Cresce o número de incubadoras em todas as regiões do país

As altas taxas de desemprego e a dificuldade de recolocação no mercado de trabalho têm contribuído para que, cada vez mais, profissionais montem seu próprio negócio.

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Cresce o número de incubadoras em todas as regiões do país

As altas taxas de desemprego e a dificuldade de recolocação no mercado de trabalho têm contribuído para que, cada vez mais, profissionais montem seu próprio negócio. De acordo com estudo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), organizado pelo Babson College e pela London Business School, em 2003 o Brasil ocupava a sexta posição no ranking dos países com maior nível de empreendedorismo, registrando 12,9%. Um índice bastante expressivo já que a média global é de 8,8%. Diante desse cenário, o movimento das incubadoras - que teve início na década de 80 - ganhou fôlego em meados de 90, crescendo cerca de 30% ao ano. E a tendência é de que o setor continue aquecido.

Prova disso é que em 2004 o número de incubadoras aumentou 37%, passando de 207 para 283. Foi o que revelou a 7ª edição do Panorama das Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos do Brasil, realizado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Segundo dados do levantamento, atualmente elas mantêm 2 114 empresas incubadas e outras 1 580 graduadas (em operação), empregando aproximada mente de 27 mil pessoas.

Para José Eduardo Fiates, presidente da Anprotec, o principal papel das incubadoras vem sendo ajudar no desenvolvimento econômico regional. "A maioria contribui na capacitação profissional e na transferência de tecnologia, de acordo com as competências locais", afirma. "Cabe às incubadoras aprimorar o plano de negócios das novas companhias, além de facilitar a captação de recursos junto aos fundos de investimentos". Normalmente, as empresas se graduam quando estão aptas a se manterem sozinhas. O que leva de dois a quatro anos.

Hoje, o setor também abre oportunidades para micro e pequenas empresas. As incubadoras oferecem toda a infra-estrutura necessária para que a tecnologia desenvolvida por uma microempresa seja viável comercialmente, com espaço físico e consultoria aos profissionais que têm alta qualificação, mas precisam de capital. Por isso, começar com esse tipo de apoio pode ser fundamental. "Estatísticas indicam que 80% das empresas incubadas são bem-sucedidas, com mortalidade de apenas 20%", diz Fiates.

O Sebrae aponta que 70% das empresas tradicionais ou aquelas que não nasceram em uma incubadora fecham suas portas antes de completar cinco anos. "O modelo de incubadoras permite, inclusive, que projetos de jovens recém-formados recebam significativos aportes de capital", ressalta Fiates. A pesquisa mostra ainda que, entre as empresas já graduadas, a taxa de mortalidade é de apenas 7%. Outra pesquisa divulgada pelo Sebrae constatou que 49,4% das micro e pequenas encerram as atividades com até dois anos de existência, e 59,9% não sobrevivem além dos quatro anos.

Foi em busca de um sonho profissional, mas que ao mesmo tempo gerasse fonte de renda que cinco jovens pernambucanos - decidiram criar a Jynx Playware. A idéia de ganhar dinheiro com o desenvolvimento de jogos eletrônicos teve início há três anos, como empresa incubada do Cesar - Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife. Mais do que o sonho de garotos que cresceram jogando games e planejavam desenvolver o seu próprio jogo, a Jynx agora é uma empresa com 21 funcionários e já dá os primeiros passos no mercado internacional.

"Se não tivéssemos começado como empresa incubada, certamente não estaríamos no mercado", afirma Jeferson Valadares, diretor executivo da Jynx Playware. Por estar dentro do Porto Digital (veja matéria ao lado) - pólo de tecnologia de Pernambuco - , a empresa tem desconto no ISS e acaba sendo beneficiada pela vitrine que o Porto oferece. Na sua opinião, a nova geração possui mais consciência da importância do espírito empreendedor. " Vejo muitos amigos tendo seu próprio negócio", diz.

Além de jogos voltados para o mercado de entretenimento, a Jynx explora o nicho dos "jogos sérios", cujas vedetes são os GBLs (Games-Based Learning), simulações usadas em treinamento de pessoal. Com três produtos lançados, a Jynx tem como foco a exportação. "O mercado nacional é pequeno", explica Valadares. A indústria mundial da diversão eletrônica faturou US$ 33 bilhões em 2003, enquanto no Brasil a receita é de R$ 60 milhões. De olho em países com maior potencial, a empresa pernambucana pretende em 2005 dar um grande salto. Ela irá negociar seu primogênito FutSim, jogo online que simula uma partida de futebol, com os alemães.

Outro grande exemplo que reforça a importância do modelo de incubação no Brasil é a Electrocell. Ela surgiu em 1998, em São Paulo, a partir de duas outras companhias. Formada por um grupo de pesquisadores e empresários do Cietec - incubadora paulista -, a Electrocell despontou no mercado com a missão de transformar energia química em elétrica. "Após dois anos de estudos, chegamos a uma célula que utiliza o etanol, obtido da cana-de-açúcar para obter o hidrogênio. Com isso, pode-se gerar eletricidade reduzindo o impacto ambiental", explica Gerhard Ett, sócio da companhia.

A empresa conta com o apoio financeiro da Finep, Fapesp e da Venture Capital, e vem trabalhando com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), o Instituto de Química de São Carlos/USP, com pesquisadores brasileiros e estrangeiros e empresas conveniadas. No último dia 9, recebeu o concorrido Troféu Nacional da CNI-Confederação Nacional da Indústria - categoria ecologia-concorreu com outros 64.678 projetos. O que faz da companhia uma referência na tecnologia de célula combustível.

Atualmente, das empresas incubadas que estão em operação no mercado, 35% atuam na área de software/informática e aproximadamente 64% esperam faturar até R$ 180 mil em 2004. Enquanto 9% apostam em um faturamento superior a R$ 1,2 milhão. Apesar de maioria (55%) das incubadoras serem de base tecnológica, existem aquelas com foco em eletroeletrônica (14%) e internet (11%). Há também o surgimento de iniciativas em outros setores como o cultural, agroindustrial e social.

A grande maioria (72%) é vinculada a uma universidade ou centro de pesquisa, e muitas delas viram o empreendedorismo como questão de oportunidade. "Antes percebíamos como razão número um a necessidade de geração de renda por falta de emprego", destaca Fiates da Anprotec. Em 2002, estimava-se que havia no Brasil 14 milhões de empreendedores. Desse total, 56% eram empreendedores por necessidade, ou seja, gente que perdeu o emprego ou era subempregado. Em contrapartida, 43% eram empreendedores atentos a novas oportunidades de negócios. Ano passado, o índice de empreendedores manteve-se estável. Porém, foi registrado que os empreendedores por necessidade caíram para 43%. Enquanto o percentual de empreendedores por oportunidades passou para 53%.

(Valor Online)

   
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