Medo de desemprego estressa o brasileiro

O medo de ficar desempregado tem estressado o brasileiro. Estudo revela que se perdessem o emprego hoje, quatro entre dez brasileiros não conseguiriam manter o padrão de vida por um período superior a 90 dias e, cerca de 20% teriam condições financeiras de driblar a crise por no máximo seis meses.

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Medo de desemprego estressa o brasileiro

Se perdessem o emprego hoje, quatro entre dez brasileiros não conseguiriam manter o padrão de vida por um período superior a 90 dias. Cerca de 20% (dois entre dez) teriam condições financeiras de driblar a crise por no máximo seis meses. Depois, teriam de recorrer à ajuda de familiares ou buscar recursos na praça para não cair da pirâmide social, segundo estudo da seguradora Cardif, do grupo BNP Paribas.

A preocupação dos brasileiros quanto a esses imprevistos está acima da média na comparação com outros países. A pesquisa publicada ontem mostra que, numa escala de zero a dez, o país registra 6,8 pontos num ranking mundial de nível de estresse da população com fatos inesperados. Entre eles estão doenças graves, morte, desemprego, acidente de trânsito e até ter filhos gêmeos.

Chilenos e espanhóis têm notas mais altas no ranking de nível de preocupação mundial, 7,2 e 7,1 respectivamente, e se mostram bem mais vulneráveis do que alemães (4,6) ou suíços (4,2).

Foi possível chegar a esse cálculo com base em perguntas feitas aos entrevistados, que davam notas para eventuais fontes de estresse. Em todos os quesitos, foram avaliados 11 assuntos, e o patamar de estresse do brasileiro é maior do que a média. Isso ocorre porque, mesmo com notas mais altas de chilenos e espanhóis no ranking do estresse, outros países puxaram a média para baixo. Participaram da análise 14 nações e, no Brasil, mil pessoas foram ouvidas no início do ano.

Em nota, a direção da Cardif crê que os resultados no Brasil reflitam "os sentimentos de vulnerabilidade financeira no país". O efeito disso pode ser visto no temor da população de perder o controle orçamentário, diz Ricardo Braga de Andrade, diretor-presidente da Cardif brasileira.

Nos 14 países avaliados, 79% da população, em média, controla os gastos mensais para não correr o risco de ficar no vermelho de repente. No Brasil, a taxa é de 82% e supera regiões famosas pelo alto nível de poupança e de controle orçamentário como o Japão e o Reino Unido. Pelo resultado, os brasileiros se dizem mais cautelosos com as contas do que 8 povos entre os 14 analisados.

Esse suposto rígido controle identificado na pesquisa não se traduz em números baixos de calote interno. O índice de cheques devolvidos aumentou 27% em julho sobre 2004 e cresce há meses, informa a Telecheque.

De acordo com a Cardif, 49% dos brasileiros já tiveram problemas para quitar suas prestações alguma vez na vida. A média mundial é 23%.

(Folha de S. Paulo – 12/08/05)

   
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