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TRTs legalizam trabalho de jovens
com menos de 16 anos
O Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA), na vontade de proteger ao
máximo crianças e adolescentes, pode ter deixado uma
brecha para que reconheça o trabalho infantil no país.
Alguns Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) começam a utilizar
um artigo da lei para garantir a legalidade de menores de 16 anos
em trabalho doméstico, sem nenhum vínculo empregatício.
Leia
mais:
Idéias
que se transformam em lucros
Empresas investem
em inovação e ganham com projetos desenvolvidos por
seus funcionários.
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mais:
TRTs aceitam legalidade de trabalho de menor de 16
Comemorado até
hoje como uma das leis mais bem escritas do país, o Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA), na vontade de proteger
ao máximo os menores, pode ter deixado uma brecha para que
reconheça o trabalho infantil no país. Alguns Tribunais
Regionais do Trabalho (TRTs), segundo a sub-procuradora-geral do
Trabalho, Eliane Araque, começam a utilizar um artigo da
lei para garantir a legalidade de menores de 16 anos em trabalho
doméstico, sem nenhum vínculo empregatício.
Eliane espera
aproveitar o momento de discussões sobre maioridade penal
e de incremento de restrições mais pesadas aos menores
infratores - defendida pelo governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin - para corrigir, em seu entendimento, essa falha no estatuto.
"É inconcebível que uma lei feita para proteger
as crianças tenha um artigo que permita o trabalho infantil
doméstico", diz. Ela explica que todo o problema está
no artigo nº 248 do ECA, que estabelece multa administrativa
se os responsáveis por adolescentes trazidos para a prestação
de serviços domésticos não regularizarem a
guarda do menor. "Esse argumento começa a ser utilizado
em alguns acórdãos da Justiça do Trabalho para
reconhecer o trabalho doméstico de menores de 16 anos, o
que é totalmente proibido, inclusive por convenção
da Organização Internacional do Trabalho (OIT)",
afirma.
A sub-procuradora
diz ainda que nessas decisões ainda há a dispensa
dos direitos trabalhistas do menor, já que o artigo do ECA
apenas estabelece a obrigação da resolução
da sua guarda, e não de reconhece a relação
de emprego.
A discussão
ainda não chegou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST),
mas é um contrasenso em relação à política
governamental de prevenção e erradicação
do trabalho infantil. "Já apresentamos nossa proposta
de alteração à Câmara dos Deputados e
acredito que haverá uma disposição em corrigir
essa falha", diz Eliane.
Ela acredita
que o momento de discussão da violência juvenil vem
a calhar. "A violência juvenil e o trabalho infantil
têm as mesmas causas: a falta de estrutura familiar, educacional
e social", diz. Ela afirma também que pode haver uma
relação causal entre elas. "Há um amplo
estudo da Universidade de São Paulo (USP) que comprovou que
a maioria dos menores infratores já passou por experiências
de trabalho infantil, o que reforça ainda mais a necessidade
de coibir o trabalho de menores de 16 anos, por si só algo
abominável."
A sub-procuradora
afirma ainda que aos poucos começam a aparecer resultados,
mesmo após a divulgação de que o trabalho de
crianças entre 10 e 14 anos aumentou em 50% nos nove primeiros
meses do ano. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o número absoluto de menores nessas condições
nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil passou
de 88 mil para 132 mil. "Há muitas experiências
dos fóruns de prevenção e erradicação
do trabalho infantil que começam a dar bons resultados em
parceria do Ministério Público do Trabalho com diversos
órgãos e instituições nos Estados",
afirma. Para ela, com maior vontade política, união
de instituições e a pequena mudança que falta
no ECA, surgirão meios para reduzir o problema. A Procuradoria
Geral do Trabalho (PGT) está com pedidos de complementação
no orçamento da União para 2004, pedindo R$ 3 milhões
em diversas emendas de deputados para aumentar o combate ao trabalho
infantil e escravo.
(Valor –
24/11/03)
Idéias que se transformam em lucros
Cansado de ficar
a pé no meio dos trilhos da Ferrovia Centro- Atlântica,
sempre que moleques ou ladrões de cargas puxavam as alavancas
de desengates dos vagões, o maquinista Carlos Antonio Pinto,
da Ferrovia Centro-Atlântica FCA), criou uma trava para impedir
a ação dos vândalos. A idéia, que a concessionária
está tirando do papel, põe fim a um problema histórico
que atinge toda amalha ferroviária brasileira.
A história
de Pinto guarda uma semelhança com a do mecânico Isael
Claudino, da Volkswagen, que achou um jeito de evitar o desperdício
de água nas cabines de pintura das linhas de montagem da
fábrica de Taubaté. Gota a gota, a montadora vai economizar
mais de R$ 700 mil por ano.
Inovação
é o conceito presente nos dois casos, que ainda comprovam
uma regra na qual, intuitivamente, todo executivo crê, mas
só agora começa a ser incorporada aos manuais de administração:
boas idéias surgem em qualquer área da empresa, mas
só rendem lucros quando são bem aproveitadas. Uma
pesquisa recente da consultoria Monitor Group, feita com presidentes
e grandes corporações brasileiras, mostra que 96%
deles consideram a inovação essencial para atingirem
suas metas e objetivos, mas 55% estão insatisfeitos com o
processo de gestão de idéias em suas organizações.
“A abertura
comercial crescente do País tem obrigado as empresas a se
preocuparem mais com a inovação”, explica o
sócio da Monitor no Brasil Fernando Musa. Mesmo assim, o
consultor Antonio Carlos Teixeira, que lançou na semana passada
o livro Inovação – Como criar idéias
que gerem resultados, acredita que o Brasil ainda perde muito em
competitividade por não contar com boas políticas
de estímulo e proteção da propriedade intelectual.
“A partir do momento em que uma inovação é
colocada na rua, ela está ficando obsoleta”, afirma
o consultor.
A pesquisa da
Monitor Group revela, por exemplo, que os executivos brasileiros
já identificam entre empresas nacionais suas referências
sobre o tema – nomes como Natura, Embraer, TAM e Votorantim
foram alguns dos mais citados pelos entrevistados. Ganhos –
O País já conta com exemplos como o da Braskem, que
há quase um ano investiu R$ 300 milhões na criação
do Centro de Inovação, onde desenvolveu, por exemplo,
o polietileno de alta densidade e ultra- alto peso, um material
tão versátil que pode ser usado em coletes à
prova de balas, suporte para cortar carne ou em filtros industriais.
Hoje, a empresa
brasileira é a segunda maior fabricante mundial do produto,
cuja demanda está em pleno crescimento. “No nosso caso,
cada real investido em pesquisa e desenvolvimento tem se revertido
em ganhos dez vezes maiores”, afirma o diretor do Centro de
Inovação Braskem, Luís Fernando Cassinelli.
Outra empresa
que pôs na ponta do lápis seus ganhos com as idéias
dos funcionários foi a Volkswagen, que avalia em R$ 10 milhões
as economias proporcionadas pelos funcionários nos dois anos
do Programa Geração de Idéias. Em contrapartida,
foram distribuídos R$ 592 mil em premiações.
“Já recebemos mais de 9 mil idéias e o volume
continua aumentando”, comemora o supervisor do programa da
Volkswagen, Marcelo Cavalcanti.
O mecânico
Claudino recebeu o maior bônus pago pela montadora, de R$
33 mil, pela sugestão de utilizar uma bandeja para impedir
o desperdício de água nas cabines de pintura. “Perdíamos
por dia o equivalente ao consumo de cem casas de família”,
conta Claudino. “Só que ninguém tinha feito
essa conta.” O maquinista da FCA Carlos Antonio Pinto não
precisou sequer fazer cálculos para acender a lâmpada
da criatividade, pois sentiu várias vezes na pele o problema
do desengate dos vagões. “Às vezes o trem pára
no meio de cidades, interrompe o trânsito e as pessoas xingam
o maquinista”, lembra ele, que dedicou três anos ao
aperfeiçoamento da peça que impede que os vagões
se soltem.
Tanto o maquinista
quanto o mecânico continuam em busca de novas idéias
para suas empresas, cientes de que são capazes de fazer mais
do que seus ofícios exigem. Claudino, aliás, já
se tornou conhecido por pregar na fábrica, no melhor estilo
dos gurus empresariais, que “não há nada no
mundo que seja tão bom que não possa ser melhorado”.
(O Estado
de S. Paulo – 25/11/03)
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