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Eles
mal começaram e já têm preocupações
de executivos
O objetivo da
maioria dos programas de trainees é encontrar jovens recém-saídos
das salas de aula da faculdade para formá-los líderes
nos corredores das empresas. Mas a idéia de marinheiros de
primeira viagem no mundo corporativo não combina com o perfil
dos escolhidos para os principais programas de trainees do país.
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Eles mal começaram e já têm preocupações
de executivos
O objetivo da
maioria dos programas de trainees é encontrar jovens recém-saídos
das salas de aula da faculdade para formá-los líderes
nos corredores das empresas. Mas a idéia de marinheiros de
primeira viagem no mundo corporativo não combina com o perfil
dos escolhidos para os principais programas de trainees do país.
Um currículo profissional consistente, levando em conta a
pouca idade dos inscritos, e uma formação acadêmica
que, muitas vezes, vai além da faculdade de primeira linha,
ajuda a ganhar pontos e é bem mais comum nos candidatos de
hoje do que há dez anos. "A evolução e
as exigências do mercado vêm gerando trainees mais preparados",
diz Paulo Fassina, executivo de recursos humanos da C&A, empresa
que começou a receber trainees há quase duas décadas.
Fassina, assim como boa parte da gerência e vários
executivos da rede de lojas, começou neste posto.
Como a possibilidade
de chegar a um cargo estratégico é grande, hoje a
disputa nos programas de trainees é bem mais que acirrada.
Em alguns deles, a proporção chega a mais de mil candidatos
por vaga. Por isso, os currículos são cada vez mais
extensos. "A média de idade aumentou de 20 para 23 anos.
Em compensação, os candidatos já não
vêm tão crus quanto antes. Hoje, é difícil
aparecer alguém que tenha feito apenas faculdade", diz
Marli Manfrini, gerente de recursos humanos do Citibank, que mantém
um programa de trainees desde 1970 e recebeu cerca de 20 mil currículos
para 16 vagas no ano passado.
A engenheira
Claudia Hoshiba, de 24 anos, foi uma das escolhidas no Citibank.
Formada pela Escola Politécnica de Engenharia da Universidade
de São Paulo (USP), Claudia tem um currículo invejável
para alguém que recebeu o diploma há menos de quatro
meses. Começou na empresa junior da Poli logo no primeiro
ano de estudos, foi estagiária no banco ABN, atuou nas áreas
de asset management e private banking do Santander, trabalhou na
consultoria Neuding Strategic Consulting, e começou um mestrado
na USP, ainda no quarto ano de engenharia. Mesmo com essa experiência,
Claudia preferiu deixar o cargo na consultoria para a vaga de trainee.
"É a melhor maneira de ganhar destaque cedo, adquirir
visão global de um negócio e receber investimento
da empresa", diz.
Dentro do conceito
mais estrito usado no mercado, trainee é quem se formou no
curso de graduação há, no máximo, dois
anos, e que vai ter sua primeira experiência relevante no
mercado de trabalho. Por isso, experiência profissional ou
acúmulo de títulos acadêmicos não são
obrigatórios para a inscrição. Quem já
conviveu em ambientes corporativos, no entanto, pode apresentar
vantagens desejáveis não só pela experiência
em si, mas pela mudança de comportamento que ela traz. "Estágio,
trabalho na empresa junior da faculdade ou mesmo um projeto de pesquisa
indica que o candidato tem noções sobre o 'modus operandi'
das corporações", diz Lais Passarelli, da Passarelli
Consultores. A empresa tem uma divisão dirigida para a busca
de jovens talentos, que conduz alguns dos principais processos de
seleção de trainees do país. "Isso faz
com que os candidatos cheguem aqui com mais desprendimento",
avalia Marli.
Como as qualidades
desejáveis mudam para cada empresa, esse mesmo traço
de comportamento pode ser resultado de outro tipo de vivência.
Experiência internacional foi o que diferenciou Cassio Giometti,
trainee da Marsh, multinacional na área de corretagem de
seguros. Um dos cinco escolhidos entre mais de 1000 candidatos,
Cassio ganhou uma bolsa em uma faculdade de administração
na Califórnia, onde também fez estágio em consultoria.
Ao voltar para o Brasil, conseguiu uma vaga como auditor financeiro
na Deloitte Touche Tohmatsu. Logo depois, cursou especialização
em economia financeira na Unicamp, até que veio a resposta
positiva da Marsh. "Acho que a experiência internacional
e a formação em outro idioma pesaram mais", avalia
Giometti. A especialização tão cedo na carreira,
embora tenha contribuído para o currículo de Giometti,
é vista com ressalvas por alguns profissionais de aconselhamento
em recursos humanos. "O ideal é ´sentir´
o mercado antes de investir em formação. Assim é
possível buscar algo realmente importante para seus objetivos
profissionais", diz Karin Parode, da Career Center, consultoria
de RH.
Por ser uma
empresa americana, a Marsh valorizou o diploma de Giometti nos Unidos.
"Ter boa formação, atitude, vivência internacional,
enfim, mostrar que procura conhecimento constante é essencial",
diz o presidente da corretora, Thomaz Cabral de Menezes, outro egresso
dos programas para recém-formados. "Nem que seja um
mês estudando, viver fora do Brasil é muito recomendável",
diz Lais. As qualidades desejáveis, no entanto, mudam de
empresa para empresa. "Por isso é importante que os
candidatos se informem antes e se preparem para o que estão
buscando", diz Karin.
Ainda que o
currículo ideal possa ser diferente em cada companhia, uma
das qualidades citadas por Menezes vale para todas: é a síntese
do que leva o candidato a sobressair-se. "Atitude", nas
palavras do CEO da Marsh no Brasil. "Visão de futuro,
capacidade de geração de mudança e foco em
resultados", segundo Fassina, da C&A. Poucos currículos
de peso vão além da dinâmica de grupo sem que
seus donos mostrem visão estratégica de negócios,
capacidade de trabalho em equipe e espírito empreendedor.
"Lidamos com centenas de trainees todos os anos. Posso dizer
que as qualidades comportamentais fazem a real diferença
no processo de avaliação", diz Lais.
(Valor Econômico
– 29/03/04)
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