Desempregados pagam caro na tentativa de recolocação

Em tempos que o desemprego se tornou o maior fantasma da vida da população brasileira, empresas utilizam a máscara de consultorias de recolocação e cobram caro de profissionais que buscam um novo trabalho, prestando serviços inadequados e, muitas vezes, divulgando vagas que não existem.

As empresas de recolocação surgem com a promessa de ser uma via de acesso para a população que está em busca de um novo trabalho. São profissionais que orientam o candidato para que ele aprenda a melhorar seu desempenho nos processos de seleção, currículos e entrevistas.

O serviço, que antes era direcionado apenas para executivos, tem se popularizado cada vez mais. No entanto, a Fundação Procon alerta os consumidores para que tomem cuidado na hora de contratar esse tipo de apoio, que está sendo alvo de muitas reclamações. Os casos têm acontecido em número tão significativo que a Manager, assessoria em recursos humanos que oferece vagas, colocou um aviso em seu site alertando sobre os acontecimentos.

Foi o caso de Viviane T., secretária, que estava desempregada quando um homem ligou, dizendo que havia recebido seu currículo e tinha uma excelente proposta de emprego. Ao comparecer para fazer a primeira entrevista, Viviane percebeu que não se tratava de uma empresa contratante e sim de uma consultoria.

“Fiz a entrevista, e os dois consultores me disseram que eu fui muito bem, tinha sido a melhor das candidatas e eles haviam me escolhido. Só faltava conversar com o diretor do banco”, conta Viviane. “No entanto, eles alegaram que não poderiam me encaminhar sem que eu fizesse um teste obrigatório, pelo qual foi cobrado R$ 450”. Nunca mais ligaram para a secretária.

Segundo Sonia Amaro, assistente de direção do Procon, é preciso que os candidatos avaliem se esse tipo de serviço vale a pena realmente. “Em todo o caso, o consumidor deve pesar os prós e contras de contratar esse tipo de serviço”, afirma Sonia. “Muitas vezes o candidato já está desempregado e passando por situação financeira complicada, e pode haver outras formas desse candidato conseguir a recolocação”, diz.

Sonia orienta os candidatos que decidirem contratar a empresas de recolocação a dar preferência para aquelas que cobram uma parcela do primeiro honorário caso o candidato encontre o emprego, ao invés das que cobram antecipadamente. Além disso, o Procon recomenda muita pesquisa para evitar cobranças abusivas e muita atenção com vagas “espetaculares”.

“É importante analisar se a empresa oferece ao consumidor aquilo que realmente anuncia”, diz. “Ela deve ser clara que irá fornecer as ferramentas para que o profissional consiga ressaltar características que facilitem sua entrada no mercado, mas que não garante esse ingresso”, completa.

Quem se sentir lesado de alguma forma, deve em primeiro lugar, procurar o Procon de sua cidade. A Fundação irá registrar a queixa, tentar resolver o problema e orientar o consumidor sobre quais são as estratégias para tentar recuperar o valor perdido.

(Cássia Gisele Ribeiro – 29/04/04)

   
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