Projeto Formatos prepara gestor para organizações sociais de SP

Idealizado pelo Senac-SP, o Projeto Formatos capacitará 500 gestores de organizações sociais que atuam em comunidades pobres de São Paulo. O curso, com duração de seis meses, é gratuito.

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- Projeto Formatos prepara gestor para organizações sociais de SP
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Projeto Formatos prepara gestor para organizações sociais de SP

As organizações sociais prestadoras de serviços e assistência às comunidades pobres de São Paulo contarão este ano com lideranças tecnicamente qualificadas para o gerenciamento de suas operações.

O Projeto Formatos, lançado este ano pelo Senac, capacitará 500 gestores dessas organizações, responsáveis pelo atendimento mensal de 350 mil pessoas e a movimentação de recursos da ordem de R$ 62 milhões, segundo estimativas da escola. O curso, com duração de seis meses, é gratuito.

Os gestores dessas organizações atuam em diversas frentes de suporte social e humanitário. Entre eles projetos educacionais, saúde, terceira idade, defesa da criança e da mulher.

Iniciado em março e com término previsto para agosto, a primeira versão do Formatos 500 nasceu de um projeto piloto realizado pelo Senac em 2002. Na ocasião, foram escolhidos representantes de 100 organizações sociais que funcionam da zona leste da cidade.

Aprovada, a proposta foi ampliada para outras 400 organizações das regiões centro, oeste, norte e sul. Participaram do processo seletivo cerca de 1.200 organizações, o que evidencia a grande demanda por capacitação gerencial na ação social sob a responsabilidade do terceiro setor.

O coordenador do Formatos, o economista Sérgio de Oliveira, revela que o público alvo atingido pelo projeto do Senac é bastante diversificado. "Temos no curso engenheiros, bancários, advogados, funcionários público, biólogos, estudantes e até pessoas analfabetas", diz Oliveira, ele próprio um expert na administração de projetos.

E se a maioria trabalha nas organizações como voluntário, há gestores que prestam serviços remunerados, como no caso de algumas entidades sociais mantidas por fundações. O que as une é o envolvimento total com a causa que abraçam. "O projeto Formatos pretende democratizar as informações e levar o conhecimento das técnicas de gestão a essas organizações", explica Oliveira.

O economista define o curso com uma espécie de universidade informal, voltado a um público composto basicamente por pessoas cujo aprendizado vem das ações práticas e é, portanto, empírico.

"A principal competência do gestor social é de empreendedor, com visão de transformar a realidade e oferecer oportunidades. Não adianta vender miséria", ressalta o economista.

A maior parte das lideranças dessas organizações enfrenta o desafio de operar com poucos recursos e a falta de maiores conhecimentos técnicos de gerenciamento. Têm conhecimento da realidade em que vivem, mas por vezes ignoram as ferramentas de gestão otimizadoras de resultados.

O dinheiro que sustenta as organizações vêm principalmente de doações. "Daí a importância do domínio das técnicas para pôr idéias no papel, vender seus projetos, desenvolver recursos, inclusive humanos, e não só captar dinheiro", acentua Oliveira.

O economista cita o exemplo de um grupo de pais que impediu, em dezembro último, o fechamento de um escola para crianças deficientes na Vila Prudente. A mantenedora alegava não ter meios para preservar a instituição. O grupo de pais de alunos assumiu a gestão financeira da escola. Conseguiu gerar mais recursos junto à comunidade para manter viva a escola. "Eles se capacitaram, negociaram com a mantenedora e estão garantindo a sustentabilidade do projeto", conta o economia.

Ele lembra que, acima da remuneração, a principal motivação do gestor social está no fato de abraçar a causa com a qual se envolve. E exemplifica: o salário de R$ 1.000 de uma professora em escola particular, cai para R$ 300 a R$ 400 na organização social; o pedagoga, desce de R$ 3.000 para R$ 1.000. "O gestor social precisa ser eficiente para que a missão termine", conclui Oliveira.

(Diário de S. Paulo - 05/05/03)

   

Programa será estendido a cidades do interior

A intensa procura pela qualificação de dirigentes de organizações sociais levou a Senac a projetar a expansão do Formatos para cidades do interior. Tarefa que será facilitada pelo conjunto de cerca de 60 unidades da instituição espalhadas pelo Estado. "Essa expansão deve ocorrer, se possível, já no segundo semestre deste ano", adianta o coordenador do Formatos, Sérgio Oliveira.

Segundo ele, os municípios visados pelo Senac a princípio são Campinas, São José dos Campos e Presidente Prudente. "Há demanda por capacitação de gestores sociais nessas cidades", afirma Oliveira.

Segundo ele, uma das metas do Formatos é estabelecer uma rede integrada entre as diversas organizações cujos gestores estão sendo qualificados pelo Senac. A rede permitirá que elas interajam entre si, de forma a otimizar recursos humanos, intelectuais e materiais.

Como exemplo de maximização de resultados, Oliveira menciona o caso de pessoas carentes cadastradas em mais de uma organização social e que recebem três ou até quatro cestas básicas, enquanto outras não ficam sem nenhuma. Um banco de dados único a serviço de todas as organizações evitaria essas e outras distorções.

O conteúdo do projeto de capacitação de gestores sociais do Senac é baseado nos estudos do pesquisador americano Lester Salamon, da Universidade John Hopkins, um especialista em terceiro setor.

O curso voltado aos dirigentes dessas organizações é composto por quatro módulo. No primeiro, iniciado em março, os futuros gestores aprenderam os enunciados dos quatro desafios propostos por Salamon: legitimação, eficácia, sustentabilidade e justiça.

No módulo seguinte, que termina em maio, têm contato com as cinco principais ferramentas de gestão necessárias à profissionalização das organizações. São elas planejamento estratégico, elaboração e gerenciamento de projetos sociais, marketing, captação, mobilização de recurso e avaliação de programas.

Nas duas últimas etapas, de junho a agosto, os temas abordados serão empreendedorismo social, incluindo capacitação para lideranças, e incubadora de projetos sociais.

Mais informações: Centro de Tecnologia e Gestão do Terceiro Setor do Senac, à rua Francisco Coimbra 403, na Penha. O telefone é (0xx11) 6647-5151 e o e-mail: ctg@sp.senac.br.

(Diário de S. Paulo - 05/05/03)

   
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