Mulheres ganhavam em média 30% menos do que os homens em 2000

Os indicadores de rendimento ainda revelam desigualdades de sexo e cor no mercado de trabalho brasileiro. Apesar de mais escolarizadas do que os homens, as mulheres recebiam, em média, cerca de 70% do rendimento dos homens há seis anos.

O dado consta do SNIG (Sistema Nacional de Informações de Gênero), elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, órgão ligado à Presidência da República, a partir de microdados dos Censos 1991 e 2000.

"No Brasil as conquistas das mulheres foram enormes nas últimas décadas. Uma delas, importantíssima, foi o acesso à educação. A universalização do ensino básico e fundamental beneficiou em especial as mulheres. Hoje, por exemplo, quase 64% dos que concluem o ensino superior são mulheres", afirmou a ministra de Política para as Mulheres, Nilcéa Freire, que participou da divulgação da pesquisa do IBGE.

Na avaliação da ministra, o aumento da escolaridade entre as mulheres ainda vai demorar um tempo para ter impacto no mercado de trabalho.

"Levará ainda algum tempo para se reproduzir no mercado de trabalho o mesmo fenômeno que se produziu na educação. No entanto, outras variáveis também influenciam a situação das mulheres no mercado de trabalho. Não é só uma questão do acesso. É aí que se evidencia mais claramente a questão do preconceito, da discriminação. É o chamado teto de vidro, onde as mulheres chegam até determinado ponto nas suas carreira e daí para frente não progridem mais. Isso faz com que, na média, os salários das mulheres seja inferior ao dos homens."

Segundo o IBGE, uma parcela dessa desigualdade entre o rendimento das mulheres e dos homens pode ser explicada pela concentração feminina no setor de serviços e em ocupações de baixa remuneração e qualificação.

Considerando os dados referentes à cor e sexo, o quadro é ainda pior para as mulheres negras ou pardas, alvo de dupla discriminação. Em 2000, as mulheres negras e pardas recebiam 51% do rendimento médio das mulheres de cor branca. A região Sul apresentava a menor proporção, com 50,6%. A maior desigualdade entre negras ou pardas e brancas estava concentrada nas áreas urbanas, onde o destaque é o Estado do Rio de Janeiro (48,6%). Já as zonas rurais das regiões Norte e Nordeste, tinham, em 2000, os menores percentuais de desigualdade por cor.

(Uol Empregos – 23/05/06)

 

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