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Mulher
recebe em média 5% a menos que o homem
Apesar de as
mulheres executivas estarem cada vez mais presentes no mercado de
trabalho, elas recebem, em média, 5% a menos que os homens
na mesma função e, ainda, não conseguem alcançar
níveis hierárquicos superiores. Estas foram as principais
conclusões da 3ª edição da Pesquisa de
Remuneração Total — Strategic Compensation Survey,
promovida pela Watson Wyatt, que apresentou, entre outros temas,
a proporção e o salário básico das mulheres
por nível hierárquico, área e segmento.
A proporção
de mulheres nos níveis executivos continua bastante baixa.
No nível gerencial apenas 18% são mulheres, enquanto
que no nível de CEO/Presidente a pesquisa da Watson Wyatt
encontrou somente 2% de mulheres. Segundo o diretor da área
de Human Capital da Watson Wyatt, Marcos Morales, a dificuldade
de crescimento profissional feminino ocorre em função
de um conjunto de motivos, entre os quais se destacam as responsabilidades
existentes fora do ambiente do trabalho e as interrupções
durante a carreira.
“A mulher,
por definição, tem outras preocupações,
além da vida profissional. Diferentemente do homem, que normalmente
consegue focar quase toda sua energia para o trabalho, as mulheres,
em geral, são mais requisitadas para se envolver em assuntos
familiares e extra-trabalho. Sua atividade empresarial é
compartilhada com diversas outras, como cuidar do lar, do marido,
dos filhos e do restante dos familiares. Além disso, suas
ausências durante e após a gestação tornam-se,
muitas vezes, um obstáculo para o seu progresso neste ambiente
empresarial cada vez mais competitivo”, explica.
A concentração
feminina ocorre, principalmente, na área de Recursos Humanos
(28%), seguida pelo setor comercial e administrativo financeiro
(17%). Já, os segmentos que mais as empregam são bens
de consumo (26%), farmacêutico, telecomunicação
e alta tecnologia (todos com 20% de mulheres). Em relação
à comparação da remuneração por
gênero, a pesquisa constatou haver mais discrepâncias
em prejuízo às mulheres. Na média geral, as
executivas recebem remuneração 5% menor que os seus
pares.
Curiosamente,
a área que conta com maior mão-de-obra feminina —
Recursos Humanos —, é onde há maior diferença
salarial entre homens e mulheres (-8%). Em se tratando de segmento,
companhias de mineração e metalurgia pagam às
suas funcionárias 11% a menos que o valor recebido pelos
homens. O segmento de petróleo e derivados é o que
mais se aproxima da igualdade salarial por gênero —
as mulheres recebem apenas 1% abaixo que os homens. Para Marcos
Morales, essa diferença de remuneração, embora
comum, não é premeditada. “Não existe
reserva de vagas e nem salários diferenciados predeterminados
de acordo com o sexo do indivíduo”, esclarece.
Com database
de abril de 2005, a pesquisa trabalhou um universo de 109 empresas,
nacionais e multinacionais, de diferentes segmentos, abrangendo
mais de 350 posições, do presidente ao menor cargo
administrativo. Juntas, essas companhias empregam mais de 500 mil
funcionários e possuem um faturamento líquido total
de US$ 108 bilhões. A maioria delas (69%) tem sede em São
Paulo, seguida por Rio de Janeiro (13%), Paraná (8%) e Rio
Grande do Sul (6%).
Além
de analisar a participação e os rendimentos femininos,
o trabalho apresentou informações detalhadas sobre
práticas, tendências e políticas de remuneração
total, como aumentos concedidos, tabelas diferenciadas, remuneração
variável, incentivos de longo prazo, benefícios e
remuneração por nível, porte e por origem do
capital.
A Watson Wyatt,
responsável pela pesquisa, é uma empresa internacional
de prestação de serviços de consultoria que
há mais de 50 anos assessora seus clientes na busca de soluções
para gestão do capital humano e área atuarial. Presente
em mais de 30 países, conta com aproximadamente 6 mil colaboradores
e mais de 19 mil clientes.
(Uol Executivo
– 29/09/05)
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