IBGE vê melhora no emprego

O desemprego em abril ficou estável em 10,4% em relação a março. O índice não recuou, mas foi o mais baixo para um mês de abril desde o início da série da pesquisa do IBGE (2002). A qualidade do mercado de trabalho avançou, com mais empregos formais e rendimentos maiores, movimento liderado por São Paulo.

Nas regiões pesquisadas, o rendimento de R$ 1.012,50 em abril foi o maior no governo Lula, mas ainda inferior ao do último ano do governo Fernando Henrique.

"A expectativa era que a desocupação recuasse em abril, mas já foi um ganho ter ficado estável. Não houve frustração. As expectativas é que eram muito otimistas", pondera o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), Cimar Azeredo. Para o técnico, a taxa de desocupação deverá voltar a cair em maio, levando em conta o avanço do emprego com carteira assinada e da remuneração, e a análise da curva de desocupação ano passado, que cedeu a partir deste mês.

O técnico do IBGE destacou que os resultados foram, de forma geral, favoráveis, porque mostram maior emprego formal nas regiões metropolitanas pesquisadas (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife). O emprego com registro avançou 0,9% ante março e 5,2% ante abril de 2004. Já o rendimento médio mensal cresceu 0,4% (descontada a inflação) ante o mês anterior e 4,7% ante abril de 2005.

A renda média de R$ 1.012,50 em abril ficou pouco acima da de janeiro de 2003 (R$ 1.011,42, em valor atualizado). A maior remuneração da nova série da PME foi em julho, de R$ 1.143,86. Segundo o técnico do IBGE, a melhor comparação é com igual mês. Ainda assim, o salário em abril de 2002 (R$ 1.077,02) também supera o do último abril. Um dos motivos dos ganhos de rendimento foi justamente o avanço da formalização.

Comparado com abril de 2004, o pessoal ocupado cresceu 1,4% (mais 281 mil postos). No setor privado, foram mais 412 mil empregos com carteira assinada no País e menos 196 mil sem carteira. Com relação a março, o total ocupado recuou 0,4%, o que indica estabilidade, segundo o IBGE.

Para Azeredo, não foram criados novos postos "por uma questão de cautela". Para o especialista do Ipea, Marcelo Ávila, o mercado ainda não decolou em quantidade de vagas. "Ainda não houve uma faísca para ignição no mercado de trabalho em abril. Acho que pode ocorrer em maio", diz Ávila.

O economista do Ipea alerta que nos primeiros quatro meses do ano houve um corte de 377 mil vagas nas regiões pesquisadas, 105% acima do ano anterior. "Não quer dizer que o mercado está indo ladeira abaixo. Há uma modificação no mercado de trabalho, com avanço, de fato, de empregos com maior qualidade", dz Ávila.

Os dados do IBGE mostram que a melhoria da qualidade foi puxada pela região metropolitana de São Paulo, onde estão 8,4 milhões das 19,9 milhões de pessoas ocupadas nas seis regiões da pesquisa. Em São Paulo, o emprego formal cresceu 6,5% ante abril do ano passado (mais 232 mil vagas) e o rendimento médio avançou 7,5% (para R$ 1.171,40).

(O Estado de S. Paulo – 26/05/06)

 

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