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Cargos e funções
ganham novos nomes
As empresas mudam com
o passar do tempo, e com elas os cargos de seus executivos. Há
alguns anos, não se ouvia falar em diretor de Talentos Humanos
- nome que algumas empresas dão para o RH - ou superintendente
de Responsabilidade Social, área recém-criada na maioria
das companhias.
Vanda Pita, por exemplo,
ocupa o segundo cargo citado há quatro anos no Banco Santander.
"Até hoje me perguntam o que faço, pois a função
é associada apenas a doação. Só que
hoje deixou de ser apenas filantropia, para termos projetos avaliados
e monitorados periodicamente", afirma.
Antes disso, ela trabalhava
na comunicação interna do banco. "Foi um grande
desafio assumir a nova área, porque o banco hoje pode até
não atuar com o meio ambiente, mas somos responsáveis
indiretamente quando oferecemos crédito a um projeto que
pode causar impacto."
De acordo com Francisco
Ramirez, sócio e vice-presidente da Fesa, que seleciona executivos,
áreas como a de Responsabilidade Social e de Relações
com Investidores nasceram por causa da necessidade de transparência
e da Governança Corporativa: "O valor das ações
aumenta à medida que a empresa é capaz de mostrar
que o dinheiro é gerido de forma séria."
Já no resort Pousada
do Rio Quente, em Caldas Novas (GO), todos os funcionários
são chamados de associados. "Acreditamos que a empresa
entra com o capital financeiro e a pessoa com a força de
trabalho; então, somos sócios, e isso cria uma relação
muito melhor", conta Geraldo Rodrigues França, coordenador
de Talentos Humanos, cargo também com um nome diferente do
comum.
França diz que
a nomenclatura deixou de ser Recursos Humanos, pois a empresa trata
o empregado como alguém pensante e que se desenvolve, não
um simples recurso material. "Apoiamos a liderança educadora,
a participação dos funcionários e acreditamos
que cada um tem um talento a ser explorado."
A mudança passa
longe de modismo e é adotada também por um dos acionistas
da empresa, o Grupo Algar: "Não é para iludir
o associado, pois o tratamos com transparência, ele pode opinar
num comitê, recebe treinamentos e participação
nos resultados."
A mudança na denominação
do cargo quase sempre vem acompanhada de novas funções,
afirma Ramirez. No RH, a história é curiosa, já
que a área, na década de 50, era chamada de Departamento
Pessoal. "Nessa época, o chefe precisava conhecer muito
a questão legal da recém-criada CLT e cuidava dos
registros trabalhistas."
Depois, passou a ser
chamado de Relações Industriais, com o aparecimento
dos sindicatos, e só na década de 80 passou a ser
RH. "Aparecem novas funções, como treinamento,
recrutamento e benefícios, com uma equipe muito maior de
especialistas para cada área, de psicólogos a economistas."
Hoje, novos nomes aparecem,
como Gestão de Pessoal , Talentos ou até Capital Humano.
"A pessoa de RH também muda, e passa a fazer parte da
construção não só de uma equipe, mas
da competitividade da empresa, algo estratégico."
A área de tecnologia
é outro exemplo de mudança. O gestor da área
já foi chamado de gerente de Centro de Processamento de Dados,
gestor de Tecnologia da Informação e agora Chief Information
Officer, ou diretor de Informação. "Ele deixou
de ser uma pessoa que apenas fazia relatórios para definir
que tecnologias deixarão a empresa mais competitiva e trarão
mais resultados financeiros", diz Ricardo Porto, sócio
da Phoenix Consultoria em Desenvolvimento Humano.
(O Estado
de S.Paulo – 26/01/06)
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