IBGE deve anunciar desemprego recorde em 2003

Em 2002, a taxa de desemprego foi de 11,7%. Na projeção do IBGE, a taxa de desemprego da Grande São Paulo, medida pela Fundação Seade, também será recorde, fechando 2003 em 20%.

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IBGE deve anunciar desemprego recorde em 2003

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve divulgar hoje a taxa de desemprego de dezembro medida pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que poderá fechar o ano em 12,4%, como projeta o economista Fernando Montero, da consultoria Tendências. Em 2002, a taxa de desemprego foi de 11,7%. Na sua projeção, a taxa de desemprego da Grande São Paulo, medida pela Fundação Seade, também será recorde, fechando 2003 em 20%.

A expectativa de Montero é que o ciclo da retomada da economia iniciado no terceiro trimestre de 2003 começará a chegar ao emprego a partir do segundo trimestre deste ano, após o que considera uma "natural defasagem" que pode ser maior ou menor dependendo do nível de ociosidade da indústria e das expectativas dos investidores.

O que vai gerar emprego será fundamentalmente a expectativa do crescimento econômico, observa Montero. O empresário cauteloso com a volta do crescimento e que tenha capacidade ociosa a ser preenchida poderá recorrer a horas extras e suspensão de férias antes de se dispor a ampliar seus quadros. Expectativas positivas podem levar a novas contratações na indústria.

Mas, a retomada da ocupação - fenômeno que já aconteceu em 2003 - continuará a ser calcada na expansão do emprego informal. Segundo o economista, a decomposição da taxa de desemprego de 2003 chama a atenção por ter ocorrido simultaneamente a um aumento de 3,5% na ocupação até novembro.

A explicação que vê para o fenômeno é a da entrada de pessoas no mercado de trabalho informal, empurradas pela necessidade de complementar o orçamento da família. O aumento da ocupação, nesse caso, concentra-se no trabalho autônomo, sem carteira, com salários na faixa de R$ 100.

O fato contribuiu muito para a queda brutal da renda no ano, que deverá fechar em dois dígitos, alerta o economista.

(Valor Econômico – 23/01/04)

   
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