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Reajustes
salariais de 2004 são os melhores desde 1996
As negociações
salariais em 2004 foram as melhores conseguidas pelos trabalhadores
desde 1996, ano em que o Dieese iniciou pesquisa sobre reajustes
concedidos no país. Em mais da metade dos 658 acordos analisados
houve aumento real acima da inflação.
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Reajustes salariais de 2004 são os melhores desde 1996
As negociações
salariais em 2004 foram as melhores conseguidas pelos trabalhadores
desde 1996, ano em que o Dieese iniciou pesquisa sobre reajustes
concedidos no país. Em mais da metade dos 658 acordos analisados
houve aumento real acima da inflação. A recomposição
salarial ocorreu em todos os setores e foi paga, na maior parte
dos acordos, sem parcelamento.
Os resultados
fazem parte de levantamento do Dieese a partir de acordos salariais
de categorias profissionais de todo o país -mais da metade
está no setor industrial, na região Sudeste e têm
data-base no primeiro semestre.
Oito em cada
dez acordos salariais pesquisados conseguiram repor ou zerar as
perdas acumuladas pela inflação medida pelo INPC (Índice
Nacional de Preços ao Consumidor) nos 12 meses anteriores
a cada data-base. O INPC é o índice mais usado nas
negociações e serve para corrigir o salário
mínimo e benefícios previdenciários.
"O crescimento
do PIB [Produto Interno Bruto], a redução do desemprego,
as taxas de juros menores e o controle da inflação
foram fatores determinantes para que se conseguisse chegar a esses
resultados", diz Clemente Ganz Lucio, diretor técnico
do Dieese.
"Em 2000 [até então considerado o melhor ano
para as negociações salariais], quando a economia
também registrou crescimento, 67% haviam conseguido reajustes
iguais ou acima da inflação."
Dos 658 acordos
analisados, 54,7% tiveram reajustes superiores à inflação
-a maior parte com ganhos reais de até 3% acima do INPC.
O maior aumento real ocorreu entre os metalúrgicos de montadoras
e autopeças que conseguiram até 4% de aumento acima
da inflação. Em 2003, o percentual de acordos com
reajustes acima da inflação foi de 19,6%.
Somente um quinto
dos acordos (19,1%) obteve em 2004 reajustes abaixo do INPC -126
categorias não conseguiram zerar as perdas da inflação.
Em 2003, o pior ano para as negociações salariais,
foram 57,7%.
No setor industrial,
foram feitas as melhores negociações -em 87,1% dos
acordos houve reajustes iguais ou maiores do que a inflação.
Metalúrgicos, químicos, trabalhadores dos setores
de papel e celulose, de alimentação e de calçados
foram os que conseguiram reajustes acima do INPC. "As negociações
mostram que, além dos setores voltados para a exportação,
já houve reação em segmentos voltados para
o mercado interno", diz José Silvestre de Oliveira,
supervisor do Dieese em SP.No comércio, 82,3% dos acordos
tiveram reajustes iguais ou superiores à inflação.
No setor de serviços, foram 71,4% -os melhores reajustes
foram para os bancários e para os funcionários de
seguradoras.
Para 2005, os
resultados devem ser mais tímidos do que os verificados no
ano passado. "Os juros voltaram a subir em setembro de 2004
e há sinais de piora nas taxas de desemprego, o que pode
prejudicar as negociações deste ano", diz João
Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força
Sindical.
Apesar dos resultados
positivos de 2004, os técnicos ressaltam que o rendimento
do trabalhador chegou ao mais baixo patamar dos últimos 20
anos. "Os salários são baixos, e a rotatividade
achata ainda mais o rendimento. Para recuperar o que se perdeu,
vai demorar anos", afirma o diretor do Dieese.
(Folha
de S.Paulo - 31/03/05)
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