Taxa de desemprego fica praticamente estável em março, aponta IBGE

Sob impacto do bom desempenho do mercado de trabalho em São Paulo, a taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país ficou estável em março. O rendimento voltou a subir.

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Indústria e SP sustentam criação de vagas

Sob impacto do bom desempenho do mercado de trabalho em São Paulo, a taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país ficou estável em março e o rendimento voltou a subir, 1,7% ante março de 2004, na sétima alta consecutiva.

Em março passado, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apurou uma taxa de 10,8%. Em fevereiro, a taxa havia sido de 10,6%. A variação é considerada estatisticamente desprezível pelo instituto. Na comparação com março de 2004, quando a taxa fora de 12,8%, houve queda de dois pontos percentuais.

Das 129 mil vagas abertas de fevereiro a março, 123 mil foram criadas na região metropolitana de São Paulo, especialmente pela indústria (73 mil postos) e saúde e educação (80 mil). O número de pessoas empregadas no conjunto das regiões subiu 3,9% em relação a março de 2004. A alta foi de 0,7% sobre fevereiro.

Para o IBGE, o resultado de março é bem favorável porque historicamente a taxa de desemprego se mantém em trajetória contínua de crescimento até maio ou junho, quando começa a recuar. Neste ano, se estabilizou antes desse período.

"Isso mostra que o ponto de inflexão (queda da taxa) pode ocorrer antes do que é habitual", disse Cimar Azeredo Pereira, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. De acordo com ele, os sucessivos aumentos de juros desde setembro de 2004 ainda não interferiram na trajetória de recuperação do mercado de trabalho. Os dados da indústria, setor dos mais sensíveis à política monetária, reforçam o argumento.

O emprego no setor subiu 2,3% na comparação com fevereiro e 8,5% em relação a março de 2004, puxado por São Paulo.

O movimento de recuperação da indústria, dizem especialistas, explica a expansão da renda pelo sétimo mês seguido e das contratações formais. A indústria paga os melhores salários e é o ramo que contrata mais formalmente.
O emprego com carteira cresceu 6,2% na comparação com março de 2004. É a maior alta já registrada desde o início da série histórica do indicador, em março de 2003.

Mesmo em expansão, o rendimento está longe de atingir os patamares do começo de 2003 ou de 2002. Na média, ficou em R$ 945,20, em março de 2002, era de R$ 1.025,62. A renda subiu 0,5% em relação a fevereiro.

O resultado da pesquisa do IBGE vai na linha da feita pela Fundação Seade e o Dieese na região metropolitana de São Paulo. Divulgados anteontem, os dados também apontaram que a indústria sustentou o mercado de trabalho em março. A taxa passou de 17,1% em fevereiro para 17,3% no mês passado -alta menor que a esperada.

Para Marcelo de Ávila, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os dados da pesquisa do IBGE "são surpreendentes" e podem ser enxergados com "otimismo". Ele fez uma ressalva: o possível efeito negativo do juro mais alto ainda não foi sentido pelo mercado de trabalho, pois há uma defasagem "de mais de seis meses" para observar os reflexos.

(Folha de S. Paulo – 28/04)

   
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