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Obeso
diz sofrer preconceito do mercado
Segundo dados
do IBGE, 10,5 milhões de brasileiros têm obesidade
e 38,8 milhões estão acima do peso. Ao confrontar
esses dados com a situação nas empresas, chega-se
a uma conclusão: não é fácil para o
obeso conseguir emprego.
Leia
mais:
- Obeso diz sofrer preconceito
do mercado
- Autopiedade, medo e
insegurança também são obstáculos
- Grandes empresas já
combatem a doença
- Peso é vantagem
para algumas vagas
Profissionais de hotelaria ganham
cursos específicos
Hospitais e
clínicas médicas ou plataformas de petróleo,
são novos campos de trabalho para o curso de hotelaria. O
Centro de Turismo e Hotelaria do Senac Rio, é uma das entidades
que mantém cursos específicos de “Hotelaria
hospitalar” e de “Hotelaria offshore.”
Leia
mais:
- Profissionais de
hotelaria ganham cursos específicos
- Confira as opções
para capacitação no setor
Obeso diz sofrer preconceito do mercado
Olhe ao redor.
Quantos obesos você vê trabalhando na sua empresa? A
resposta mais provável é "poucos". A ausência
poderia até ser um sinal saudável não fossem
os números pesados sobre a obesidade entre adultos no país.
De acordo com dados da POF do IBGE (Pesquisa de Orçamentos
Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
10,5 milhões de brasileiros com 20 anos ou mais são
obesos, ou seja, 8,9% da população masculina e 13,1%
das mulheres. Se considerada também a população
que está acima do peso ideal, o número salta para
40,6% (quase 39 milhões de pessoas).
Ao confrontar
esses dados com a situação nas empresas, chega-se
a uma conclusão: não é fácil para o
obeso conseguir emprego. Preocupadas com possíveis desdobramentos
de problemas de saúde, as companhias evitam a contratação.
Para os profissionais, a discriminação é evidente.
"Fui entrevistada
em uma escola em que a dona fez cara de nojo e perguntou se eu me
cansava facilmente", diz a professora de informática
Telma Lemos Silva, 30. Em um teste para trabalhar num supermercado,
ela diz ter perdido a vaga para uma candidata que usava calculadora.
"Ela era menos qualificada, mas era magra."
Silva só
conseguiu emprego ao ser convidada a dar aulas pelo professor de
um curso em que teve bom desempenho. Hoje leciona num colégio
em São Paulo.
Já a
supervisora de atendimento (que pediu para não ser identificada)
L.B., 34, participou de processos seletivos para a mesma empresa
duas vezes. Na primeira, pesava 154 kg e não passou da entrevista
inicial. Após reduzir o estômago e perder 70 kg, tentou
novamente. "Não fiquei com a vaga, mas cheguei bem mais
longe."
Atendente de
suporte técnico, Lauro de Chaves, 27, acredita que o mercado
não disfarça o preconceito. "No trabalho, gordo
é tido como "mole", como incapaz de fazer as coisas
corretamente. Quando comecei a emagrecer, muita coisa mudou",
comenta ele, que pesou 145 kg e hoje tem 90 kg.
"Procurar
emprego é estressante para o obeso, pois a empresa o encara
como um risco", observa Alexandre de Azevedo, psiquiatra especialista
em obesidade.
(Folha de
S. Paulo – 29/05/05)
Autopiedade, medo e insegurança também são
obstáculos
Uma série
de mitos ancorados no preconceito permeia a dificuldade de o obeso
encontrar uma oportunidade. Associa-se, inadequadamente, a imagem
dele a idéias como a de pouca força de vontade, de
lentidão de raciocínio e até de falhas de caráter.
Do ponto de
vista psiquiátrico, nada se comprova. "Gordos e magros
têm características de personalidade semelhantes",
explica Alexandre Pinto de Azevedo, psiquiatra do Grecco (Grupo
de Estudos em Comer Compulsivo e
Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo).
A psicóloga
Fabiana Rosa, do serviço de tratamento à obesidade
do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte (MG), concorda. "O
peso é ponto contra. Acham que o obeso é lento, burro
e não tem determinação. Não é
verdade. Se o trabalho não envolve esforço físico,
a agilidade é igual."
Mas há
um outro lado nessa moeda, observa Andrea Levy, psicóloga
especializada em acompanhamentos pré e pós-operatórios
de obesidade. "A queixa costuma vir acompanhada de um sentimento
de autopiedade", diz ela.
"Quem pesa
demais não se sente à vontade com o corpo e se "encapsula"
num círculo de insegurança e de medo. Não tem
coragem de procurar emprego porque acha que não vai conseguir.
Chega até a aceitar subempregos."
Levy atenta
para o fato de que a obesidade deixa seqüelas no currículo
da mesma forma que deixa no corpo. "Não adianta achar
que uma cirurgia de redução de estômago é
um passaporte para a alegria. Se o profissional não tem experiência,
continuará fora", diz.
(Folha de
S. Paulo – 29/05/05)
Grandes empresas já combatem a doença
Em algumas empresas,
o sobrepeso já passou a integrar a lista das preocupações
com qualidade de vida. Um exemplo é a Glaxo-SmithKline, que
neste ano está combatendo a obesidade dentro de um programa
nacional batizado de "Vivendo Melhor". A iniciativa se
estenderá aos filhos de funcionários, que assistirão
a peças de teatro sobre o tema.
Na prática,
a empresa já conduzia ações isoladas em relação
à doença. Há quatro anos, a analista de automação
Shirley Perisse, 39, teve sua cirurgia de redução
de estômago financiada integralmente.
"Era obesa
mórbida. Com meus rendimentos, jamais conseguiria bancar
a operação. Para mim, foi um reconhecimento imenso
ao meu trabalho", conta a profissional, que perdeu 62 kg.
Perisse falou
à Folha de sua casa no Rio de Janeiro, onde se recupera de
duas novas intervenções cirúrgicas para remover
o excesso de pele resultante do emagrecimento. Mais uma vez, as
despesas correram por conta do patrão.
Úrsula Durkes, 42, também contou com a ajuda da companhia
quando decidiu brigar com a balança. "Sempre fui magra,
mas ganhei 40 kg em cinco anos. Foi uma experiência nada agradável",
relata a profissional.
Técnica
em formulação da DSM (empresa instalada dentro da
Roche), ela aproveitou a pista de cooper e o estímulo da
firma para se exercitar. "Comecei a caminhar depois do expediente.
Ando oito quilômetros diariamente", diz.
"Focamos
na obesidade da mesma forma que fazemos com tabagismo e estresse",
esclarece a gerente de responsabilidade social da Roche, Rosicler
Rodriguez. "Quando identificamos um funcionário com
o problema, fomentamos a mudança a partir da alimentação
e da atividade física."
Na Natura, obesos
mórbidos contam com um programa específico de apoio,
o "Anjos do Peso". "O acompanhamento é individualizado
porque esse funcionário precisa de mais atenção",
observa a gerente de recursos humanos, Rosângela Brandão.
Em comum, as
ações das empresas visam à diminuição
de custos com a redução do número de faltas,
algumas doenças são mais freqüentes entre obesos,
como diabetes, colesterol alto e hipertensão. Outra razão
é o gasto com a sinistralidade dos planos de saúde,
cujo peso no orçamento das companhias é cada vez maior.
(Folha de
S. Paulo – 29/05/05)
Peso é vantagem para algumas vagas
Nem tudo são
queixas sobre o excesso de peso. Em alguns casos, ele pode até
dar um "empurrão" para conquistar uma posição.
"Nunca
sofri preconceito nem ninguém me mandou emagrecer",
conta o jornalista Alexandre Hércules, 36, que pesa 110 kg
e deveria estar com 90 kg. Há dez anos, ele era o "repórter
faustinho" do programa "Domingão do Faustão",
da Rede Globo. "No caso desse trabalho, ser gordo era até
positivo porque gerava identificação com o apresentador.
Saí na frente", conta ele.
Dono de uma
empresa de comunicação, Hércules diz que contrataria
um obeso sem problemas. "O que importa para mim é a
agilidade, e sei bem o quanto um gordo pode ser ágil",
afirma.
Na rede paulistana
de lojas Very Rosy, que vende roupas até o tamanho 60, pesar
mais também é vantagem para ser contratado. "Dou
total prioridade aos gordinhos. Sou gordinha, meu cliente é
gordinho. Prefiro vendedores que tenham esse perfil", diz a
proprietária da marca, Rosa Koth, 52.
"Já
vi uma obesa superqualificada entrar numa empresa e arrasar, superar
todas as expectativas. Mas isso é uma exceção
à regra, o estigma existe mesmo", conta a consultora
de recursos humanos Rossana Mezzei, 43.
Mezzei está
com data marcada para fazer cirurgia de redução de
estômago. Precisa perder 50 kg. "A verdade é que
todo gordo precisa ser acolhido, apoiado e estimulado a mudar",
ressalta. Na opinião dela, uma vantagem que os mais pesados
têm a oferecer às empresas é a simpatia e a
facilidade de comunicação.
A psicóloga
Fabiana Rosa, do Hospital da Baleia, concorda. "O obeso é
expansivo, chama a atenção por ser mais alegre. É
um traço de personalidade."
Já a
supervisora de atendimento L.B. discorda. "Quando eu era obesa,
era extremamente mal-humorada. No fundo, estava sempre triste comigo.
Isso dificultava minhas relações no trabalho",
conta.
(Folha de
S. Paulo – 29/05/05)
Profissionais de hotelaria ganham cursos específicos
A arte de receber
bem um hóspede ultrapassou os limites dos tradicionais cursos
de hotelaria. É que novos programas formam profissionais
para trabalhar em lugares bem diferentes de hotéis, spas
e pousadas. Como hospitais e clínicas médicas ou plataformas
de petróleo, foco dos cursos de “Hotelaria hospitalar”
e de “Hotelaria offshore ”, respectivamente, do Centro
de Turismo e Hotelaria do Senac Rio.
Com cozinha
internacional, cybercafé , serviço de quarto, equipes
de porteiros e camareiros, instalações confortáveis
com TV a cabo e ligação para laptop, hoje alguns quartos
de hospitais, contrastando com a realidade do país, podem
ser confundidos com hotéis cinco estrelas. Neste caso, para
fazer o curso, é preciso ter formação superior
em qualquer área ou experiência em gestão hospitalar.
A duração do programa é de quatro meses.
“A tendência
dos “hospitais-hotéis”, ou maternidades cinco
estrelas, chegou do exterior com força total a instituições
do Rio e de São Paulo. Para atender a esse mercado, o Senac
Rio criou o curso. O objetivo principal é oferecer aos pacientes
condições de bem-estar, assistência, auxiliando
na rápida recuperação — explica Rafael
Sampaio, gerente-corporativo do Centro de Turismo e Hotelaria do
Senac.
Há três
anos, a Casa de Saúde São José, no Humaitá,
criou a área de hotelaria. A gerente do setor, Rosa Helena
Guadagnini, conta que agora a instituição tem uma
parceria com o Senac para contratar os melhores alunos de seu curso
de “Hotelaria hospitalar”:
“Procuramos
dar todo o suporte de um hotel, mas com todos os cuidados especiais
de um hospital, já que lidamos com o risco da infecção.
No curso de
“Hotelaria offshore ” do Senac Rio, criado ano passado
devido à grande demanda por profissionais qualificados para
trabalhar nas plataformas de petróleo da Bacia de Campos,
formam-se cozinheiros, ajudantes de cozinha, padeiros, garçons,
camareiras e comissários. Para este programa, é preciso
ter ensino médio. Parte das aulas acontece num ambiente simulado
pelo Senac, em Macaé: dentro de um contêiner, com cozinha
e suíte.
“A idéia
é que o lugar se aproxime ao máximo de uma plataforma
de petróleo, para que o profissional seja qualificado a enfrentar
os desafios de trabalhar nesta área, já que as jornadas
de trabalho são bem intensas,” destaca Sampaio, lembrando
que a duração dos cursos de capacitação
varia de 24 a 160 horas, e as dos cursos de aperfeiçoamento,
de 16 a 32 horas.
O gerente-corporativo
do Senac destaca que essa capacitação é uma
exigência da Petrobras: “Hoje, sete prestadoras de serviço
das plataformas estão trabalhando conosco no programa de
qualificação.”
Os dois temas,
hotelaria hospitalar e offshore, também já fazem parte
de alguns cursos universitários de hotelaria. Como a Universidade
Estácio de Sá, em que o programa da graduação
tem duração de três anos e meio.
“Hoje,
todos os hospitais de ponta trabalham com pessoal de hotelaria em
seus quadros. Antes, as enfermeiras supriam as áreas de administração
de materiais, de pessoal, de manutenção, de segurança,
sem ter nenhum conhecimento técnico disso”, afirma
a coordenadora do curso, Sandra Schmall.
Outra setor
que vem absorvendo muitos profissionais é o dos condomínios
de luxo, destaca Sandra: “Nós ainda não temos
uma especialização para hoteleiros que queiram trabalhar
neste segmento específico. Mas o princípio é
o mesmo.”
(O Globo
– 29/05/05)
Confira as opções para capacitação no
setor
Hospitalar:
O programa do Senac Rio, de 180 horas (cerca de quatro meses) aborda,
entre outros assuntos, excelência em atendimento, ambiente
hospitalar, normas de biossegurança, análise de custos,
alimentos e bebidas e gestão de equipes. É preciso
ter formação superior em qualquer área ou experiência
em gestão hospitalar. Informações: 3328-0380.
‘Offshore’:
O curso, em Macaé, forma pessoal de apoio, cozinheiros, ajudantes
de cozinha, padeiros, garçons, camareiras e comissários,
para trabalhar nas plataformas de petróleo. É preciso
ter ensino médio. A duração dos cursos de capacitação
varia de 24 a 160 horas e os de aperfeiçoamento, de 16 a
32 horas. Informações pelo telefone 3328-0380.
Outros: A Escola
Técnica de Turismo Cieth oferece o curso tradicional de hotelaria,
com duração de cinco meses. Após o término
das aulas, alguns alunos poderão ser encaminhados a empresas
conveniadas à escola. Informações pelo 2262-7477.
O Senac Rio está abrindo vagas também para o curso
“Gestão de hospedagem”, um programa de extensão
acadêmica, com duração média de sete
meses.
Graduação
E Pós: A Estácio de Sá é a única
universidade do Rio que oferece curso de graduação
em hotelaria e pós-graduação internacional
na área. Outras informações: 3202-9400.
(O Globo
– 29/05/05)
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