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Setor
público oferece estabilidade de carreira
Cada vez mais
cresce o número de profissionais que abandona o setor privado
e busca uma oportunidade no público por uma carreira mais
estável.
Leia
mais:
Sonho de Funcionalismo
Márcio,
de 41 anos, é engenheiro, mas quer ser auditor. André
de 24, trocou a mecânica pela Previdência. Paulo Victor,
de 19, adiou a entrada na faculdade para tentar uma vaga no Tribunal
Regional Eleitoral. Apesar da diferença de idade, os três
tem em comum o interesse pelo funcionalismo público.
Segundo o Centro
de Seleção e Promoção de Eventos da
Universidade de Brasília, maior organizador de concursos
federais do país, só nos primeiros 4 meses de 2005
foram realizados 41 exames (o mesmo número de todo o ano
de 2002) para preencher 8.597 postos. O número de inscritos?
Mais de 600 mil.
“Apesar
de o governo Lula manter a política econômica do governo
anterior, ele está ampliando o Estado”, avalia Francisco
Fonseca, professor da Fundação Getúlio Vargas.
Com as demissões no setor privado, a classe média
está voltando a ver as repartições públicas
como empregos seguros, como nos anos 40 e 50.
Marcio Alberto
Antoni começou a estudar para concursos há dois anos.
“Ainda não estou preparado. Termino a última
matéria e preciso retomar a primeira. Virei m equilibrista
de pratos: na hora em que um deles está caindo, tenho de
ir lá e mexer.” Segundo ele, os gastos com apostilas,
aulas e material já somam R$ 5 mil.
Fabio Gonçalves,
vice-presidente da Associação Nacional de Proteção
e Amparo aos Concursos, afirma que os cem cursinhos preparatórios
do país crescem 40% ao ano e já movimentam R$ 100
milhões por ano. “O concurso é uma forma democrática
de acesso”, define José Luis Romero Baubeta, diretor
da Central de Concursos.
Paulo Victor
Leonel terminou o ensino médio há um ano e nem quis
saber de vestibular. “Quero fazer um concurso de nível
médio”, diz. “Depois eu entro na universidade.”
André Otsuka Takiy já chegou lá. Há
um mês, assumiu o cargo de técnico previdenciário
do INSS, um dos mais procurados pelos candidatos de nível
médio. Como já tem curso superior, quer agora “passar
num concurso melhor”.
(Época
– 24/05/05)
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