Setor formal abriu 291 mil novas vagas no mês de maio

O mercado de trabalho formal ganhou 291.822 mil vagas no mês passado, informou ontem (23/06/04) o Ministério do Trabalho. Esse foi o saldo positivo verificado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e é o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 1992. Um terço das novas vagas foram abertas na indústria e um terço na agricultura - nesse setor, o movimento é típico para esta época do ano. Ao todo foram abertos mais de 1,031 milhão de postos contra o desligamento de 739,4 mil vagas. No resultado acumulado do ano, o cadastro registrou a expansão de 826,7 mil empregados no mercado de trabalho.

O Caged é formulado a partir das informações que as empresas enviam ao Ministério do Trabalho relativas às admissões, demissões ou transferência dos empregados regidos pela CLT. Tradicionalmente, o resultado de maio é afetado por fatores sazonais positivos, provenientes, principalmente, do ciclo agrícola no centro-sul do país.
Esse efeito sazonal é verificado na análise do emprego por setor de atividade econômica. A agricultura apresentou a maior variação proporcional de abertura das novas vagas, com 6,67% - o que representou um saldo positivo de 86,859 mil postos criados.

Os dados de maio também mostram um fortalecimento do setor da construção civil que gerou, em termos líquidos, 14,664 mil postos de trabalho. O crescimento nesse caso foi de 1,3% sobre o verificado em abril, mas no acumulado do ano a construção civil ampliou em 4,64% sua oferta de emprego. "Isso já é conseqüência dos investimentos que estão sendo feito em saneamento básico, habitação popular e infra-estrutura que o governo está realizando", justificou o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini.

Ele espera que os dados do Caged reflitam de maneira positiva nos níveis de desemprego medidos pelo IBGE e pelo Dieese relativos ao mês passado. "É possível entrarmos em um ciclo de queda de desemprego. Ou seja, demanda por emprego inferior à geração de novos postos de trabalho", afirmou.

O ministro salientou ainda que os dados do cadastro mostram a retomada da atividade econômica vinculada ao consumo interno, além das exportações. "Vários segmentos da economia, tanto o comércio quanto a indústria, já apontam a retomada nas vendas. Acredito que há um ciclo de retomada do crescimento, manifestada por meio do nível de empregos formais, que são os de maior qualidade porque, junto com eles, vêm a proteção social, previdenciária e os demais direitos trabalhistas."

O Caged mostrou ainda que o emprego no interior do país continua crescendo mais do que nas regiões metropolitanas. Nos pequenos e médios municípios foram criados 181,900 mil empregos e nas oito maiores áreas metropolitanas, 61,668 mil. Esse desempenho pode ser explicado, entre outros fatores, pelo fortalecimento das admissões realizadas pela indústria de alimentos e bebidas, que se concentra fora das regiões metropolitanas.

Em termos regionais, o Caged destaca o desempenho dos Estados de São Paulo, com o saldo de 113,7 mil vagas (0,85%), Minas Gerais (54,9 mil ou 2,15%) e Paraná (25,1 mil ou 1,05%). No conjunto das nove principais áreas metropolitanas, a variação média foi de 0,62% (61,6 mil postos), enquanto nos municípios não pertencentes a essas áreas, houve saldo de 181,9 mil postos.

(Valor – 24/06/04)

   
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