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Organização propõe novos líderes com
idéias sociais
O Instituto
para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), organização
que oferece apoio técnico a empresas e indivíduos
que queiram praticar ações sociais, defende que é
preciso plantar o ideal de empresa socialmente responsável
nos futuros líderes, quando estes ainda são trainees.
Para colocar essa idéia em prática, o Idis lançou
o Programa Trainee Social.
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Organização propõe novos líderes com
idéias sociais
Não basta
educar os atuais líderes e formadores de opinião de
que responsabilidade social não é mero modismo, mas
uma política tão importante como a gestão financeira
das organizações. O Instituto para o Desenvolvimento
do Investimento Social (Idis) - organização sem fins
lucrativos que oferece apoio técnico a empresas, comunidades,
famílias e indivíduos que queiram investir de forma
estratégica suas ações sociais - defende que
é preciso plantar o ideal de empresa socialmente responsável
nos futuros líderes, quando estes são ainda trainees.
"Responsabilidade
social é uma questão cultural que demanda mobilização
e demora para ser incorporada em toda a organização,
por isso é importante começar pelos futuros executivos
das empresas", afirma Kátia Reis, coordenadora do núcleo
de capacitação do Idis e responsável pelo desenvolvimento
do Programa Trainee Social.
Ainda em fase
de implantação, o programa é o pioneiro no
Brasil. A novidade não fica por conta do conteúdo,
mas sim pelo público-alvo. A maioria dos cursos oferecidos
atualmente é voltado para profissionais que almejam trabalhar
em organizações não-governamentais ou em projetos
de responsabilidade social das empresas. O programa do Idis quer
ir mais longe. Criado para propiciar aos jovens profissionais compreensão
do chamado terceiro setor, pretende difundir os conceitos naqueles
que atuarão e até mesmo comandarão áreas
que vão de recursos humanos a finanças, passando pelo
marketing e área industrial de grandes corporações.
Em 1999, Vanessa
Leite fez o primeiro curso para trainees direcionado para responsabilidade
social, oferecido pelo Grupo de Institutos, Fundações
e Empresas (Gife) e organizado pelo Idis. Ela era a única
que trabalhava numa empresa privada. Todos os outros 19 colegas
atuavam em organizações não governamentais
como o Instituto Ethos e fundações voltadas para responsabilidade
social de empresas privadas, como a Fundação Boticário
e Fundação Kellogg.
Vanessa, que
na época já era efetivada da Basf, era a única
do grupo que buscava conhecimentos para reestruturar a atuação
de toda a empresa no campo de responsabilidade social e não
apenas de sua fundação. Com a experiência, Vanessa
deixou o principal projeto social da empresa e assumiu o cargo de
coordenadora de responsabilidade social da Basf. "Fui trabalhar
no corporativo, porque a companhia quer tratar a questão
como estratégica", diz. "Com o curso, poderia ajudar
a reestruturação das ações da empresa
na comunidade."
Postura consciente
Para Kátia,
o currículo das faculdades ligadas à gestão
de negócios não possuem cadeiras específicas
sobre o tema. O resultado são jovens despreparados para lidar
com as exigências da nova realidade dos executivos brasileiros,
que cobram uma postura mais consciente e engajada das empresas.
"Vamos dar embasamento aos futuros dirigentes para que eles
possam tomar decisões acertadas em relação
à responsabilidade social", diz Kátia. "Esperamos
fazer a transição da gestão estratégica
do setor privado para o terceiro setor."
O Programa Trainee
Social pode ser acoplado ao programa de trainee normal. O conteúdo
traz noções do terceiro setor, como sua emergência
e a relação dos poderes público e privado.
Além disso, são tratados o papel do Estado e responsabilidade
social das empresas, investimento social estratégico, papel
das futuras lideranças empresariais no desenvolvimento social
sustentável. A melhor parte fica por conta das visitas a
campo monitoradas, onde os futuros executivos vão conhecer
iniciativas de referência e projetos bem sucedidos implantados
por algumas empresas.
Segundo Kátia,
as empresas acham a proposta convincente porque são os próprios
trainees que cobram ações sociais e de cidadania nas
entrevistas para entrar na companhia. "Essa geração
é mais preocupada com o tema do que há dez anos",
diz. Apesar de reconhecer a importância, o valor do programa
- R$ 11,5 mil por 32 horas de curso para 20 pessoas - ainda não
convenceu nenhuma das 20 empresas a quem a entidade ofereceu o curso.
"Elas dizem que não conseguem pagar por causa do momento
econômico e não pela idéia", justifica
Kátia.
(Gazeta Mercantil
- 01/08/02)
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