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Rigidez
de leis estimula informalidade no Brasil
A rígida
legislação trabalhista brasileira continua gerando
distorções no mercado nacional de trabalho, mesmo
com a retomada da atividade econômica. Levantamento do economista
José Pastore mostra que, de julho de 2003 a julho deste ano,
o mercado formal de trabalho teve crescimento de 2,4% enquanto o
informal cresceu 9,6%.
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Rigidez de leis estimula informalidade no Brasil
A rígida
legislação trabalhista brasileira continua gerando
distorções no mercado nacional de trabalho, mesmo
com a retomada da atividade econômica. Levantamento do economista
José Pastore mostra que, de julho de 2003 a julho deste ano,
o mercado formal de trabalho teve crescimento de 2,4% enquanto o
informal cresceu 9,6%. “O Brasil tem a legislação
trabalhista mais rígida do mundo e a consequência é
que poucas empresas contratam empregados e quando contratam o fazem
informalmente”, diz Pastore.
Segundo o economista,
hoje 60% dos brasileiros que trabalham estão na informalidade.
São 31,7 milhões de brasileiros com carteira assinada
contra 47,5 milhões informalmente empregados e 8,5 milhões
de desempregados. “É um número colossal, e a
consequência mais desumana dessa situação é
que quase 50 milhões de brasileiros não têm
qualquer proteção legal”.
Outro problema
das distorções da legislação atinge
uma das áreas mais vulneráveis da administração
pública, a Previdência. Embora não contribuam
com o INSS, os trabalhadores informais podem se aposentar aos 65
anos com um salário-mínimo. Uma conta que não
fecha pois só 40% dos trabalhadores formais recolhem contribuições
previdenciárias.
Outro problema
da legislação trabalhista é a burocracia. Se
houvesse espaço para a simplificação nas leis,
avalia Pastore, as contratações formais aumentariam
naturalmente: “O Simples, programa que simplificou o recolhimento
de impostos e contribuições previdenciárias
para micro e pequenas empresas, gerou 3,5 milhões de empregos
nos três primeiros anos de implantação”.
A queixa é
da Federação do Comércio do Estado de São
Paulo (Fecomércio-SP). Segundo o presidente da federação,
Abram Szajman, a burocracia tributária é igual para
pequenos e grandes empresários: “Não é
apenas a legislação trabalhista que leva as micro
e pequenas empresas para informalidade. É o conjunto de medidas
e tributos, que é extremamente caro”.
Pastore estima
que o conjunto de direitos previstos na legislação
brasileira acaba fazendo com que as despesas de contratação
para as empresas cheguem a 103,46% do salário do empregado,
contra 79% na França, ou 9,03% nos Estados Unidos. Ou seja,
cada brasileiro registrado em carteira que ganha R$ 1.000 mensais
custa R$ 2.030 ao empregador.
“E isso
se aplica a todas as empresas, independente do seu porte”,
diz, observando que 95% das empresas no país são de
pequeno porte.
Apesar de concordar
que a legislação trabalhista precisa ser reformada,
por ser muito detalhista, o diretor do Instituto de Economia da
UFRJ, João Saboia, não vê uma relação
direta entre criação de emprego e a legislação:
“A lei não inibe a abertura de vagas. Pode, sim, levar
à contratação informal. Mas é preciso
ter regras, garantindo benefícios básicos e fundamentais.
O que há hoje é um excesso de regras. Isso é
um incentivo ao não cumprimento”.
Estudo divulgado
por professores das universidades americanas de Yale e Harvard,
com apoio do Banco Mundial (Bird), mostra que o Brasil tem a mais
rígida legislação trabalhista entre 85 países.
Na pontuação
que leva em conta aspectos da lei como flexibilidade dos contratos
de trabalho, condições de emprego e segurança
no emprego (custos de demissão), o Brasil figura com 2,4
pontos, superior às de Moçambique (2,23) e do Kazaquistão
(2,07). Japão e Estados Unidos tiveram 1,42 e 0,92 ponto,
respectivamente, na mesma escala de rigidez. Chile e Argentina,
aparecem com 1,56 e 1,55 ponto no mesmo ranking. “O estudo
constata o quê quem está no dia-a-dia das empresas
já conhece bem” diz o presidente do Centro das Indústrias
do estado de São Paulo (Ciesp), Cláudio Vaz.
Tanto Vaz quanto
Pastore, cobram uma ação mais efetiva do governo para
acelerar o processo de reforma trabalhista. “O governo já
perdeu bastante tempo e o Fórum até aqui se ateve
a questões formais, distante da realidade”, diz Vaz.
(O Globo)
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