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A hora e a vez das novas redes sociais ditarem as regras
Os processos
de construção colaborativa de conhecimento tornaram-se
moda nos últimos anos, com a expansão da internet,
mas é preciso tornar mais clara a novidade: trata-se da evolução
do modelo "um para muitos" (MIT) para um modelo "muitos
para muitos" (Wikiuniversity) no âmbito da própria
internet. Essa é a novidade central do que se convencionou
chamar de web 2.0.
A importância
do conhecimento apenas relativamente estruturado, como o que se
produz continuamente em cursos de complementação,
MBAs e outras formas de estudo do tipo "pós- graduação"
nas empresas precisa ser urgentemente reconhecida, medida e premiada.
No entanto,
enquanto a maioria da instituições ditas "acadêmicas"
não reconhece e não incentiva este tipo de abordagem,
surgem ambientes virtuais onde os trabalhadores de uma instituição
compartilham conhecimentos para desenvolver soluções
capazes de resolver problemas específicos de outras organizações.
O grau de "disclosure",
ou seja, de compartilhamento, obviamente varia de empresa para empresa,
de organização para organização, de
pessoa para pessoa. Essa disposição e as competências
para a inovação aberta tornaram-se um aspecto essencial,
talvez o mais crítico, no desenho das estratégias
tecnológicas nos modelos de negócios contemporâneos.
Cada vez mais,
o grau de abertura para as redes sociais pode ser decisivo para
a riqueza dos sistemas empresariais e produtivos. Essa é
a lição estampada tanto em projetos projetos mais
"sérios" ou profissionalizantes de conexão
aberta entre indivíduos e organizações (como
a Cidade do Conhecimento da USP e redes profissionais globais como
"Linked In") quanto em espaços desenhados com foco
no entretenimento ou auto-ajuda (como Orkut e outras redes juvenis,
de orientação sexual ou solidariedade e demais serviços
sociais).
A "educação à distância" já
foi apontada como uma das grandes promessas da internet. Hoje, manchetes
de jornais mostram estudantes revoltados com o uso por mantenedoras
de sistemas de informação para reduzir custos, rebaixar
o nível do ensino e ampliar a receita com mensalidades e
outras taxas. A verdade é que pouco mudou, ainda, no ensino
e na aprendizagem, apesar da rápida difusão da internet
1.0.
Professores
e alunos encontram-se nas salas de aula, onde as dinâmicas
de ensino e aprendizagem permanecem iguais às de antigamente.
Novas possibilidades de educação a distância
têm sido experimentadas, é verdade; porém, grande
parte das iniciativas elaboradas são pontuais, ou seja, desenvolvidas
em contextos específicos e sem possibilidade de serem replicadas
em outros ambientes. Mais importante, até hoje não
existem métricas capazes de comparar as iniciativas entre
diferentes instituições de ensino ou empresas que
funcionam como organizações que aprendem.
A difusão
de redes sociais digitais prenuncia em pleno capitalismo do conhecimento
o surgimento de uma economia da colaboração, a consolidação
de ações do terceiro setor e de responsabilidade social
empresarial e a revalorização de ações
e instituições de interesse público.
É a emergência
do Capitalismo 3.0 a partir da Web 2.0. O termo, criado por Peter
Barnes (eleito em 1995 o empresário socialmente responsável
do ano nos EUA), coloca em primeiro plano a necessidade de mudanças
sociais e econômicas para que o potencial das novas tecnologias
seja melhor aproveitado.
Nem tudo ao
Estado, nem dominância absoluta do mercado, ganham importância
nos novos direitos associados a redes intangíveis que refletem
uma inteligência cívica tão importante para
cidadãos quanto para empresas e organizações
sociais. O "creative commons" é o exemplo hoje
mais conhecido de reforma capitalista associada ao controle social
das redes digitais. Na Web 2.0 não faz sentido separar o
real do digital. A competição e o mercado jamais serão
os mesmos agora que o ecossistema capitalista combina territórios
proprietários e não-proprietários.
O exemplo mais
recente da migração para novas formas de vida digital
é o Second Life, onde a Cidade do Conhecimento 2.0 lidera
a criação de territórios de interesse público,
sem fins lucrativos, autênticas incubadoras de projetos sociais,
educacionais, ambientais, culturais e de empreendedorismo tecnológico
associados à emergente semântica web.
A economia global
começa a mudar seu sistema operacional. A vivência
digital imersiva, marcada pela percepção não-linear,
audiovisual e em profundidades e campos novos intriga pesquisadores,
mercados e governos. Diante da inovação tecnológica
acelerada, a única resposta possível é intensificar
nossa capacidade de criar sistemas produtivos onde ocorram "pari
passu" processos de crescimento e distribuição
de riqueza, renda e poder.
As redes digitais,
operadas como processos de construção colaborativa
de conhecimento e informação, podem guardar a chave
para participarmos como sociedade aberta e criativa, em condições
de igualdade, nos novos mercados competitivos globais .
(Valor)
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