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Especialidade
médica é colocada em xeque
O Brasil passa
a fiscalizar e a estimular, a partir de abril de 2005, a educação
continuada de seus médicos por meio de uma avaliação
periódica. Uma resolução do Conselho Federal
de Medicina determina que médicos especialistas comprovem,
a cada cinco anos, que participaram de atividades de atualização
médica. A prova da participação nessas atividades
permite a revalidação do título de especialista.
Leia
mais:
Especialidade médica é colocada em xeque
A exemplo do
que já ocorre em muitos países, o Brasil passa a fiscalizar
e a estimular, a partir de abril de 2005, a educação
continuada de seus médicos por meio de uma avaliação
periódica.
Uma resolução
do Conselho Federal de Medicina determina que médicos especialistas
comprovem, a cada cinco anos, que participaram de atividades de
atualização médica, como congressos, cursos
e debates.A prova da participação nessas atividades
permite a revalidação do título de especialista,
em geral concedido pelas associações de especialidade
médica.
O profissional
que não se submeter à revalidação não
será reconhecido pela associação correspondente,
mas ainda terá a chance de passar por uma avaliação
que comprove a aquisição dos novos conhecimentos.
"O título de especialista não pode ser permanente.
Se o paciente vai a um médico que não se atualiza,
recebe a mesma medicação de anos anteriores",
diz Roberto Luiz D'Ávila, diretor-corregedor do Conselho
Federal de Medicina.
A legislação
brasileira não exige do médico especialização
para clinicar numa área restrita. Ou seja, um cardiologista
pode usar o título sem ter passado pela especialização
médica ou pela residência.
O Conselho Federal
de Medicina tenta, há 15 anos, alterar a lei, que é
de 1957. "Mas, agora, ele não poderá se chamar
de especialista se não passar pela revalidação",
diz D'Ávila, que calcula em 300 mil o número de médicos
no país.
Há um
ano o hospital Sírio-Libanês criou seu Instituto de
Ensino e Pesquisa (IEP), com 12 cursos de especialização
e cerca de dez de atualização médica voltados
tanto para o público interno como para o externo. O hospital
conta com cerca de 2.500 profissionais, que têm descontos
nas mensalidades cobradas pelo IEP.
"Nossa
proposta é trabalhar uma reflexão da prática,
discutir e buscar novos conhecimentos. A aprendizagem tem de ser
significativa, não para contar pontos para a revalidação
do título", defende Roberto Padilha, diretor-executivo
do Instituto.
A importância
de acompanhar de perto as formas de avaliação e de
atualização dos médicos está vinculada
à qualidade da educação que lhes é oferecida.
A novidade pode dar vida a cursos oportunistas, dispostos a tirar
proveito da necessidade do profissional. "Esse é o nosso
grande medo. Hoje existem cursinhos até para a residência
médica. Mas cada sociedade científica ficará
responsável pelos critérios de avaliação
de seus médicos", diz D'Ávila.
O cirurgião
plástico Ewaldo Bolívar, 62, terminou seu doutorado
sobre gordura em dezembro, na Universidade Federal do Paraná,
e diz que a educação continuada não é
"para fazer "média", mas obrigação
do profissional".
O currículo dele, conta com orgulho, pesa 27,5 kg. "Participo
de congressos no Brasil e no exterior e assino revistas sobre cirurgia
plástica para estar sempre atualizado. Acho que a resolução
só trará benefícios."
(Folha
de S. Paulo - 28/02/05)
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