além de propaganda política, mas é inegável que o mercado para eles cresce bastante a cada dois anos. "É mais que bem-vinda a campanha política, especialmente neste momento, em que o mercado não está tão aquecido", diz o redator de propaganda da agência McCann-Erickson e professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Ruy Sanches.

Ele explica que, numa campanha política, o publicitário faz basicamente o mesmo trabalho que faria numa agência de publicidade: criação (arte, redação), mídia (escolhe em que veículos a campanha será veiculada), planejamento e atendimento (intermediário entre a criação e o cliente). "Um publicitário pode atuar em qualquer área em que seja necessário utilizar técnicas de persuasão para criar, desenvolver ou mudar um hábito, uma percepção em relação a alguém ou a alguma coisa", afirma.

Na prática, os lugares onde ele pode trabalhar são agências de propaganda, em veículos de comunicação e na área de comunicação e de marketing da indústria e do comércio. Quando entra em um curso de publicidade, geralmente o aluno quer atuar na área de criação, a que costuma ser mais valorizada na profissão. A estudante Márcia Moraes, 21, foi exceção em sua turma. "Entrei pensando em atuar na área de marketing, depois quis criação, mas agora estou na dúvida de novo", diz ela, que está no quinto semestre.

Na ESPM, a partir do quinto semestre, o curso se divide, e o aluno tem de optar por uma das três áreas de especialização, que são comunicação integrada, marcas, produtos e serviços e criação. Para quem acha que propaganda e marketing são a mesma coisa, Ruy Sanches faz a diferenciação: "Marketing é uma palavra inglesa que engloba todo o estudo que se utiliza para conhecer e entender os hábitos e as atitudes do consumidor e do mercado. Propaganda é uma ferramenta que o marketing utiliza para tornar um produto ou uma empresa mais competitiva".

(Folha de S. Paulo)

   

Internet complementa trabalho

Mesmo depois da crise das empresas pontocom, em 2000, a internet continua sendo uma mídia que atrai os publicitários e que tem absorvido boa parte dos recém-formados. "Aqui no Brasil, a internet é utilizada como complemento de campanhas desenvolvidas para os veículos tradicionais: TV, rádio, jornal, revista, outdoor", afirma Ruy Sanches, para quem a internet não representou uma mudança na área de criação.

Já a estudante do último semestre de publicidade e propaganda da USP Alessandra Muccillo, 24, acha que a internet mudou não só o processo criativo como também a estratégia de negócio. "Por ser uma mídia mais ágil, pode dar um retorno mais rápido, às vezes imediato", diz. Para ela, que atua na área de criação on-line de uma grande agência, nem todas as empresas dão o devido valor à internet.

Segundo a publicitária Maria Alessandra Calheira -que ganhou neste ano o Leão de Ouro no Festival Internacional de Publicidade de Cannes, na França, considerado o Oscar da publicidade mundial, pela redação de um site-, a internet influencia na estética dos comerciais. Além disso, ela ressalta a facilidade de encontrar na rede informações sobre o ramo de atuação do cliente e sobre o público-alvo, facilitando o trabalho.

"A interatividade, depois da internet, passou a ser uma característica perseguida quando se cria um anúncio, um comercial e até cartões de Natal. Dá para fazer algo na linha "Junte A com B e veja o resultado'", afirma.

Para Maria Alessandra, a grande mudança que vai mexer com a profissão nos próximos anos é a integração entre internet e TV. "Por tudo isso, sairá na frente o profissional que tiver o domínio de muitas técnicas e de linguagens diferentes. Um diretor de arte, por exemplo, vai ter de saber fazer layouts em qualquer mídia, de várias formas e em qualquer formato. Vai ser preciso saber muito mais e de tudo."

Sanches vê como tendência na área o chamado marketing viral. "Uma idéia superpoderosa que caia no gosto popular e que desperte no internauta a vontade de compartilhá-la com alguém. É a propaganda boca a boca eletrônica, dessas que se espalham espontaneamente, como um vírus", explica, lembrando a estratégia de divulgação do filme "A Bruxa de Blair" (EUA, 1999). "A publicidade do filme é a precursora desse tipo de mídia."

(Folha de S. Paulo)

   
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