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Bovespa pretende atrair recursos para ações sociais
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
quer mostrar ao mercado que gastos na área social não
precisam ser tratados como fundo perdido. Pelo menos não
se o dinheiro for investido nos projetos listados na Bolsa de Valores
Sociais (BVS), que será lançada dia 11 de junho com
o objetivo de atrair potenciais investidores para as iniciativas.
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Bovespa pretende atrair recursos para ações sociais
A Bolsa de Valores
de São Paulo (Bovespa) quer mostrar ao mercado que gastos
na área social não precisam ser tratados como fundo
perdido. Pelo menos não se o dinheiro for investido nos projetos
listados na Bolsa de Valores Sociais (BVS), que será lançada
dia 11 de junho com o objetivo de atrair potenciais investidores
para as iniciativas.
As "ações
sociais" serão negociadas com a ajuda das corretoras
de valores, como no pregão da Bovespa, o que vai permitir,
por exemplo, que os investidores diversifiquem suas aplicações,
dividindo as contribuições entre vários projetos.
"A função
do corretor é justamente essa: aproximar quem quer investir
e quem precisa do dinheiro. Só que vamos inverter o processo,
com as empresas no papel de investidoras", explica o presidente
da nova bolsa, Álvaro Augusto Vidigal. A iniciativa é
pioneira no mundo, diz. Ele conta que a Bovespa, que já investiu
R$ 400 mil na BVS, também acrescentará 10% a cada
investimento recebido, até o limite de R$ 500 mil por doação.
Para que a BVS
comece a operar, 30 projetos e entidades serão selecionados
pelos membros do Conselho de Administração da nova
bolsa, que reunirá 13 pessoas com experiência na área
social. O conselho inclui desde o ministro da Educação,
Cristovam Buarque, até personalidades como o jogador de futebol
Raí, que dirige a Fundação Gol de Letra, e
a cantora Daniela Mercury, embaixadora da Unicef no Brasil.
Os projetos
selecionados receberão o selo Organização Listada
na Bolsa de Valores Sociais, que servirá como garantia de
qualidade e transparência. Os investidores poderão,
aliás, acompanhar o andamento das atividades desenvolvidas
com os recursos doados.
"A idéia
é criar um fundo e liberar recursos de acordo com o andamento
do projeto", explica Celso Grecco, da agência Atitude
Marketing Social, responsável pela formatação
da BVS.
O consultor
especializado em terceiro setor Antonio Carlos Martinelli explica
que as empresas têm mais sucesso em projetos sociais quando
têm afinidade com a ação escolhida. "Esse
é o grande mérito da Bovespa", diz.
Para a diretora-executiva
do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis),
Carla Duprat, a nova bolsa marca uma transição das
ações filantrópicas tradicionais para o investimento
social estratégico.
A executiva
cita uma pesquisa do Ipea, que estima que 1,5% do Produto Interno
Bruto é investido em ações sociais.
(O Estado
de S. Paulo - 04/06/03)
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