SP tem menor taxa de desemprego em cinco anos

Após dois meses de estabilidade, o desemprego na região metropolitana de São Paulo voltou a cair em novembro, segundo pesquisa divulgada pela Fundação Seade e pelo Dieese. A taxa de 16,4% é a mais baixa desde janeiro de 2001.

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SP tem menor desemprego em cinco anos

Após dois meses de estabilidade, o desemprego na região metropolitana de São Paulo voltou a cair em novembro, segundo pesquisa divulgada ontem pela Fundação Seade e pelo Dieese. No mês passado, o desemprego atingiu 16,4% da PEA (População Economicamente Ativa), menor taxa desde janeiro de 2001, quando havia ficado em 16,3%.

Considerando apenas os meses de novembro, que têm as mesmas características sazonais, também foi a menor taxa verificada desde 2000, quando estava em 16,2%. Em setembro e outubro deste ano, o índice de desemprego do Dieese ficou estável em 16,9%.

O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, disse que a queda pode ser explicada pela elevação do nível de ocupação, que estava estagnado havia seis meses. "Os principais setores da economia geraram emprego em novembro, o que derrubou a taxa de desemprego", disse Lúcio.

Até a indústria, que sazonalmente não abre vagas neste período do ano, gerou 25 mil postos de trabalho em novembro. "Esse comportamento é resultado do atraso das encomendas do comércio à indústria, o que manteve o ritmo de produção aquecido por mais tempo", afirmou Lúcio.

O comércio, embalado pelas contratações temporárias de fim de ano, foi o setor que mais abriu vagas: 31 mil. O setor de serviços criou 29 mil postos. O chamado outros setores, inclui construção civil e serviços domésticos, criou mil empregos no mês passado. Com esse movimento, a Fundação Seade-Dieese mediu a criação de 86 mil vagas em novembro, o que compensou a entrada de 43 mil pessoas em busca de trabalho na PEA.

Na comparação com novembro de 2004, quando a taxa estava em 17,4% da PEA, houve redução de 5,7% no desemprego. Essa queda é reflexo da criação de 101 mil ocupações nos últimos 12 meses, já que a PEA não mudou de tamanho de lá para cá, é estimada em 10,051 milhões de pessoas.

"Como 2004 foi favorável, muitas pessoas passaram a procurar emprego e pressionaram o mercado de trabalho. A pressão foi menor neste ano, e todos os postos abertos foram absorvidos pelo contingente de desempregados", disse Lúcio.

Pelas previsões dos técnicos do Seade-Dieese, a taxa de desemprego de novembro deve se repetir em dezembro. Com isso, a taxa média do ano de 2005 deve variar de 17,3% a 17,4%. Se confirmada a previsão, será a segunda vez, desde 2001, que haverá queda no desemprego. A primeira vez ocorreu em 2004, quando a taxa média recuou para 18,7%, após atingir 19,9% em 2003 e 19% em 2002.

Para 2006, os técnicos da Fundação Seade e do Dieese foram cautelosos ao arriscar uma previsão sobre o comportamento do emprego. "Se o Banco Central intervir para melhorar o câmbio, se os juros continuarem em queda e o governo ampliar os investimentos, o crescimento econômico será maior em 2006 e deverá reduzir a taxa de desemprego", afirmou Alexandre Loloian, coordenador de pesquisas do Seade.

(Folha de S. Paulo – 21/12/05)

   

Renda média cai 33% em dez anos, diz Dieese

A queda do desemprego não ajudou a recuperar o poder de compra dos salários da região metropolitana de São Paulo. Prova disso é que a renda média do trabalhador ocupado atingiu R$ 1.062 em outubro, valor 32,7% inferior ao de outubro de 1995, que equivalia hoje a R$ 1.579, segundo pesquisa Seade/ Dieese.

Considerando apenas os meses de outubro, o resultado deste ano corresponde ao mesmo patamar de 2003, quando a renda média era de R$ 1.061. "Isso é muito ruim, pois em 2003 estávamos no fundo do poço, com o desemprego em alta e a renda em queda", afirmou Alexandre Loloian, coordenador de pesquisas do Seade.

Loloian disse que o achatamento salarial foi maior para a parcela da população incluída na faixa dos 10% mais ricos. Para essa parcela, a renda média recuou de R$ 3.257 em outubro de 1995 para R$ 2.212 em outubro deste ano (queda de 32,29%). Na faixa dos 10% mais pobres, a perda salarial foi de 12,28% no mesmo período, ao passar de R$ 399 para R$ 350.

(Folha de S. Paulo – 21/12/05)

   
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