Encontros criam planos nacionais para juventude

Márcio Santana
Do Conexão Aprendiz

Com o objetivo de colher subsídios para a elaboração de um Plano Nacional da Juventude e para um provável Estatuto da Juventude, o governo federal, pela primeira vez na história, desde setembro de 2003 vem organizando encontros com representantes da juventude de todo o país.

O primeiro encontro, que aconteceu em 23 de setembro do ano passado e recebeu o nome de Semana Nacional do Jovem, reuniu mais de 120 instituições e movimentos juvenis, além de lideranças partidárias, representantes estudantis, autoridades nacionais e representantes de organizações internacionais como, Unesco, Organização Ibero-Americana da Juventude e institutos da juventude do Chile, Portugal e Espanha. Também estiveram presentes autoridades governamentais, pesquisadores e estudiosos do assunto.

Desse encontro nasceu um Relatório Preliminar com opiniões e sugestões de todos os participantes. Esse mesmo documento teve como objetivo provocar e estimular os jovens de todas as regiões do país a participarem das Conferências Nacionais da Juventude.

A partir daí, outros encontros foram realizados em todas as capitais do Brasil. Em São Paulo, uma conferência aconteceu entre os dias 29 e 30 de abril de 2004. O evento também contou com a participação de deputados e de várias instituições juvenis e de educação de quase todo o estado de São Paulo.

Entre os presentes na ocasião, o deputado Alberto Turco Loco Hiar colocou em uma de suas falas que “o jovem está cada vez mais em busca de uma sociedade melhor”. Por isso, “as discussões serão de extrema importância e muito ricas para a formação de um estatuto da juventude, ainda inexistente”.

A Conferência foi dividida em grupos de trabalho com os seguintes temas: Trabalho, Desporto, Saúde, Sexualidade, Dependência Química, Família, Cidadania, Consciência Religiosa, Exclusão Social, Violência, Educação, Cultura, Meio ambiente e o Jovem como Minoria (deficiente, afro-descendente, mulher, índio, homossexual, jovem do semi-árido e jovem rural).

Os participantes decidiram realizar um outro evento para dar continuidade ao mesmo, pois além do tempo para as discussões ter sido curto, poderiam estar presentes no próximo encontro outras instituições, deixando assim o documento muito mais rico.

Esse segundo encontro aconteceu nos dias 21 e 22 de maio no largo São Francisco, centro de São Paulo. Dessa vez o evento foi organizado e coordenado por instituições juvenis, sem apoio da câmara dos deputados de São Paulo.

Todas essas discussões serão levadas para Brasília, na Conferência Nacional de Juventude, nos dias 16 e 18 de Junho em Brasília.

Leia mais:
- Educação é prioridade para jovens
- Qualificação profissional gera polêmica entre jovens

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Educação é prioridade para jovens

Por Andressa Munik
Do Conexão Aprendiz

Para dar continuidade ao evento realizado em São Paulo, no mês de abril, algumas instituições e organizações não governamentais se uniram novamente nos dias 21 e 22 de maio para finalizar a carta proposta sobre juventude que deverá ser enviada à Brasília em junho.

Dentre as discussões, inúmeros jovens relataram suas dificuldades para inserção no mercado de trabalho formal. E em função disso, tentaram elaborar propostas que refletem suas realidades.

Para suprir o desemprego e a falta de oportunidades, durante o evento foram discutidas alternativas de trabalho que vem sendo criadas, como por exemplo, feiras de artesanatos, cooperativas e incubadoras.

Porém, um aspecto interessante observado entre os jovens é que eles não estão preocupados só com o fato de ter um emprego, mas sim com uma boa formação, cada vez mais exigida pelo mercado de trabalho. Preocupados em aliar trabalho e educação, Roberto Vasquez, da Prefeitura de Santo André disse que “os jovens estão atrás da educação pelo trabalho e não educação para o trabalho. Eles têm a ânsia de aprender enquanto trabalham”, comentou.

Mas se já é difícil conciliar trabalho formal e educação, o que fazer quando se trata de trabalho informal. Por enquanto, a melhor solução encontrada pelos jovens para amenizar esse problema foi a criação de Incubadoras. A idéia é que se possa contar com a ajuda de ONGs para a implementação dos trabalho e de universidades para a contribuição da educação profissional.

A luta não pára por aí. Esses mesmos jovens paulistas se colocam como protagonistas desse processo e ainda reivindicarão políticas públicas que contemplem o mercado de trabalho durante o ano em que a cidade de São Paulo completa 450 anos.

   

 

 

Qualificação profissional gera polêmica entre jovens

Por Gláucia Cavalcante
Do Conexão Aprendiz

Aconteceu entre os dias 21 e 22 de maio de 2004 a segunda etapa da Conferência Estadual de Juventude. Várias questões foram colocadas em debate e uma delas foi a entrada do jovem no mercado de trabalho.

Um dos pontos mais polêmicos foi a proposta de mudança do Programa Primeiro Emprego do Governo Federal que além de ampliar o número de vagas, também deveria incluir junto ao trabalho uma formação educacional/profissional já que a duração de um jovem nesse programa geralmente é de curto prazo.

“Deve-se tomar cuidado para que o programa não se torne mão de obra barata pois a qualificação profissional é zero e somente a Lei de Aprendizagem possui essa formação”, afirmou Renato Nogueira dos Santos, integrante do programa Central da Juventude da ONG CPA – Centro de Profissionalização de Adolescentes. Na Lei de Aprendizagem, o adolescente tem a formação prática paralela à formação profissional que acontece fora da empresa em alguma instituição formadora.

Já Raul Araujo, coordenador de projetos da ONG Mudança de Cena, considera que a formação profissional é um direito de todos os jovens, “após os 18 anos, o jovem que não tem dinheiro para pagar uma faculdade ou um curso técnico para conseguir um estágio, acaba buscando alguma forma de gerar renda sem a oportunidade de se qualificar”, concluiu.

A Conferência foi organizada por 50 entidades e contou com a participação de várias instituições, movimentos juvenis e órgãos governamentais de diversas cidades de São Paulo. Várias propostas de políticas para a juventude foram criadas e serão levadas à Conferência Nacional nos dias 16 e 18 de junho em Brasília para a criação do Plano Nacional de Juventude.

   
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