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Mais pessoas ganham
menos que o mínimo
O número de trabalhadores
que recebem menos de um salário mínimo por mês
atingiu em 2005 o maior patamar da nova Pesquisa Mensal de Emprego,
do IBGE, iniciada em 2002. Na média do ano, 14,5% da população
ocupada (ou 2,876 milhões de pessoas) recebia menos que R$
300. Em 2003, eram 11,9%. Em 2004, eram 13,8%.
Segundo o instituto,
a maior parte desses trabalhadores pertence ao mercado de trabalho
informal, principalmente comércio, construção
civil e autônomos. O crescimento surpreendeu o IBGE porque
2005 terminou com o desemprego em queda e a renda média em
alta. A taxa média de desemprego no ano recuou para 9,8%,
o menor patamar da série. A renda cresceu 2%, a primeira
expansão desde 1997. De forma geral, houve também
aumento da formalidade: o número de trabalhadores com carteira
assinada cresceu 5,6% de 2004 para 2005.
Segundo o IBGE, o avanço
do sub-rendimento, que representa o total de pessoas que recebem
por hora menos do que o salário mínimo dividido pela
jornada de trabalho de 40 horas semanais, está diretamente
ligado à informalidade. "O aumento do sub-rendimento
mostra que a informalidade continua crescendo nas vagas de menor
remuneração. Embora exista uma recuperação
das camadas mais favorecidas, que têm emprego com carteira,
a parcela de baixa renda ainda sofre com a sub-remuneração",
disse o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo.
Todos os anos o sub-rendimento
cresce em maio, quando o salário mínimo costuma ser
reajustado. Isso ocorre porque há uma defasagem entre a decisão
do governo de elevar o mínimo e a aplicação
do reajuste para os trabalhadores informais, segundo o IBGE.
Normalmente, o total
de sub-remunerados vai caindo ao longo dos meses, mas, na avaliação
do instituto, a análise dos últimos anos mostra que
há uma tendência de elevação. Em 2006,
o maior aumento dos sub-remunerados deve ocorrer em abril, com a
antecipação do reajuste do mínimo de R$ 300
para R$ 350. Segundo Guilherme Maia, da consultoria Tendências,
o aumento do mínimo acima da inflação e a rigidez
das leis trabalhistas estimulam o crescimento da informalidade pois
"aumentam o custo do empregador e diminui a margem de negociação
patrão-empregado". O cenário de juros e carga
tributária elevados e taxa de câmbio desfavorável
ao exportador também estimulam o sub-rendimento, segundo
o IBGE.
Segundo o economista
Marcelo de Ávila, do Ipea, ligado ao Ministério do
Planejamento, cada vez mais a oferta de vagas privilegia pessoas
com mais anos de estudo. Em 2005, foram criadas 650 mil vagas para
pessoas com 11 anos ou mais de estudo (ao menos o ensino médio),
enquanto vagas para quem tinha até um ano de estudo tiveram
queda de 28 mil. Já para quatro a sete anos de estudo foram
fechadas 95 mil vagas.
(Folha de
S. Paulo – 31/01/06)
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