Empresários adotam a franquia social

Assim como no mundo dos negócios, o objetivo da franquia no campo social é repetir o sucesso da fórmula. Com ela, as oportunidades para as pequenas empresas participarem de projetos de responsabilidade social estão se ampliando, principalmente porque não implicam em altos gastos.

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Empresários adotam a franquia social

As oportunidades para as pequenas empresas participarem de projetos de responsabilidade social estão se ampliando. Por meio de franquias sociais, as microempresas ganham a chance de se engajar no terceiro setor sem ter altos desembolsos.

Assim como no mundo dos negócios, o objetivo da franquia no campo social é repetir o sucesso da fórmula. "A diferença é que o objetivo delas não é o lucro financeiro, mas o impacto social positivo", diz Paulo Ancona, da consultoria Vecchi & Ancona.

Para um pequeno empreendedor, a vantagem deste dispositivo é não ter de quebrar a cabeça pensando em um projeto. E mais, sem gastar muito dinheiro na fase de implantação que um programa de responsabilidade social envolve.

Regina Stella Schwandner, superintendente do instituto Criança é Vida, conta que, quando o programa de levar cuidados básicos de saúde a comunidades carentes foi criado pela Schering -Ploug, os gastos com o projeto eram muito maiores do que os atuais e para atender um número muito menor de família.

Agora, sob a forma de franquia, a empresa que quiser fazer parte do projeto não terá de enfrentar a fase dos erros e acertos. Pagará apenas uma taxa pela manutenção do sistema de franquia e pelo material de apoio enviado. Para uma empresa com 50 voluntários, os gastos são de R$ 77,4 mil por ano.

Em alguns projetos, os desembolsos são ainda menores, ou quase nulos. A Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), por exemplo, visa preparar jovens de comunidades carentes para o vestibular. "Não é preciso pagar nada, apenas assinar um termo de dedicação", diz frei David Santos, do Largo São Francisco, em São Paulo.

O projeto de educação para o vestibular começou em 1989 e foi se multiplicando sem muita sistematização. Em 1998, quando os organizadores se depararam com uma vasta rede, decidiram implantar o sistema de franquias. "A franquia traz mais visibilidade e organização para nós", conta o frei. Hoje são 166 unidades em São Paulo, Rio, Minas e Espírito Santo.

Uma das pioneiras no sistema de franquia social também foi o projeto Formare, da Fundação Ioschpe, em 1999. Beth Callia, coordenadora do Formare, conta que a entidade de formação profissionalizante para jovens vizinhos às empresas conseguia ótimos resultados: 85% das pessoas que passavam por lá conseguiam se inserir no mercado de trabalho. "Tínhamos um bom projeto, mas que ficava limitado a cinco escolas. Era preciso expandir."

Mas Beth conta que quando a franquia social foi implantada, a reação do terceiro setor foi dupla. "Parte das organizações ficou um pouco ressabiada com a palavra franquia. Achavam que engessaria o setor." Muitas organizações não digerem bem o termo franquia social. Um dos motivos é a utilização de conceitos comerciais em entidades que não buscam o lucro. Outro é cobrança de mensalidade e taxa de manutenção da franquia.

Porém, de acordo com Fábio Kanashiro, diretor de relacionamento da Cherto, os franqueados devem entender que as cobranças têm por objetivo sustentar o próprio sistema de franquia. "As taxas servem para que o sistema se mantenha com treinamento, apostilas e acompanhamento de cada unidade."

Na opinião de Ricardo Young, do conselho deliberativo do Instituto Ethos, a franquia social é benéfica. "Permite que as organizações não-governamentais se constituam em redes e assim, fiquem mais fortes. Além disso, garante a expansão com baixíssimo capital."

(Valor - 03/02/03)

   
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